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Minotauro critica falta de escolas de MMA e prevê abismo em relação aos EUA: “Ficamos para trás”

Baiano disse que esporte deve sofrer escassez após aposentadoria de grandes ídolos

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'Minotauro' enxergou a falta de investimento em escolas de MMA
'Minotauro' enxergou a falta de investimento em escolas de MMA

São 37 anos, sendo 15 deles dedicados ao MMA, e um cartel de 34 vitórias e apenas oito derrotas conquistadas em eventos como UFC, Pride, Rings e WEF, currículo suficiente para credenciar o baiano Rodrigo ‘Minotauro’ ao status de lenda do MMA.

E, beneficiado por essa posição de destaque no esporte, Rodrigo pode se dar a alguns luxos. Como, por exemplo, gozar de estabilidade financeira, poder ficar o tempo necessário afastado do octógono para se recuperar por completo das lesões e, de longe, analisar como poucos o atual cenário das artes marciais mistas.


Acostumado a atrair milhares de fãs para cada apresentação, visibilidade que lhe é retribuída em cada cheque pago após os combates, o peso-pesado sabe como esta importância, assim como a de nomes como Wanderlei Silva e Anderson Silva, está diretamente ligada à popularidade do esporte no País.

No entanto, o próprio Minotauro revelou, durante entrevista à reportagem do R7 durante abertura de uma filial da Team Nogueira na zona oeste de São Paulo, que o cenário não é dos melhores para os próximos anos, uma vez que a falta de investimento nas categorias de base deve criar um abismo em relação aos EUA, outra grande potência do MMA mundial.


— A vinda do TUF, o crescimento de eventos nacionais sérios, a federação e a confederação de MMA fazem o MMA crescer, mas, de certa forma, a gente vai sofrer com isso. Ficamos uns cinco anos para trás [dos EUA]. O brasileiro precisa de ídolo, e depende muito do que vai vir dessa safra nova.

Assim como no início do ano 2000, quando conquistou seu primeiro cinturão mundial de MMA ao bater Jeremy Horn no extinto evento WEF, o baiano de fala mansa, característica contrastante aos seus 110 kg distribuídos em mais de 1,90m, vê a importância da existência de diversos nomes de calibre entre os mais jovens.


No entanto, àquela altura existia um verdadeiro exército de atletas de sua geração que foram os responsáveis por alavancar o esporte e tirá-lo da marginalização gerada na década de 90.

Nomes como Pedro Rizzo, Renato ‘Babalu’, Wanderlei Silva, Ricardo Arona, Paulo Filho, Anderson Silva, Murilo ‘Ninja’, José ‘Pelé’ Landy e Gabriel ‘Napão’ dividiram a responsabilidade e, juntos, ajudaram o País a assumir a ponta das competições internacionais.


— O Brasil demorou muito para fazer escolas de MMA. Nós não temos escolas aqui e temos poucos talentos jovens. A gente vê o ‘Patolino’, o Erick Silva, o Demian Maia, que já com uma certa idade... Não tem muito brasileiro chegando, demos uma estagnada nessa geração nova. Temos o Zé Aldo e o Barão, mas não vimos continuidade.

Neste mesmo cenário fica clara a necessidade da existência de um novo campeão. Enquanto Junior ‘Cigano’ e Anderson Silva perderam seus respectivos cinturões e Werdum adiou o sonho de disputar o posto de número um entre os pesos-pesados, Zé Aldo e Renan Barão defendem seus títulos no mesmo evento, em fevereiro.

Em uma coincidência quase que macabra, é possível que o Brasil, que há poucos meses teve quatro campeões do maior evento de MMA do mundo, passe a não ter nenhum, um tiro e tanto para os planos de crescimento o esporte em solo nacional.

Como contrapartida, Vitor Belfort e Glover Teixeira, ambos com mais de 30 anos, estão confirmados como os próximos desafiantes dos pesos médios (84 kg) e meio-pesados (93 kg) do UFC ao medirem forças, respectivamente, contra Chris Weidman e Jon Jones, ainda no primeiro semestre.

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