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BRASILEIRO 2022

Emoção na festa do surfe em Santos

Prancha Oca Festival reúne veteranos e aprendizes em evento de inclusão e memória

Mais Esportes|Octavio Tostes, do R7

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Carioca Carlos Mudinho, de 67 anos, esbanjando estilo na Praia do José Menino, no Posto 2, em Santos
Carioca Carlos Mudinho, de 67 anos, esbanjando estilo na Praia do José Menino, no Posto 2, em Santos

Dias de luz, festa de surfe e os pranchões a deslizar nas macias ondas da Praia do José Menino, o Posto 2 onde tudo começou há quase 80 anos naquela cidade e no Brasil. O Prancha Oca Santos Longboard Festival foi uma celebração de amizade, de amor ao esporte dos deuses e à memória. “Para a gente olhar também para trás”, disse Irapajy da Silva Caetano, de 39 anos, um dos 300 participantes com idades de 4 a 71 anos.

Ariel com troféu Osmar Gonçalves por sua contribuição ao surfe uruguaio e mundial
Ariel com troféu Osmar Gonçalves por sua contribuição ao surfe uruguaio e mundial

O evento, promovido pela Secretaria Municipal de Esportes e Sesc, em parceria com o Pioneiros Surf Club, começou na terça-feira 5 de abril no cine Roxy com a pré-estreia do documentário “Cisco Araña Longboard Bossa Nova”, de Robinson Patrício. O filme conta a carreira de Francisco Alfredo Alegre Araña, o Cisco, de 59 anos, primeiro surfista do litoral de São Paulo a se profissionalizar, fundador da Escola Radical de Surf, pública, também no Posto 2 e incansável divulgador do esporte.


Na quinta, 7, lá estava ele - coordenador do Prancha Oca Festival - comandando no Sesc o debate sobre Comportamento e Ética no mar.

Participaram Ariel González, de 71 anos, bicampeão uruguaio; o americano radicado no Brasil Mark Lund, de 63, criador do festival Legends de Maresias e o francês Jeremy Ferrara, de 35, que em 1999 morou uns meses em Santos para aprimorar com Cisco as artes de surfar e fazer pranchas. “Ele me ensinou também a compartilhar o conhecimento”, disse com sotaque.


Ao som das bandas que se revezavam na jam session de surf music, rock e reggae aconteceram nas manhãs e tardes de sábado 9 e domingo 10 as baterias do festival. A inscrição era paga em parafinas para escola pública. E as categorias refletiam o trabalho realizado na instituição: -30 anos, +30, +40, +60, feminina, família (pais e filhos) e portadores de necessidades especiais. O destaque na +60 foi o carioca Carlos Mudinho, de 67 anos, um dos maiores longboarders do país e a quem Cisco tem como mestre.

No encerramento, o troféu Osmar Gonçalves - criado por Mark no Legends para reverenciar o primeiro surfista do Brasil - foi entregue a Ariel. Ele conversava sob um guarda-sol com o americano sobre cultura havaiana, observado pelo filho Santiago e pelo consultor Alfredo von Sydow que fotografava o evento. Perguntado sobre a homenagem, disse que era uma honra e dedicou-a aos amigos falecidos. Emocionado, interrompendo a fala três vezes para dizer a palavra “Ha” - respiração, vida -, ofereceu-a também ao filho Sebástian, surfista, salva-vidas, morto há dois anos quando estava na torre, com a prancha e o violão, e foi colhido por um raio.

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