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Uefa vira pedra no sapato de Blatter

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A campanha do presidente Fifa para pedir um voto de confiança durante o Congresso de São Paulo, rumo a um quinto mandato, parecia ser mera formalidade, até que nesta terça-feira dirigentes europeus questionaram sua legitimidade, em meio a denúncias de corrupção na escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

O primeiro a se manifestar foi o presidente da Federação Holandesa de Futebol (KNVB), que pediu publicamente para que o suíço de 78 anos deixe o cargo depois de completar o mandato atual, em 2015. O vice-presidente da Federação Inglesa, David Gill, fez o mesmo poucas horas depois.


Antes de cada Congresso da Fifa, as seis confederações (Ásia, África, Europa, América do Sul, Oceânia e América do Norte, Central e Caribe) fazem reuniões internas e o presidente discursa a cada uma delas.

"Tenho o fogo sagrado", empolgou-se Blatter na segunda-feira diante dos africanos, antes de ser aplaudido de pé. O mesmo aconteceu diante dos asiáticos.


Nesta terça, a Uefa recebeu o dirigente de forma bem menos calorosa. "O senhor Blatter nos disse ao microfone que tinha mudado de ideia, como todo ser humano tem direito de fazer. Ele confirmou que tinha falado (em 2011) que faria seu último mandato, mas acabou mudando de ideia", explicou Van Praag depois da reunião da Uefa, realizada em um hotel de São Paulo.

"Então eu disse ao microfone: 'gosto muito do senhor, o senhor conhece a minha esposa. Não veja nada pessoal nisso, mas a reputação da Fifa vem sendo sempre associada à corrupção. A Fifa tem um presidente, o senhor é responsável e não deveria se candidatar de novo, não é bom para a Fifa'", acrescentou.


"Não participei da reunião da Confederação Africana nem da Confederação Asiática, mas posso garantir que ele não foi ovacionado aqui na Uefa", sentenciou o holandês.

Perguntado sobre qual tinha sido a reação de Blatter, Van Praag revelou que o dirigente tinha afirmado: "Não vou pedir renúncia hoje".


"Ele interpretou que eu tinha pedido para ele renunciar, mas não foram essas as minhas palavras", explicou o presidente da Federação Holandesa.

Já David Gill se disse "decepcionado" com o fato de o suíço ter voltado atrás na decisão de deixar o cargo em 2015. "Acho que precisamos ter um debate completo e honesto sobre o que a Fifa precisa para encarar o futuro", pediu o vice-presidente da Federação Inglesa.

Mais tarde, durante a cerimônia de abertura do congresso, Blatter fez um discurso bastante neutro deixando escapar apenas que pretendia "conversar na quarta-feira caso haja problemas".

Desde 2011, Blatter justifica sua permanência ao usar a metáfora do capitão que não quer deixar o navio em plena "tempestade", palavra que usou novamente na reunião com a Uefa.

"Não há tempestade no futebol, há tempestade na Fifa", criticou Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, depois da reunião da entidade.

Blatter pretende anunciar oficialmente durante o congresso desta quarta-feira sua candidatura ao quinto mandato para o cargo de presidente, que ele ocupa desde 1998.

O ex-craque francês Michel Platini, presidente da Uefa, vem sendo cotado como seu principal concorrente, mas ele ainda não anunciou sua candidatura. "Platini é o nosso candidato favorito, mas ele ainda não tomou sua decisão. Esperamos saber em setembro se ele realmente quer ser candidato ou não", explicou Van Praag.

O holandês também mostrou-se muito irritado pelo fato de Blatter ter falado em "racismo" ao se referir a questionamentos sobre o Mundial do Catar-2022. "Não gostei do uso dessa palavra. Não tem nada a ver com racismo. É preciso saber se poderemos jogar no verão ou não. Acho que vamos jogar no inverno", disparou.

Além da polêmica sobre o forte calor no país árabe em junho e julho, quando a Copa costuma ser disputada, existem denúncias de trabalho escravo nas obras de estádios e infraestruturas e de corrupção na atribuição da competição.

Outro ponto de discordância entre Fifa e Uefa é a limitação de idade e do número de mandatos para dirigentes das entidades. Blatter sempre se opôs a qualquer limitação e espera que a medida não consiga a maioria dos votos entre os 209 congressistas nesta quarta-feira.

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