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Entidades esportivas russas são acusadas de incentivar e acobertar doping

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(Corrige título). Berlim/Paris, 3 dez (EFE).- O uso sistemático de doping e a corrupção para esconder a prática ilegal no esporte russo serão denunciados em documentário que será exibido na noite desta quarta-feira pela emissora de televisão pública da Alemanha, a "ARD". Com o título de "Segredo oficial do doping: como a Rússia cria seus campeões", o filme traz várias entrevistas com atletas e pessoas ligadas ao esporte no país que revelam dados que impressionaram, inclusive, à Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês). "A combinação de todos esses elementos me consterna", disse o diretor-geral da Wada, o neozelandês David Howman. Já o ex-presidente da entidade, Richard Pound, classificou as denúncias como "alarmantes". O documentário, dirigido por Hajo Seppelt, famoso por reportagens investigativas sobre o tema, contém gravações escondidas que revelam indícios de um sistema de doping amparado e ocultado pelo estado. O ex-diretor da Agência Russa Antidoping Witali Stepanov diz no documentário que sua mulher, a meio fundista aposentada Yuliyza Rusanova, lhe revelou que recebeu, durante vários anos, substâncias dopantes. "Ela me contou que todos os esportistas na Rússia se dopam porque, de outro modo, não conseguiriam resultados. Os treinadores são pressionados e pressionam os atletas. Eles (atletas) não pensam que fazem algo ilegal quando usam substâncias proibidas", disse Stepanov. Outros entrevistados, como o treinador Oleg Popov, afirmam que os atletas não têm alternativa. Já a lançadora de disco Yevgenia Pecherina garante que 99% dos atletas russos praticam o doping. Em um vídeo gravado por um telefone celular, a meio fundista Mariya Savinova, campeã olímpica em 2012, também revela suas experiências com doping e anabolizantes. Stepanov denuncia também que observou durante os três anos que trabalhou para entidade várias tentativas oficiais de evitar que determinados atletas fossem submetidos a exames antidoping. Tanto ele como sua mulher, Rusanova, abandonaram o país antes de o filme ser exibido. "Acho que a Rússia não nos perdoaria", disse Rusanova. O documentário levanta suspeitas sobre a conduta do médico Sergey Portugalov, que deveria formar uma comissão antidoping com membros da Federação Internacional de Atletismo. Rusanova acusa ter recebido substâncias dopantes de Portugalov, que exigia o pagamento de um prêmio especial caso os atletas conquistassem medalhas. Ela usou uma câmera escondida para gravar uma de suas visitas ao médico. O diretor do Laboratório de Exames Antidoping de Moscou Gregori Rodschenkov também é alvo de suspeitas, acusado de ter criado métodos para enganar os exames de detecção de substâncias proibidas. Em seu último relatório, a agência russa antidoping revelou que em 2013 foram realizados 23.110 exames de detecção de substâncias proibidas, sendo contatados 500 casos de doping. Os números, no entanto, podem não corresponder à realidade. O jornal francês "L'Équipe" revelou na edição de hoje que a Federação Internacional de Atletismo (IAAF) investiga um suposto caso de corrupção dentro da própria organização, após a denúncia de que um agente russo tentou subornar funcionários para ocultar o teste positivo da maratonista Liliya Shobukhova. Embora oficialmente a IAAF não confirme a informação, o "L'Équipe" afirma que uma investigação foi aberta para descobrir se a Federação Russa de Atletismo (ARAF) pediu à atleta 450 mil euros (R$ 1,44 milhões) para ignorar a presença de doping em um de seus exames, possibilitando assim que ela participasse dos Jogos Olímpicos de 2012. Detentora da segunda melhor marca da história em maratonas - 2h19min20s -, Shobukhova abandonou o evento antes mesmo do início. Posteriormente, chegou em quarto na prova de Chicago antes de engravidar e dar à luz a uma menina em 2013. Depois disso, afirma o jornal francês, a atleta pediu para voltar às competições, mas a ARAF exigiu que ela admitisse o uso de doping. Shobukhova então solicitou a devolução do dinheiro, sendo reembolsada em 300 mil euros (R$ 960 mil), revela o "L'Équipe". A atleta foi suspensa por doping só em abril deste ano. Segundo o "L'Équipe", a tentativa de esconder o resultado positivo foi proposta pelo agente Andrei Beranov, o mesmo que revelou ao jornal a abertura da investigação. Beranov afirma que uma série de reuniões entre membros da federação russa e da internacional foram realizadas em Moscou para discutir o assunto. Nelas estavam o presidente da ARAF e o tesoureiro da IAAF, Valentin Balakhnichev, o conselheiro jurídico da IAAF, Habib Cissé, e o filho do presidente da IAAF, Lamine Diack. Um porta-voz da IAAF confirmou os encontros, mas disse que tinham como objetivo a negociação de contratos de patrocínio com o banco russo VTB. EFE rz-lmpg/nam

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