Sochi-2014: cerimônia grandiosa abre os 'Jogos de Putin'
Mais Esportes|Do R7
A Rússia organizou nesta sexta-feira uma cerimônia de abertura grandiosa para os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, que está entre os mais polêmicos da história.
O objetivo do presidente Vladimir Putin é utilizar o evento como vitrine do seu país e tentar passar uma imagem de tolerância de um governo criticado por desrespeitar os direitos humanos.
Pouco depois do início do espetáculo, que teve quase três horas de duração, as preocupações com segurança vieram à tona com a informação de que um avião de passageiros que havia decolado da Ucrânia tinha sido forçado a aterrissar nesta sexta-feira em Istambul, depois de ser escoltado por um caça turco, após uma tentativa de mudança de rota para Sochi.
Já o a cerimônia teve a grandeza da Olimpíada mais cara da história. A beleza não foi comprometida nem por um pequeno incidente no estádio Fisht, que recebeu 40.000 espectadores às margens do Mar Negro. Apenas quatro dos cinco flocos de neve gigantes se abriram para se transformar em anéis olímpicos por causa de um problema técnico.
A televisão, russa, conseguiu mascarar esta falha porque não transmitia as imagens ao vivo, mas com quinze segundos de atraso.
O maior canal russo, o Pervyi Kanal, mostrou os quatro primeiros anéis se abrindo normalmente e cortou em seguida para imagens do público, antes de voltar para o quinto anel, já aberto, formando o símbolo olímpico.
O primeiro momento de emoção da cerimônia foi o desfile dos atletas dos 88 países que participarão das competições.
O Brasil terá a maior delegação da sua história, com 13 atletas, como a porta-bandeira Jaqueline Mourão, que disputará provas de esqui cross-country e biatlo.
Primeira brasileira a disputar tanto Jogos de Inverno quanto de Verão, Jaqueline, de 38 anos, iguala a marca de Formiga (futebol) e de Fofão (vôlei), brasileiras com o maior número de olimpíadas no currículo, com cinco participações.
Depois do espetáculo repleto de efeitos especiais que retratou a história e a cultura da Rússia, houve outro desfile de estrelas no momento mais aguardado da cerimônia, quando a pira olímpica foi acesa.
As primeiras a entrar no estádio com a tocha foram duas musas que costumam arrancar suspiros da torcida masculina, a tenista Maria Sharapova, que passou a infância em Sochi, e Yelena Isinbayeva, bicampeã olímpica do salto com vara.
Também participaram desse revezamento de astros o ex-lutador Alexandre Karelin, tricampeão olímpico da luta greco-romana, e a ex-ginasta rítmica Alina Kabaeva, que, de acordo com alguns veículos da imprensa russa, já teve relações íntimas com Putin.
Os dois atletas que tiveram a honra de acender a pira foram o ex-jogador de hóquei Vladislav Tretyak e a ex-patinadora Irina Rodnina.
A Rússia está sob pressão para organizar os Jogos orçados em mais de 37 bilhões de euros, que o presidente Putin considera uma prioridade estratégica.
Além das preocupações com a segurança, o maior evento organizado no país desde o fim da União Soviética, em 1991, teve início em meio a suspeitas de corrupção e com uma grande polêmica em relação à lei 'anti-gay', que pune com multa e até prisão a "propaganda homossexual" diante de menores.
Pouco antes de Putin declarar os jogos oficialmente abertos, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, o alemão Thomas Bach, fez questão de salientar que o objetivo dos Jogos é "abraçar a diversidade humana".
"Os Jogos Olímpicos permitem construir pontes e unir as pessoas. Não são para erguer muros e isolar as pessoas", disse o dirigente, que chegou à presidência do COI em setembro no lugar do belga Jacques Rogge, também presente na cerimônia.
"Agradeço aos líderes do mundo por apoiarem seus atletas. São os melhores embaixadores de seus países", completou.
Ao lado de Putin e Bach, também marcaram presença o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, e 44 chefes de Estado, entre eles o líder chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, e o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovytch, que enfrenta um forte movimento de contestação em seu país em reação à sua política pró-russa.
Por outro lado, para protestar contra essa legislação e contra violações de direitos humanos, muitos optaram por não participar desta cerimônia, como os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, da França, François Hollande, ou o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
Obama disse na quinta-feira que tinha escolhido atletas homossexuais para integrar a delegação americana que estava no estádio para mostrar que os Estados Unidos se "recusavam a se curvar diante da discriminação".
Nesta sexta, o Google marcou o início dos Jogos com a inclusão da bandeira gay no "doodle" de sua página de busca, e destacando também um trecho da Carta Olímpica em defesa da igualdade.
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