Lenda do rúgbi sul-africano oferece clínica do esporte em favela de São Paulo
Mais Esportes|Do R7
Pablo Giuliano. São Paulo, 23 out (EFE).- O ex-jogador Chester Williams, o primeiro jogador negro dos 'Springboks' - a mítica seleção de rúgbi da África do Sul - e símbolo do fim do apartheid com a chegada de Nelson Mandela ao poder há 20 anos, afirmou nesta quinta-feira em São Paulo que a modalidade deve servir como instrumento de inclusão social e ganhar notoriedade no país com os Jogos Olímpicos de 2016. O sul-africano ofereceu uma clínica de rúgbi na favela de Paraisópolis, no bairro do Morumbi, para cerca de 50 crianças e adolescentes que fazem parte do programa de inclusão social do Instituto Rúgbi Para Todos. O ex-jogador ficou famoso após o filme "Invictus", do diretor Clint Eastwood, que mostra como Mandela decidiu, mesmo sendo negro, apoiar um esporte exclusivo dos brancos como forma de unir o país durante o Mundial de 1995, organizado pela África do Sul. Williams era o único negro da seleção nacional, e sua atuação como winger em um esporte dominado pelos brancos marcou a integração dos 'Springboks' com a população sul-africana. Na clínica de rúgbi, Williams disse que se identifica com as crianças das favelas brasileiras e previu que o esporte crescerá no país devido aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016, em que a modalidade rúgbi de sete, tanto masculina como feminina, será disputada pela primeira vez. Em entrevista à Agência Efe, o sul-africano opinou que "o começo perfeito para o desenvolvimento do rúgbi no país do futebol são as escolinhas para crianças". "Com os Jogos Olímpicos do Rio, o desenvolvimento do rúgbi será enorme", opinou. "É um esporte divertido, que atrai grande público, então, o Brasil deve usar isso para promover o rúgbi", acrescentou Williams no campo de futebol onde treinam os "Leões de Paraisópolis". Williams contou que se sente à vontade na favela ensinando o rúgbi porque ele também foi uma "criança descalça" quando cresceu durante o apartheid e comentou que frequentava "a escola para negros, tinha que andar em transportes diferenciados, caminhar por ruas diferenciadas". A cultura do rúgbi, segundo Williams, poderá ajudar as crianças a superar o que chamou de "frustrações sociais". "Quando jogam rúgbi, as crianças ficam mais calmas, têm mais respeito, mais disciplina e se tornam mais tolerantes, o rúgbi ajuda", opinou, cercado de pequenos jogadores de rúgbi da favela que buscavam um autógrafo da lenda que ajudou a mudar o rosto de uma nação. O ex-atleta citou como exemplo Mandela, que, em 1995, ao contrário do que todos esperavam, "rompeu as barreiras" e convocou negros e brancos para que se unissem em apoio aos 'Springboks'. O rúgbi sul-africano ainda continua sendo dominado pelos brancos, mas, "certamente, o número de negros nas equipes aumentou", disse. "Atualmente, é normal que existam três ou quatro negros nas equipes das ligas principais, mas é um processo lento. Após 20 anos, as pessoas se acostumaram a ver negros no rúgbi", explicou Williams. Para o ex-jogador, "provavelmente existem mais negros assistindo ao rúgbi". "Mas não acredito que existam mais brancos assistindo ao futebol, porque não o apoiam e não entendem o esporte, mas definitivamente há mais negros vendo e acompanhando o rúgbi", declarou. Morto em 5 de dezembro de 2013, Mandela continua sendo a grande referência de Williams e dos sul-africanos. "Espero que possamos seguir seu legado". "Mandela nos ensinou que precisamos ser tolerantes, respeitosos e aceitar uns aos outros pelo que somos, e não pela cor de pele. Ele esteve na prisão e conseguiu se tornar uma pessoa tolerante mesmo depois de duas décadas na cadeia. Este é o legado que precisamos seguir na África". EFE plg-dm/rpr/id (foto) (vídeo)












