Eleito no Vasco, Eurico marcou trajetória com polêmicas
Mais Esportes|Do R7
A chapa "Volta Vasco! Volta Eurico!" foi apontada vencedora das eleições vascaínas com larga vantagem nesta quarta-feira, e com uma trajetória marcada por polêmicas durante o processo eleitoral. Polêmica, por sinal, faz parte do perfil do líder da chapa, o ex-presidente Eurico Miranda, que retorna ao antigo posto com o objetivo de "resgatar o Vasco".
A votação, que inicialmente ocorreria em agosto, foi adiada por ordem judicial em razão de suspeitas sobre o ingresso de três mil pessoas no quadro de sócios do Vasco apenas em abril de 2013. Denúncias internas apontavam Eurico e Roberto Monteiro como responsáveis de custear, com objetivos eleitoreiros, a entrada dos novos sócios. O caso ficou conhecido como "mensalão vascaíno". Foi preciso realizar um recadastramento para garantir voto apenas a quem tivesse a situação regular no clube.
Como as eleições do clube são indiretas, a chapa vencedora deve tornar oficial o posto de Eurico no dia 19 de novembro, conforme o estatuto. A posse será tomada no dia 1.º de dezembro.
O advogado Eurico Miranda, de 70 anos de idade, participa da vida do Vasco há quase 50 anos e se caracteriza como um dos principais personagens da história do clube e do futebol brasileiro. A fama se deve às conquistas e principalmente à personalidade forte, que provocou confusões e episódios polêmicos.
Entre as principais controvérsias está o caso ocorrido na partida contra o Paraná, pelo Campeonato Brasileiro de 1999. Após ver três jogadores de seu time serem expulsos pelo árbitro Paulo César de Oliveira, Eurico invadiu o gramado de São Januário e mandou encerrar a partida, alegando falta de condições de segurança.
No ano seguinte, por causa da tragédia ocorrida no estádio vascaíno, com a queda do alambrado que deixou mais de 100 torcedores feridos, ele entrou em atrito com o então governador do Rio. Anthony Garotinho determinou que a decisão do Brasileiro (naquela ano chamado de Copa João Havelange), contra o São Caetano, deveria ser adiada, o que deixou Eurico furioso.
Sua trajetória no clube se iniciou em 1967, quando assumiu o posto de diretor de cadastro. Foi crescendo aos poucos internamente até chegar à condição de assessor especial da gestão de Alberto Pires Ribeiro.
Nesse tempo ganhou prestígio interno e decidiu concorrer à presidência em 1983, mas foi derrotado por Antônio Soares Calçada. Depois de mais uma derrota em 1986, Eurico foi escolhido por Calçada como vice de futebol, e no posto realizou proezas.
Inicialmente ficou marcado por tirar Bebeto do Flamengo, para formar o time campeão brasileiro de 1989. Na década seguinte, conduziu o futebol vascaíno a um tricampeonato estadual (1992, 1993, 1994), um novo título do Campeonato Brasileiro (1997) e a conquista da Copa Libertadores (1998). Em 2000, enfim, conseguiu chegar ao cargo de presidente, com largo apoio dos torcedores.
O cartola iniciou a gestão com o título da Copa João Havelange, mas depois disso começou a regressão. Crises com imprensa e jogadores importantes como Juninho Pernambucano e o atacante Edmundo vieram à tona. O clube, por sua vez, parou de ganhar títulos de expressão. Além disso, o mandatário passou a receber diversas denúncias de corrupção, em um momento no qual o Vasco sofria com problemas financeiros.
Por causa de sua força política, mesmo com os problemas, se manteve no comando do clube até 2008 - ano do primeiro rebaixamento do Vasco à Série B do Brasileiro. Outra vez na direção do clube, terá o desafio de reerguer a equipe, que se recupera de um novo rebaixamento, e deve voltar à Série A no ano que vem.
Embora tivesse prometido não tentar novamente comandar o Vasco, não resistiu à chance de concorrer nas eleições. Retornou à política do clube com a força dos torcedores saudosos da melhor fase de Eurico. "Voltei porque me sinto capaz de resgatar o clube. Não estou feliz por mim, mas pelo Vasco, que terá um futuro melhor", afirmou o cartola, depois da vitória desta quarta.











