Edson Bindilatti, o atleta brasileiro do Bobsled que quer voar em Sochi
Mais Esportes|Do R7
Edson Bindilatti, que teve a moto roubada antes de viajar para os Jogos de Sochi, é o único dos quatro integrantes da equipe brasileira de bobsled que já participou de uma olimpíada. Em sua terceira tentativa, o ex-Banana Congelada quer voar na Rússia.
Em Salt Lake City-2002, ele era o segundo homem; em Turim-2006, tinha funções de breakeman; e, em Sochi-2014, é o piloto da equipe.
Nas duas olimpíadas anteriores a Sochi, a imprensa internacional chamava os brasileiros de "Bananas Congeladas", um apelido que não agradou, o que incentivou a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CGDG) a organizar uma votação na Internet para mudar o nome. Agora, os atletas são os "Blue Birds" (Pássaros azuis).
Edson, ex-decatleta de 34 anos, quer fazer jus ao novo apelido da equipe para voar baixo em Sochi.
"Minha expectativa é ficar entre os 20 melhores da competição, o que seria um grande feito para o bobsled masculino brasileiro", disse Bindilatti à AFP.
"Eu passei do decatlo ao bobsled por ser uma modalidade pela qual me apaixonei desde a primeira vez. O esporte combina com minhas características. Precisa da velocidade e da força, o que usamos no decatlo", completou.
O piloto da equipe, baiano de Camamu, trabalha como professor de Educação Física em Santo André, no estado de São Paulo. Na véspera de viajar para Sochi, Edson teve a moto roubada quando treinava no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, e a CBDG decidiu criar uma campanha na Internet para arrecadar fundos e comprar um veículo novo para o piloto.
Em 2002, Edson competiu junto com Eric Malesson, Cristiano Paes e Matheus Inocencio. Em 2006, foi às pistas com Ricardo Raschini, Marcio Silva e Claudinei Quirino. Agora, o atleta dividirá o trenó com Fábio Silva, Edson Martin e Odirlei Pessoni. Ou seja, é o único a participar de mais de uma olimpíada.
"Todos nós temos uma missão importante no impulso e na corrida. Na hora de empurrar, quanto mais sincronizados, melhor será a largada. É bom que todos conheçam a pista para obtermos um melhor tempo no fim. Todos temos um trabalho difícil. Os laterais, os segundo e terceiro homens têm que segurar o trenó antes de entrar. Já o breakman precisa entrar quando estamos em grande velocidade", explica.
No último ano, os integrantes da equipe fizeram algumas viagens ao Canadá e Estados Unidos para treinar sob as ordens de Cristiano Paes, que fez parte da equipe brasileira em Salt Lake City-2002.
"Entendemos que temos que melhorar nossa estrutura, mas conseguimos treinar mais forte no Brasil, e a CBDG está dando o apoio necessário", reconheceu Edson.
"A dificuldade é que ainda não temos um local adequado para treinar no Brasil, como, por exemplo, uma pista, que a CBDG já está planejando", disse.
O piloto, que integra a equipe brasileira há mais de uma década, já se deparou com muitas caras de espanto ao se apresentar como um atleta brasileiro de bobsled.
"Quando vamos competir, as pessoas não acreditam que temos uma equipe e quando percebem que competimos bem, ficam impressionados e se dão conta que nossa dedicação é total", celebra.
Sochi será a terceira experiência em olimpíadas deste baiano, adotado quando tinha um ano. Aos dois anos de idade, ele se mudou para São Paulo com os pais adotivos.
"Sou muito feliz, e eu os amo. Sempre gostei de esporte, e meus pais me apoiaram até no bobsled", declarou.
Agora, a missão é conseguir em Sochi um resultado melhor do que em Turim-2006, quando os brasileiros chegaram na 25ª colocação. A segunda é comprar uma nova moto quando voltar ao Brasil.
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