Valencia, revelação equatoriana da Copa que dormia no estádio
Mais Esportes|Do R7
Com 24 anos, o atacante equatoriano Enner Valencia tornou-se um dos maiores artilheiros da seleção do Equador, e é uma das revelações da Copa do Mundo do Brasil.
Valencia, que no início da carreira precisava dormir no estádio por falta de dinheiro e de moradia, já fez três gols e é um dos artilheiros do Mundial, ao lado do alemão Thomas Müller, dos holandeses Arjen Robben e Robin van Persie e do francês Karim Benzema.
Em sua primeira Copa, o jogador, nascido na província de Esmeraldas, no norte do Equador, já igualou em duas partidas o recorde do maior artilheiro de seu país no torneio, Agustín 'Tin' Delgado.
O atacante já havia marcado na estreia, na derrota para a Suíça (2-1), e fez os dois gols da virada do time contra Honduras (2-1), na sexta-feira, em Curitiba. Por isso, é a grande esperança para o confronto contra a França, no dia 25, para garantir a classificação para a próxima fase.
"Sem dúvidas, é um sonho de infância que está se tornando realidade. É algo maravilhoso", afirmou o jogador do Pachuca, do México, clube que ele defende desde o final de 2013. Antes, foi campeão do Campeonato Equatoriano com o Emelec de Guayaquil.
Valencia destacou-se rapidamente na nova equipe, conquistando a artilharia do segundo turno da liga mexicana, chamado Clausura. Seu sucesso o tornou cobiçado por times europeus, como o Newcastle, da Inglaterra.
"Para Equador, a chegada de Enner foi importantíssima", destacou o técnico Reinaldo Rueda.
"Em apenas 10 meses a seleção cresceu muito, melhorou muito".
Valencia chegou às divisões de base do Emelec aos 18 anos, desafiando a fome e a falta de uma casa para seguir o sonho de ser um jogador profissional.
"Cheguei a morar no estádio Capwell, e muitas vezes não tinha o que comer, mas sabia que era preciso demonstrar amor pela profissão. Com isso, com o coração, fui adiante", explicou o jogador em entrevista do jornal equatoriano El Universo.
O atual técnico do Chile, o argentino Jorge Sampaoli, exerceu muita influência em sua carreira, quando dirigiu o Emelec em 2010.
"Sampaoli marcou minha carreira", destaca. "Ele me fez estrear na Copa Libertadores, e eu não tinha experiência. Com Sampaoli aprendi a ter caráter, a seguir sempre em frente e a não me dar por vencido", acrescenta.
Hoje, Valencia é o atacante que o Equador buscava para substituir Christian Benítez, que faleceu em julho de 2013 por insuficiência cardíaca.
"Aproveitem esse momento. Agora vem a França", alertou o jogador, depois do jogo que desclassificou Honduras.
Curiosamente, os centro-americanos foram o adversário na estreia de Valencia na seleção, em um amistoso de 2012.
O atacante tem cinco gols com a camisa equatorina - três neste Mundial -, mas quer muito mais.
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