Sem conhecer nada de rival, Zumbano disputa título mundial de boxe em duelo contra juízes patriotas
Peso-pesado brasileiro encara o francês Fabrice Aurieng nesta quinta-feira, em Paris
Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

O cinturão não pertence a nenhuma das quatro entidades mais cobiçadas do boxe mundial, mas, em tempos de predomínio absoluto dos irmãos Klitschko, o título da WBF (Federação Mundial de Boxe) cairá como uma luva para o vencedor do confronto entre Fabrice Aurieng e o brasileiro Raphael Zumbano, programado para esta quinta-feira (17), em Paris.
No entanto, embora o duelo seja apontado como o “mais importante da vida” do primo de Éder Jofre, sua preparação de 50 dias para subir no ringue não tinha como contar com um imprevisto cada vez mais comum no mundo das lutas: a mudança repentina de oponente.
Sem entrar nos detalhes dos motivos que levaram Carlos Takam a desistir do confronto, Zumbano revelou em conversa com a reportagem do R7 que seu oponente de agora é, além de francês, um pugilista canhoto, o que muda a lógica de movimentação dentro do ringue. Nada, porém, que abale sua confiança.
— Mudaram meu oponente no dia em que cheguei aqui. Ainda não consegui ver nada dele, mas descobri que ele é canhoto, o que muda bastante coisa, mas a altura é praticamente a mesma do outro adversário. Mas isso já aconteceu diversas vezes, então a estratégia segue a mesma: manter a guarda alta e meter a mão nele.
Raphael é o único brasileiro a acumular conquistas entre as quatro principais entidades do pugilismo – Associação, Conselho e Organização Mundial de Boxe e Federação Internacional de Boxe -, mas um cinturão mundial seria algo inédito em sua carreira e fator que o alçaria à uma posição de destaque na fila para, “sabe-se lá quando”, poder desafiar um dos ucranianos Klitschko (Wladimir e Vitali).
E, com um cartel com 33 vitórias, seis derrotas e um empate, chegou a hora do brasileiro reverter um incômodo histórico negativo em apresentações fora do seu país de origem. Após cinco duelos travados no exterior, Zumbano teve sua mão erguida em apenas um deles.
— O problema de lutar na casa do cara e não nocautear, é que você vai perder nos pontos. Isso é nítido e o mundo inteiro sabe. As chances de perder são grandes, não tem jeito. Meu outro adversário era radicado na França, e esse de agora é nascido aqui memso, então trocaram seis por meia dúzia [risos]. Vou para nocautear ele mesmo.












