Na contramão do MMA moderno, ‘Sertanejo’ afasta a necessidade de fazer camp: “Estou sempre pronto”
Lutador encara o estreante Edimilson 'Kevin' Souza no UFC BH, no dia 4 de setembro
Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

Não precisa ser perito. Basta acompanhar com certa regularidade o noticiário sobre MMA que termos como camp e overtraining farão mais sentido do que nunca. No entanto, na contramão da modernização deste esporte, a tradicional escola curitibana Chuter Boxe segue os moldes que a consagraram e prioriza o trabalho em equipe diário em detrimento de possíveis ajustes para um ou outro adversário.
Quem reafirma tal tese é Felipe ‘Sertanejo’, primeiro pupilo da Chute Boxe São Paulo a assinar com o UFC e que se prepara para seu quinto desafio no octógono, quando encara Edimilson ‘Kevin’ Souza, no UFC BH, no dia 4 de setembro. Para este compromisso, o paulista provou que não foge de confrontos ao aceitar dois oponentes com prazo inferior ao tradicional camp, modelo utilizado por praticamente todas as grandes academias do mundo.
Faltando menos de dois meses para o evento, Sertanejo aceitou substituir Godofredo ‘Pepey’ e encarar Sam Sicilia, lutador que se machucou quando faltavam menos de quatro semanas para a hora da luta, como ele próprio relata em entrevista exclusiva ao R7.
— Estarei pronto sempre que o UFC precisar. Não costumo fazer camp para lutas. Meu mestre Diego Lima faz com que nossos camps sejam todos os dias, com lutas marcadas ou não. Temos jiu-jitsu, muay thai, boxe, wrestling, preparação e MMA toda semana, todos os dias. Então, quando marcamos lutas, já estamos prontos e seguimos a estratégia que o Lima fala pra gente.
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O termo camp se refere ao período, normalmente de oito semanas, em que um atleta intensifica seus treinos e se prepara especificamente para um competidor, fator que, uma vez minimizado pela equipe, torna a escola paulista – hoje com Sertanejo e Lucas ‘Mineiro’ no plantel do UFC, além de outros jovens prontos para aceitar o desafio -, um prato cheio para o maior evento de MMA do mundo.
As constantes lesões de atletas profissionais abrem, com certa frequência, vagas nos cards e, devido ao pouco tempo hábil para se aceitar um confronto aliado ao número crescente de shows em solo nacional, nada melhor para o UFC do que ter um “cardápio” como o da Chute Boxe, sempre de prontidão. Nada, porém, que, na visão do atleta, limite ou atrapalhe o desenrolar de suas carreiras.
— De jeito nenhum. Eles sabem que podem contar com a gente justamente por isso, pois nunca esperamos um compromisso para começar a nos preparar. Se nos avisarem um dia antes, nossa única preocupação é o peso. O Lima é bem rigoroso e deixa bem claro que é a nossa profissão, então temos que treinar todos os dias e dar nosso melhor.
Coincidentemente, o próprio Sertanejo ainda não teve uma oportunidade de se apresentar em eventos no exterior. E, ao exemplo de alguns outros nomes do MMA nacional, seguem compondo as edições do torneio por aqui, como será seu caso no show de Belo Horizonte.
— Acredito que o UFC, por estar fazendo muitos eventos pelo mundo, deve colocar os lutadores em suas terras de origem, até para poder levantar a torcida. Amo lutar no Brasil, é meu país, me sinto mais forte e com mais vontade de vencer lutando em casa. Fiz cinco lutas nos Estados Unidos antes de entrar no UFC e lutar aqui, ainda mais no maior evento do mundo, não tem explicação.
Por fim, Sertanejo, “nascido e criado” na sua equipe no Morumbi, bairro da zona sul de São Paulo, afastou a possibilidade de, como é cada vez mais comum no cenário internacional das artes marciais, fazer intercâmbio com outras academias ou até mesmo passar um período morando em outro país.
— Nunca o faria. Comecei a treinar com 14 anos com meu mestre Diego Lima e estou com ele até hoje. É muito fácil mudar de equipe, de mestre ou de país quando você consegue entrar no maior evento do mundo. Difícil é se manter forte e fiel quando ainda não se é ninguém. Acredito que muitos atletas decaíram por causa disso. Um lutador sem bandeira é um lutador sem espirito.
Aos 25 anos, o lutador especialista em muay thai acumula cartel de 15 vitórias e apenas cinco derrotas.












