Treinador relembra origem humilde de Rampage e revela como barganhou luta para o atleta no MMA
Brasileiro Fabiano Iha foi o responsável por apresentar Quinton Jackson ao americano Tito Ortiz
Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

No início dos anos 2000, o cenário do MMA era bem diferente e, para quem acompanhou o esporte daquela época, é possível traçar cenários curiosos, como, por exemplo, a criação da Team Punishment, equipe comandada pelo ex-campeão dos meio-pesados (93 kg) Tito Ortiz e que despontou como uma das maiores do mundo.
Durante a fundação deste time, os treinos de jiu-jitsu eram comandados pelo brasileiro Fabiano Iha, veterano que hoje, aos 43 anos, pode relembrar como poucos os bastidores do esporte na Califórnia que, entre outras pérolas, guarda o início de Rampage no MMA, a quem ele próprio apresentou ao ‘Bad Boy’, a rivalidade de Tito com Chuck e, para os mais saudosistas, as conversas para uma quase parceria que envolveria Carlson Gracie no corner de americanos contra seus ex-pupilos Vitor Belfort e Murilo Bustamante.
Ainda em 1999, Iha estreou no UFC diante do americano LaVerne Clark, na 20ª edição do torneio, em duelo onde acabou derrotado por nocaute no primeiro round. Mas, naquele mesmo fim de semana, o brasileiro conheceu outro derrotado no octógono, David Roberts, que lhe apresentou Quiton ‘Rampage’ Jakcson, um ainda promissor westler que não havia testado suas habilidades no MMA.
Após poucos treinos com o americano e com a crescente amizade, Iha, como relembrou à reportagem do R7 durante evento em que acompanhou o pupilo em São Paulo na última terça-feira (26), proporcionou a estreia de Jackson no evento King of the Cage, onde colecionou vitórias antes de fazer fama no extinto japonês Pride. Mas, para isso, foi preciso barganhar uma vaga com os donos do evento.
— Ele tinha poucas lutas, mas tinha talento e um wrestling muito bom. Era um rapaz pobre que dormia na academia para poder treinar, bem humilde mesmo. O evento me chamou para lutar, mas eu falei para o promotor que aceitava, mas que, para eu pisar lá, o Quin Jackson, que na época nem era chamado de Rampage, teria que lutar também. Eles aceitaram [risos].
Apesar da derrota, Quinton se firmou no cenário americano e, após acumular mais alguns triunfos, foi apresentado pelo treinador brasileiro ao astro do UFC Tito Ortiz, com quem passou a dividir os tatames, ao lado de outro grande nome, Chuck Liddell. Por sinal, os três atletas, anos mais tarde, conquistaram, em anos diferentes, o cinturão dos meio-pesados do UFC.
Assistindo de camarote ao crescimento da Team Punishment, Iha viu de perto a rivalidade aflorar entre Chuck Liddell e Tito Ortiz. Sem conseguirem driblar mais o confronto, os amigos se transformaram em grandes adversários dentro e fora do octógono.
— Quem acompanhava os treinos sabe, o Tito fugia do Chuck como diabo foge da cruz. Não tinha como, só lutou porque não teve mais jeito. Tanto que perdeu duas vezes. O Tito também sabe que, se lutar com o Quinton, não vence de jeito nenhum, perde no mínimo nove de dez. Quem treinou sabe como funciona. Cansei de ver o Rampage colocar ele de joelhos no chão.
Em conversa franca, o aposentado lutador, que vive na Califórnia, onde administra dois canais de televisão além de treinar atores para ações de luta em filmes de Hollywood, esteve presente em um dos capítulos de maior tensão na história do MMA nacional.
Em 2001, quando o UFC tentou marcar para o mesmo evento lutas de Tito Ortiz e Chuck Liddell contra os brasileiros Vitor Belfort e Murilo Bustamante, representantes da recém-criada Brazilian Top Team, Iha teve a ideia de contratar o mestre Carlson Gracie para ser corner dos americanos, fator que poderia render vantagem significativa diante de seus ex-pupilos.
— Tentei conciliar essa conversa com o Carlson, um grande mestre que eu já conhecia pessoalmente. Claro, cada treinador tem um toque a mais para dar, mas a ideia principal era abalar o psicológico deles, por ter treinado eles por anos. O Carlson chegou a ver um treinos do Chuck e do Tito, mas, infelizmente, não chegamos a um acordo.
Na ocasião, Vitor se machucou e adiou seu retorno ao octógono, mas Liddell venceu Bustamante em decisão polêmica, que foi apontada pelo falecido mestre Carlson Gracie como fruto dos rápidos toques que ele havia passado durante sua visita à Team Punishment.












