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BRASILEIRO 2022

Isolado nos EUA, Dos Anjos luta contra saudade para fazer história em categoria sem tradição brasileira

Melhor peso-leve do País promete fazer barulho ao lado de nova geração verde e amarela

Mais Esportes|Diego Ribas, do R7

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Rafael dos Anjos busca sua quinta vitória seguida no octógono
Rafael dos Anjos busca sua quinta vitória seguida no octógono

Criadores do antigo Vale-Tudo, modalidade rudimentar que deu origem ao esporte atualmente chamado de MMA, os brasileiros disputam há anos o poderio da modalidade com os americanos, rivais que recentemente abriram alguns “corpos” de vantagem nesta briga particular ao garantirem sete dos dez cinturões do UFC.

Nesta conta, embora inclusos os recém-criados títulos da categoria feminina (61 kg), dos moscas (57 kg) e o posto interino dos pesos-galos (61 kg), ocupado por Renan ‘Barão’, destaca-se a falta de tradição verde e amarela quando o assunto é o peso-leve (70- kg), divisão mais inchada do evento e que conta com apenas um brasileiro no TOP 10: Rafael dos Anjos.


Com o cenário historicamente desfavorável para atletas do País neste peso, o lutador garante destaque quase que instantâneo entre os fãs, que aguardam ansiosos pelo seu próximo desafio, agendado para a próxima quarta-feira (28), ocasião em que poderá anotar sua quinta vitória consecutiva e disparar como um possível candidato ao título.

Mas, para chegar lá, foram poucos os que acompanharam o esforço trilhado pelo atleta de 28 anos. Isso porque, disposto a evoluir na, até então, inconstante carreira no UFC, o carioca se mudou para os EUA, onde se isolou de amigos e familiares para dividir seu tempo apenas entre sua casa e os treinos na academia, como o próprio revelou em conversa exclusiva com a reportagem do R7.


— Me isolei bastante nos Estados Unidos. Assim que cheguei, fiquei um ano e meio sem ir ao Brasil nem para ver meus pais. Tenho mulher e dois filhos aqui comigo, mas, fora eles, eu deixei todo mundo. Bate muita saudade, mesmo, mas não tem jeito, tenho que seguir em frente em busca do meu sonho.

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Alguns meses atrás, o atleta passou um período no Brasil para matar a saudade da família e dos amigos antes de ingressar em nova fase nos EUA, agora como residente oficial do país para poder desfrutar do recém-conquistado Green Card. O documento lhe permitirá direitos quase que iguais aos dos cidadãos americanos, que incluem facilidades de moradia, deslocamento e impostos.

Os benefícios de morar na América para um lutador do UFC vão muito além da proximidade em relação a sede do evento, situada em um escritório na cidade de Las Vegas. Para Dos Anjos, que vive em Los Angeles, a mudança no estilo de vida foi fundamental para acumular quatro triunfos seguidos.


— Quando vim para cá, fiquei apenas na função de treinar, me afastei da família e amigos. Aqui, o acesso às coisas é muito mais fácil, tanto para equipamentos quanto suplementos. O treino também é mais forte, e posso treinar wrestling em alto nível com o pessoal do college e do high school. Basicamente, encontro tudo com mais facilidade.

Prestes a enfrentar Donald Cerrone, sexto colocado do ranking, o brasileiro, em caso de vitória, ficará mais próximo do que nunca do cinturão do evento, embora não aponte o americano como seu maior desafio na carreira que já conta com 25 apresentações profissionais.

- Acho que vai dar uma subida legal [em caso de vitória]. Essa é a ordem natural das coisas, estou cada vez mais perto do cinturão. Mas já lutei contra caras muito duros, como o Tyson Griffin, com quem fiz a melhor luta daquela noite. Também enfrentei o Tibau, um cara muito forte, e o Clay Guida, em uma luta em que quebrei a mandíbula. Enfim, já fiz 12 duelos no UFC, é uma história lá dentro.

Disposto a aceitar o desafio de abrir caminho para representantes brasileiros se destacarem, o carioca também faz coro ao exaltar a nova geração de atletas que conquistam cada vez mais espaço na divisão que mais sofreu com as aquisições do UFC. Ao todo, o peso-leve do evento incorporou atletas dos extintos WEC e Strikeforce.

— É uma categoria bem disputada, uma das mais cheias, e com cada vez mais brasileiros. Não sei porque o Brasil nunca teve um campeão nela, mas, agora que estão surgindo mais brasileiros na divisão, novos talentos como eu, Edson Barboza, Tibau, Thiago Tavares e vários outros, vamos fazer cada vez mais barulho até termos o cinturão.

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