Sochi, cidade transformada pelas Olimpíadas de Inverno
Mais Esportes|Do R7
Ao passear na avenida central de Sochi, Nikolaï Biriukov não esconde sua satisfação com a transformação da sua cidade, que receberá daqui a cem dias os Jogos Olímpicos de Inverno.
"Tudo mudou, a cara da cidade, as pessoas, o ambiente", observou o homem de cabelos grisalhos, que mora há quinze anos nesta cidade de 400.000 habitantes.
Desde que Sochi foi escolhida como sede das olimpíadas em 2007, o governo russo lançou um programa de obras faraônico nesta cidade, que praticamente não tinha estruturas esportivas antes de iniciar o projeto olímpico.
O resultado é visível logo no desembarque do aeroporto, novinho em folha. Cinco anéis olímpicos foram instalados diante do terminal, com as montanhas do Cáucaso como cenário.
Outros cinco estão fincados no chão de uma praça no centro da cidade. As estradas foram renovadas. Edifícios novos não são erguidos sem parar e a cidade ainda vive no ritmo das obras.
O complexo mais impressionante é sem dúvidas o Parque Olímpico, construído às margens do mar Negro. Os cinco prédios ultra-modernos que receberão os esportes no gelo (hóquei, patinagem, curling...) cercam o estádio Fisht, única instalação ainda em obras, que receberá as cerimônias de abertura e encerramento.
A Vila Olímpica, onde os atletas ficarão hospedados, assim como os principais hotéis e restaurantes, foram erguidos neste complexo de 256 hectares que receberá 70.000 pessoas. Operários ainda estão trabalhando nos últimos detalhes, os acabamentos das estradas e dos espaços verdes.
A nova estação ferroviária, toda feita de vidro, está localizada de frente para este Parque olímpico, perto do aeroporto.
A cerca de 50 km de lá, na localidade de Krasnaïa Poliana, se encontra o 'Polo montanha', que receberá as modalidades disputadas na neve. Todas as instalações (rampa para o salto de esqui, pista de bobsled...) já estão prontas.
Muitos prédios, porém, principalmente os hotéis e outras estruturas de hospedagem, ainda estão em obras no vale.
O 'Polo Montanha' e o Parque Olímpico serão conectados por uma nova ferrovia, que já está sendo usada para algumas operações e cuja a abertura ao público está marcada para o fim do ano.
Os 50 quilômetros que separam os dois locais serão percorridos em cerca de meia hora, contra duas horas pela estrada.
"O que faz de Sochi um lugar especial é a conexão entre mar em montanha em um espaço muito reduzido", explicou à AFP o urbanista Oleg Kozinski.
"Não conheço outro exemplo no mundo onde infraestruturas esportivas e urbanas tão efetivas foram construídas em tão pouco tempo", analisou.
Esta transformação, no entanto, teve um alto custo para o meio ambiente.
Moradores e ativistas denunciam os estragos causados pela construção de 77 pontes e 12 túneis nas montanhas do Caucásio.
"A urbanização acelerada destas zonas criou um choque social compreensível", minimizou Kozinski.
Para alguns moradores, as obras das olimpíadas arranharam o charme deste balneário que recebia a alta sociedade no final do século XIX e teve seu desenvolvimento acelerado por Stalin durante o período soviético.
"A cidade ficou muito feia, antes era muito mais bonito e era por isso que as pessoas vinham até aqui", declarou Mikhaïl Karamanian, de 18 anos, que teme que as transformações abalem o turismo, mas mesmo assim se diz "orgulhoso pelo fato de sua cidade receber os Jogos.
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