Corrupção e má gestão deixam futebol da Romênia em coma econômico
Mais Esportes|Do R7
Raúl Sánchez Costa. Bucareste, 21 mar (EFE).- Bucareste, 19 mar (EFE).- O futebol da Romênia está em "coma econômico" devido à uma combinação de má gestão de empresários que misturaram seus negócios com os dos clubes e um aumento da pressão judicial sobre o uso generalizado das equipes para sonegar impostos e lavar dinheiro. "Foi a primeira atividade econômica que entrou em colapso por causa do cerco judicial sobre o dinheiro sujo", explicou à Agência Efe Dan Tapalaga, jornalista especializado em corrupção no país. Os últimos clubes a declarar falência foram o Petrolul Ploiesti, do ex-treinador do Getafe Cosmin Contra, e o CFR Cruj, histórico time do país, que participava habitualmente das principais competições europeias. O Petrolul e o Cruj acumulam dívidas de 5 milhões de euros e 19 milhões de euros, respectivamente, uma situação que os obrigou a recorrer em fevereiro à Lei de Insolvência e declarar falência. Dessa forma, eles ficam autorizados a pagar só uma parte mínima do que devem. "A insolvência é um 'roubo legal' que entrou na moda na Romênia", definiu Renzo Rossi, diretor esportivo do Ceahlaul Piatra Neamt, outro dos clubes com problemas econômicos. Há um ano, oito personalidades do futebol romeno, entre elas o ex-capitão do Barcelona, Giga Popescu, foram condenadas a penas entre dois e seis anos de prisão por crimes de fraude fiscal e lavagem de dinheiro em transferências de jogadores. Na lista também estavam os antigos donos do Rapid Bucareste e do Dínamo Bucareste, dois clubes da primeira divisão que também passaram por recentes processos de falência. A procuradoria argumentou que o grupo estava envolvido em uma rede de evasão fiscal que, entre 1999 e 2005, provocou prejuízo de 1,7 milhão de euros ao governo romeno. Já os clubes teriam perdido 10 milhões de euros com as fraudes. Fontes da procuradoria anticorrupção consultadas pela Efe afirmam que a má situação de muitos clubes tem relação direta com a pressão judicial que cortou o financiamento ilegal. "Agora se esconde o dinheiro sujo para evitar que a Justiça caia sobre eles, o que está afetando, sobretudo, aos clubes de futebol. Eles não encontram investidores, nem realizam transferências nas quais podiam lavar dinheiro facilmente", analisou Tapalaga. O uso das contratações de jogadores para lavar dinheiro explica em parte algumas loucuras feitas pelos dirigentes romenos nos últimos anos. O Petrolul, cujo dono também é acusado de evasão fiscal e lavagem de dinheiro, iniciou há alguns anos uma sequência de aquisições de jogadores e técnicos de renome, pelo menos para os padrões do futebol romeno, em uma aparente tentativa de contestar a hegemonia do Steaua Bucareste. Em 2014, o clube, com um orçamento de apenas 5 milhões de euros, chegou a gastar 200 mil euros para trazer o atacante Adrian Mutu, jogador que nunca rendeu o esperado, tampouco ajudou a completar o objetivo de vencer o Campeonato Romeno e colocar o Petrolul de volta nas competições europeias. A falência do Cruj é ainda mais intrigante, já que a equipe conseguiu disputar a Liga Europa no ano passado, com o acréscimo de receita que a participação garante aos cofres do clube, aplicando uma política de transferências que também gerou muitos lucros. "As despesas do clube não são conhecidas, possivelmente elas se misturaram com os negócios pessoais do dono da equipe", disse à Efe Adrian Florea, editor-chefe de futebol do "Gazeta Sporturilor", o jornal esportivo mais lido da Romênia. Dos 18 clubes da primeira divisão do Campeonato Romeno, seis declararam falência, número que pode aumentar nos próximos meses. "Trata-se de uma situação preocupante e que não ajuda em nada o desenvolvimento do nosso futebol", afirmou o presidente da Federação Romena de Futebol (FRF), Razvan Burleanu, que defende punir os clubes com perdas de pontos, mas descarta o rebaixamento automático das equipes com problemas financeiros. "Se rebaixarmos uma equipe, com quantas ficaríamos na primeira divisão?", questionou Burleanu, destacando que o essencial é o pagar os salários aos funcionários e os jogadores dos clubes a tempo. Tudo isso se reflete na seleção romena que não disputa uma Copa do Mundo desde 1998 e uma Eurocopa desde 2008. EFE rsc-as/lvl/rsd












