Decepção com empate da Seleção não impede festa em tradicional ponto de torcida no Rio
Mais Esportes|Do R7
Vestindo a camisa da seleção brasileira, com o semblante tenso, sem piscar diante do telão, os torcedores gritaram, roeram as unhas e vaiaram o empate com o México no "Alzirão", tradicional ponto da zona norte do Rio onde torcedores assistem às partidas do Brasil com muita festa.
O goleiro mexicano Guillermo Ochoa foi o grande culpado pelo grito de gol que ficou entalado na garganta de cerca de 25 mil pessoas. E com o 0 a 0, o Alzirão explodiu em vaias.
"Com um time desses não vamos ganhar a Copa", disse um policial militar.
Mas, aos poucos, a decepção foi dando lugar à festa. A escola de samba Unidos da Tijuca deu o tom e o carnaval começou no local onde torcedores cariocas se reúnem desde 1978. E não faltou nem a tequila, original mexicana ou não, oferecida por um vendedor ambulante.
Rafael Pires, de 21 anos, disse que adora frequentar o Alzirão, que recebeu esse nome graças à rua Alzira Brandão, na Tijuca, perto de onde as festas são organizadas.
"Mas também vou à Fan Fest da Fifa em Copacabana, porque lá estão as gringas e eu faço sucesso", diz sorridente.
"O Alzirão é o verdadeiro Brasil, o povo. Copacabana é para os gringos", acrescenta Julio Cesar Cortat, um angolano de 21 anos que vive há sete no Brasil.
Um dos fundadores, Ricardo Ferreira, contou à AFP um pouco da história da festa.
"Eu tinha 15 anos, e assistíamos à partida entre Brasil e Áustria na casa de um amigo que era meu vizinho. Era uma partida difícil e, de repente, o Brasil marcou um gol. Fiquei maluco de alegria, e soltei fogos. Mas a lâmpada da sala estourou e a mãe do nosso amigo colocou a gente na rua", lembrou.
Então, ele teve a ideia de pegar uma televisão e instalar na esquina da rua para ver o fim do jogo com os amigos: "As pessoas começaram a chegar e, no final, éramos 200".
Em 1982, a Prefeitura organizou o primeiro concurso de decoração de ruas do Rio e a Alzirão ficou em segundo lugar.
"A Seleção foi eliminada depois da quinta partida, éramos 700 na rua. Depois, ganhamos os concursos de decoração de rua. Cada vez chegavam mais torcedores. Em 2010, quando o Brasil perdeu para a Holanda na quinta partida (quartas de final), éramos 25.000".
Normalmente, as ruas são decoradas dois meses antes da Copa, mas neste ano a maioria ficou pronta às vésperas do início do Mundial. Embora o clima de insatisfação social no país tenha deixado os brasileiros mais hesitantes em celebrar a Copa, a festa tijucana mostra que a empolgação agora é total.
A festa tem até o seu Neymar. Thiago Mendes, um sósia do craque brasileiro, tem o seu momento de fama posando para os fotógrafos.
Ele imita todos os trejeitos do jogador. E concede entrevistas como se fosse o próprio Neymar: "Estou confiante, nossa equipe está bem preparada", disse à AFP.
Em seguida, ele faz a dança do "passinho do Neymar", um funk que ele mesmo compôs. Thiago acredita que ainda vai ficar famoso com a música e vai entrar para as paradas de sucesso como "MC Neymar".
O samba e o funk agitavam a torcida no Alzirão. O empate contra o México? Já faz parte do passado.
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