Na Alemanha, torcedores e jogadores se adaptam à nova realidade do futebol

Na Alemanha, técnicos, jogadores e torcedores estão começando a se adaptar à nova realidade do futebol. O "novo normal" inclui jogos sem torcida nos estádios e uma série de medidas restritivas para evitar o contágio do coronavírus.

A bola voltou a rolar neste fim de semana e o Campeonato Alemão foi a primeira das grandes ligas europeias a retomar suas partidas após a pandemia. O novo futebol no país tem fatos curiosos, com clubes inovando para suprir a ausência de torcedores, protestos, e incertezas.

Mais de mil fãs do Colônia entregaram suas camisas e cachecóis para que o clube montasse um pequeno mosaico em uma parte do estádio. Assim, os jogadores puderam sentir um pouco do apoio dos torcedores que não puderam estar presentes já que todas as partidas até o final do campeonato serão disputadas sem público. O Colônia também colocou pelúcias nas cadeiras vazias. Em campo, o time da casa empatou em 2 a 2 com o Mainz neste domingo.

Fora do estádio do Colônia, torcedores protestaram contra o reinício da temporada. Eles reprovam os jogos sem torcida. Um sofá foi colocado perto do estádio com os dizeres: "Estádio em vez de sofá. Contra os jogos fantasmas!". As torcidas organizadas são as mais revoltadas com a impossibilidade de assistirem a seus times de perto.

Nas partidas, a maioria das regras sanitárias impostas para evitar o contágio foi respeitada. O protocolo da liga alemã obriga o uso de máscara para todos que não estejam jogando, incluindo os reservas, que sentam separados a uma cadeira de distância uns dos outros.

Um ponto, no entanto, tem causado controvérsia: a recomendação de comemorações de gol com distanciamento social. Nem todos seguiram a precaução de celebrar de forma menos efusiva e acabaram mantendo contato. Uns respeitam a orientação, outros reclamam e dizem não entender.

Os jogadores de Colônia e Mainz comemoraram seus gols tocando os cotovelos, sem abraços, mas os atletas do Osnabrück, da segunda divisão alemã, não se contiveram e se abraçaram depois de a equipe marcar o gol que decretou o empate em 1 a 1 com o Arminia Bielefeld.

O Hertha Berlin foi criticado porque seus jogadores se abraçaram ao celebrar os gols da vitória por 3 a 0 sobre o Hoffenheim, no sábado. O influente primeiro-ministro da Baviera, Markus Söder, sugeriu que os atletas evitassem o contato físico. O técnico do Hertha, Bruno Labbadia, defendeu seus comandados, explicando que era difícil controlar as emoções e que os jogadores não deveriam ser tratados "como um coral infantil".

TRADIÇÕES E PROTESTOS - O Colônia não sentiu falta apenas da presença de seus torcedores diante do Mainz. O clube também sofreu com a ausência do bode Hennes IX, mascote do time. Foi a primeira partida em 12 anos em que o animal não pôde estar presente no estádio.

A regulamentação sanitária para o retorno do campeonato não é específica sobre a presença de animais nos locais dos jogos, mas restringe a entrada a jogadores, jornalistas credenciados, médicos e membros das comissões técnicas. Hennes IX teve de ficar no zoológico, mas apareceu por um breve momento no telão do estádio antes do início do confronto.

As torcidas se dividem quanto ao reinício da liga alemã, da mesma forma que a população. Muitos clubes permitiram que os fãs postassem faixas nas arquibancadas vazias. Alguns grupos clamaram por mudanças no futebol.

O St.Pauli, time da segunda divisão com simpatia às ideias de esquerda e que ajudou a combater o nazismo, entrou em campo neste domingo com uma faixa ao lado do estádio em que jogou. "O futebol vive dos fãs. Reformas já". No sábado, uma faixa no estádio do Augsburg pregou: "O futebol sobreviverá. Seu negócio está doente", em referência ao desejo dos dirigentes de retomar o torneio para evitar mais perdas financeiras.

Pesquisas conduzidas por emissoras de televisão da Alemanha antes da volta da competição mostraram que a maioria da população se opôs à retomada do futebol. A liga justifica o reinício dizendo que os jogos podem oferecer entretenimento à sociedade em um momento difícil.