São-paulino desde criança, Demian Maia aponta vícios no mundo mimado do futebol
Lutador afirma que convencer grupo a lutar por um único objetivo é uma verdadeira arte
Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

Em fase completamente oposta ao São Paulo, seu clube do coração, Demian Maia não fugiu das perguntas sobre a equipe que aprendeu a acompanhar e seguir nos gramados “desde criança”, mas que passa por má fase impressionante, traduzida pela vice lanterna do Brasileirão 2013.
Presente na coletiva de imprensa para anúncio do show do dia 9 de outubro, que será realizado em Barueri, quando encara o americano Jake Shields em combate que pode colocá-lo em rota de colisão pelo cinturão dos meio-médios (77 kg), Demian afirma que vê algumas semelhanças ruins entre o futebol e o mundo das lutas.
— Acho que o futebol é um esporte complicado e cheio de vícios. Percebo coisas, igual na luta, quando vejo um baita treinador, um baita preparador, um baita técnico, mas que se você for ver é apenas puro marketing. No futebol acontece a mesma coisa. Tem muitos jogadores mimados, que ganham muito e que tiram e colocam técnicos.
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A solução, ao menos no papel, pode parecer fácil, ainda mais dita por atleta acostumado com disputas individuais, como no MMA, onde toda a equipe de preparação foca no objetivo de levar ao octógono o melhor lutador possível na data prevista.
Em uma competição coletiva, é de se imaginar que, além da equipe de bastidor, como preparador físico, nutricionista e fisioterapeuta, o ego de diversos competidores em ação ao mesmo tempo pode ser um fator de desequilíbrio do grupo.
— Convergir todo o grupo politicamente é difícil, tem que ser um líder especial. Muitas vezes são pessoas de nível cultural baixo e que ganham muito, e fazê-las se unirem para fluir na mesma direção é uma arte. E isso falta ao São Paulo no momento, falta um grupo de pessoas para botar ordem. O clube que tem dinheiro e tradição, pelo menos brigar por uma boa posição.
São paulino desde antes do time emplacar uma série de vitórias e conquistas fundamentais para ocupar a posição de destaque no cenário nacional, o lutador, que viu o crescimento do número de torcedores atrelado aos triunfos em campo, também comparou tal realidade com a situação do esporte no Brasil.
No País, por sinal, alguns esportes como tênis, boxe e ginástica olímpica ganharam destaque na grande mídia com as conquistas, respectivamente, de Guga Keurten, Acelino ‘Popó’ e Daiane dos Santos. Espaço drasticamente reduzido após a queda de rendimento dos mesmos, futuro que poderia ser parecido caso o Spider e Cigano perdessem suas revanches válidas pelos títulos dos médios e pesados.
— Quando o São Paulo ganhava tudo, me lembro da molecada que virou são paulina por ver aquilo. Todo mundo gosta de ver o vitorioso, claro. Mas temos o Zé Aldo e o Barão ainda como campeões. Mesmo que eles percam, pode dar uma diminuída na popularidade, mas, por exemplo, quando tinha o Tyson, todo mundo via. Pode afetar, mas o esporte vai continuar crescendo.












