Economia fraca e redução de carga reduzem expectativa para leilão de energia A-3
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Por Luciano Costa
SÃO PAULO (Reuters) - A conjunção de uma economia fraca com uma forte elevação das tarifas reduziu as projeções de consumo de energia elétrica no país a ponto de reduzir as expectativas do mercado quanto à contratação de projetos no leilão A-3, que viabilizará novas usinas para início de suprimento a partir de janeiro de 2018.
Os preços teto do certame, agendado para 21 de agosto, foram divulgados na terça-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Como as concessionárias de distribuição, compradoras de energia no leilão, tinham até 15 de maio para declarar ao governo a necessidade de contratação, os pedidos foram apresentados em um momento em que a tendência de redução da demanda já se acentuava.
"Basicamente, a demanda desmoronou, principalmente por parte da indústria", disse à Reuters o economista Fernando Camargo, sócio-diretor da LCA Consultores.
As projeções da LCA apontam para uma retração de entre 1,5 por cento e 2 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015 e crescimento de zero a 0,8 por cento em 2016, enquanto o consumo de eletricidade cairia cerca de 3 por cento neste ano, com posterior alta de 1 por cento no ano seguinte.
"O efeito imediato disso é deslocar a curva de necessidade de contratação para baixo... e não é só para 2015 e 2016. Todos os outros anos estão sendo revisados para baixo, todas consultorias baixaram as projeções de PIB de curto e longo prazo desde o último leilão A-3", disse Camargo.
Na consultoria PSR, o diretor Luiz Barroso concorda com a análise. "Acreditamos que esse pode ser um leilão com uma demanda mais apertada. Acho que a demanda vai cair para todas as distribuidoras".
Apesar dessa visão, a complexidade envolvida nos leilões torna difícil projeções precisas sobre a contratação. O especialista Fernando Maia, da Bench Consultoria, lembrou que há distribuidoras que começaram o ano subcontratadas, com necessidade de comprar mais energia. Além disso, há diferenças regionais de mercado, e algumas empresas ainda sentem elevação do consumo em suas áreas de concessão.
"As distribuidoras na fronteira agrícola, na região do Centro-Oeste, e também no Nordeste, devem ter uma demanda maior, enquanto as distribuidoras do Sudeste e do Sul talvez apresentem demanda zero", afirmou Maia.
Embora esse cenário trace um leilão com menos oportunidades para os investidores em geração, Maia acredita que o sistema elétrico brasileiro ainda precisa de reforços estruturais, após dois anos em que a falta de chuvas levou a temores de racionamento. "O fato é que o setor precisa dessa expansão da geração".
A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Silva Gannoum, comentou que essas condições podem favorecer uma contratação maior nos leilões de reserva agendados para 28 de agosto e 13 de novembro. Isso porque esses certames contratam energia para aumentar a segurança do sistema e não dependem das declarações de necessidade das distribuidoras.
Para Fernando Camargo, da LCA, o governo deveria aproveitar a chance para contratar energia nesses certames, que terão projetos eólicos e solares, a fim de reduzir a necessidade de acionamento das termelétricas, que estão ligadas desde o final de 2012 para garantir o suprimento.
"É uma oportunidade de contratar um volume significativo e trocar energia de reserva suja e cara por uma energia limpa e mais barata", disse.












