Sutiã é suspeito de ser o novo ‘doping’ na principal competição de ciclismo do mundo; entenda
Simular um tamanho maior de seios é estratégia que visa criar uma vantagem aerodinâmica artificial às atletas, alertam algumas ciclistas
Mais Esportes|Do R7
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O Tour de France feminino, uma das principais competições do ciclismo no mundo, realiza nesta terça-feira (4) a sua prova de contrarrelógio, uma disputa individual quando as atletas largam sozinhas para completar um trajeto em menor tempo sem o auxílio de vácuo de outras competidoras. Mas nesta edição, diversas equipes estão preocupadas com a possibilidade de um “doping” que estaria passando despercebido: o uso de enchimentos no sutiã que favoreceriam algumas ciclistas.
Segundo a Wielerflits, um site de notícias holandês especializado em ciclismo, competidores que integram a UCI (União Ciclística Internacional) têm alertado sobre o uso de enchimentos em sutiãs esportivos para simular um tamanho maior de seios, estratégia que visa criar uma vantagem aerodinâmica artificial.
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A prática de modificar o formato do corpo por meio das roupas é proibida pela UCI. O regulamento estabelece que o vestuário deve servir exclusivamente à função de vestimenta, sendo vedada a fixação de espumas, acolchoamentos ou placas plásticas sob a roupa para alterar a morfologia do atleta. Mas o cumprimento dessa regra e a fiscalização têm sido negligenciados nas competições, afirma a publicação.
O uso de objetos no peito funciona como uma carenagem que modifica o fluxo de ar ao redor do corpo e reduz a resistência experimentada pelo ciclista. Estudos científicos já revelaram que o uso de formas otimizadas que cobrem o peito pode reduzir a resistência do ar em até 3,6%.
Em uma prova de contrarrelógio, essa vantagem técnica permite uma economia de tempo de pelo menos 0,78 segundo por quilômetro. O percurso que será percorrido nesta terça-feira será de 21 quilômetros, entre as localidades de Gevrey-Chambertin e Dijon, na França.
Observações de especialistas apontaram diferenças visíveis entre o volume do peito de certas atletas em corridas de estrada e em provas de contrarrelógio, com registros desse fenômeno em competições como o Giro d’Italia feminino e as Olimpíadas de Paris 2024.
A UCI já havia sido alertada anteriormente sobre táticas similares, como o posicionamento de rádios de comunicação na frente do peito para diminuir o arrasto aerodinâmico.
As equipes solicitaram que a autoridade máxima do ciclismo aplique as regras de forma rigorosa, sugerindo que as juízas realizem verificações em tendas fechadas imediatamente após o término da prova.
A infração das normas de aerodinâmica nas roupas resulta na desclassificação imediata da competidora e no pagamento de multas que podem ultrapassar 1.000 francos suíços (cerca de R$ 6.300) em casos graves.
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