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Recordista mundial paralímpico, Alessandro Silva lança as dificuldades para longe

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Em quatro anos, Alessandro Rodrigo da Silva passou de iniciante no atletismo paralímpico a recordista mundial no lançamento de disco, classe F11 (cegos totais). No último fim de semana, o paulista atingiu 44,66 metros e derrubou a marca do espanhol Alfonso Lopes-Fidalgo (44,44 metros), que perdurava desde 1998. Estabelecendo novos limites no esporte e na vida, ele vê a deficiência visual como um presente.

"Digo que fui presenteado porque a deficiência mudou a minha vida para melhor, hoje me sinto muito feliz. Foi difícil no começo, perdi o chão, mas graças à família e aos amigos as coisas melhoraram e cheguei aonde estou", contou o atleta, que também conquistou medalha de ouro nos Jogos do Rio-2016 e bateu recorde paralímpico da prova.


A perda da visão, decorrente da toxoplasmose - doença transmitida na maioria das vezes por meio do contato com fezes de felinos -, ocorreu gradativamente e, em dois anos, Alessandro deixou de enxergar totalmente com o olho esquerdo e passou a ver uma luz bem leve com o olho direito. "Comecei a perder a visão na época em que trabalhava como químico de uma empresa, senti um desconforto na visão e fui ao médico fazer alguns exames, em cima de alguns testes foi descoberto que eu tinha essa doença", explicou, sem saber ao certo a data do contágio e como se deu a transmissão da doença.

O recordista mundial e paralímpico teve de reaprender a viver a partir de novos estímulos. Aos 34 anos, Alessandro sente falta de dirigir e de ter sua independência total, admite também que o espaço urbano ainda é bastante hostil aos deficientes físicos e visuais. O vai e vem de carros, o lixo depositado nas calçadas e a irregularidade no pavimento são alguns dos entraves. "Isso acaba me deixando inseguro para andar na rua", justificou.


O deslocamento de Alessandro é constante, já que mora em Mauá, treina três vezes por semana na Arena Caixa, em São Bernardo do Campo (SP), e duas em São Caetano do Sul (SP), no CT do clube BM&F Bovespa. Conheceu o atletismo paralímpico a convite do técnico Walter Agripino, em 2013, e mostrou potencial desde a primeira competição. Antes de perder a visão, mantinha uma vida ativa, com a prática de musculação e artes marciais, pensando apenas em seu bem-estar.

A rotina de preparação intensa será mantida até o Mundial Paralímpico de Atletismo, em julho, em Londres. Seguindo o ditado "em time que está ganhando não se mexe", o campeão paralímpico quer continuar sua escalada e já está em alerta: "O pessoal está querendo me pegar, vindo com tudo para me passar".

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