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Dirigente de agência russa escrevia livro sobre doping antes de morte, diz jornal

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Um dos principais dirigentes da Agência Antidoping da Rússia (Rusada), Nikita Kamaev planejava escrever um livro sobre doping no esporte antes de sofrer uma morte repentina, revelou o jornal britânico Sunday Times neste domingo. Kamaev morreu no domingo passado.

A morte gerou suspeitas porque, segundo as fontes oficiais, Kamaev sofreu um enfarte fulminante em casa depois de uma sessão de esqui. Mas, de acordo com o ex-chefe de Kamaev, Ramil Khabriyev, seu subordinado nunca revelou ter problemas cardíacos. Nenhuma outra informação foi revelada pelas autoridades sobre a causa da morte.


Uma semana depois da morte, o jornalista David Walsh revela no diário britânico que Kamaev ofereceu-lhe informações sobre doping em novembro, assim que o escândalo de doping na Rússia foi revelado. De acordo com painel independente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), a Rusada violou os padrões dos testes antidoping de forma a não punir competidores russos do atletismo.

Pela denúncia, havia um laboratório secreto, ainda da época da União Soviética, que servia para forjar os resultados dos testes. O laboratório, segundo o jornalista britânico, teria sido confirmado por Kamaev na conversa que tiveram em novembro.


Com estas informações, o ex-dirigente russo pretendia escrever um livro, contando com a ajuda do jornalista. Segundo o britânico, Kamaev ofereceu "documentos recentes, de fontes confidenciais, sobre o desenvolvimento de drogas e remédios para melhorar a performance esportiva". David Walsh não confirmou se recebeu estes documentos.

Segundo o jornalista, o plano de escrever o livro em parceria com o russo não foi adiante por causa do cargo que ele ocupou na Rusada e da suposta influência do governo russo na agência. Walsh temia que as informações fornecidas por Kamaev não teriam credibilidade suficiente.

Kamaev deixou a Rusada em dezembro do ano passado, na esteira das fortes denúncias contra a entidade. Pela investigação, a agência não apenas foi conivente com casos de doping como atuou diretamente para esconder os casos e trabalhou com a proteção e o incentivo de autoridades do governo.

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