Emoção na festa do surfe em Santos
Prancha Oca Festival reúne veteranos e aprendizes em evento de inclusão e memória
Mais Esportes|Octavio Tostes, do R7

Dias de luz, festa de surfe e os pranchões a deslizar nas macias ondas da Praia do José Menino, o Posto 2 onde tudo começou há quase 80 anos naquela cidade e no Brasil. O Prancha Oca Santos Longboard Festival foi uma celebração de amizade, de amor ao esporte dos deuses e à memória. “Para a gente olhar também para trás”, disse Irapajy da Silva Caetano, de 39 anos, um dos 300 participantes com idades de 4 a 71 anos.

O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Esportes e Sesc, em parceria com o Pioneiros Surf Club, começou na terça-feira 5 de abril no cine Roxy com a pré-estreia do documentário “Cisco Araña Longboard Bossa Nova”, de Robinson Patrício. O filme conta a carreira de Francisco Alfredo Alegre Araña, o Cisco, de 59 anos, primeiro surfista do litoral de São Paulo a se profissionalizar, fundador da Escola Radical de Surf, pública, também no Posto 2 e incansável divulgador do esporte.
Na quinta, 7, lá estava ele - coordenador do Prancha Oca Festival - comandando no Sesc o debate sobre Comportamento e Ética no mar.
Participaram Ariel González, de 71 anos, bicampeão uruguaio; o americano radicado no Brasil Mark Lund, de 63, criador do festival Legends de Maresias e o francês Jeremy Ferrara, de 35, que em 1999 morou uns meses em Santos para aprimorar com Cisco as artes de surfar e fazer pranchas. “Ele me ensinou também a compartilhar o conhecimento”, disse com sotaque.
Ao som das bandas que se revezavam na jam session de surf music, rock e reggae aconteceram nas manhãs e tardes de sábado 9 e domingo 10 as baterias do festival. A inscrição era paga em parafinas para escola pública. E as categorias refletiam o trabalho realizado na instituição: -30 anos, +30, +40, +60, feminina, família (pais e filhos) e portadores de necessidades especiais. O destaque na +60 foi o carioca Carlos Mudinho, de 67 anos, um dos maiores longboarders do país e a quem Cisco tem como mestre.
No encerramento, o troféu Osmar Gonçalves - criado por Mark no Legends para reverenciar o primeiro surfista do Brasil - foi entregue a Ariel. Ele conversava sob um guarda-sol com o americano sobre cultura havaiana, observado pelo filho Santiago e pelo consultor Alfredo von Sydow que fotografava o evento. Perguntado sobre a homenagem, disse que era uma honra e dedicou-a aos amigos falecidos. Emocionado, interrompendo a fala três vezes para dizer a palavra “Ha” - respiração, vida -, ofereceu-a também ao filho Sebástian, surfista, salva-vidas, morto há dois anos quando estava na torre, com a prancha e o violão, e foi colhido por um raio.
O Prancha Oca Santos Longboard Festival aconteceu no último fim de semana, na Baixada Santista, e reuniu diferentes gerações do surfe. Aqui, Cisco e Mudinho eram só alegria. Veja a seguir as melhores fotos do evento Programas da Record na íntegra no R...
O Prancha Oca Santos Longboard Festival aconteceu no último fim de semana, na Baixada Santista, e reuniu diferentes gerações do surfe. Aqui, Cisco e Mudinho eram só alegria. Veja a seguir as melhores fotos do evento Programas da Record na íntegra no R7 Play






















