COI garante estimular planos para o legado das instalações nas cidades-sede
Mais Esportes|Do R7
Para especialistas e economistas, Atenas pode ser uma dura mensagem ao Rio caso a cidade não estabeleça plano para usar de forma sustentável as instalações esportivas dos Jogos de 2016. "Se o Rio não encontrar forma correta de administrar os locais de provas da Olimpíada, os cariocas podem ter o mesmo destino de Atenas", alertou Jules Boykoff, professor da Pacific University, em Oregon, nos Estados Unidos.
O ex-jogador de futebol da seleção olímpica americana é hoje um dos principais especialistas em temas relacionados ao legado de megaeventos. Mas alerta que, "os Jogos do século 21 mostram uma diferença entre o que são as promessas dos livros de candidaturas das cidades e a realidade depois que o evento deixa o local." "O Rio é o último capítulo de um esquema triste desenhado pelo COI", acusou. "O que se deixou no Rio é algo abominável. Tanto os organizadores quanto o COI deveriam mostrar algum sinal de responsabilidade."
Andrew Zimbalist, do Departamento de Economia do Smith College nos Estados Unidos, pensa parecido. "As ruínas olímpicas de Atenas são um testemunho da irracionalidade e do desperdício ao sediar os Jogos numa cidade que não possui infraestrutura esportiva, transporte e comunicação."
O COI admitiu que "lições foram aprendidas desde 2004 e o planejamento do legado se transformou em parte fundamental do processo de candidatura e preparação dos Jogos."
Em comunicado ao Estado, o COI afirma que "sistematicamente encoraja cidades e autoridades a desenvolver planos de legado para todas as instalações olímpicos para garantir que os Jogos beneficiem o país e seu povo, bem depois que o evento tenha terminado. Em Londres, todas as instalações tinham um legado definido, mesmo antes de serem construídas."
A entidade reconhece que o legado de Atenas "poderia ter sido melhor planejado." Mas insiste para o fato de que pontos positivos podem ser vistos no transporte, urbanismo, ambiente e educação da cidade grega.
Na avaliação da Fundação para a Pesquisa Econômica e Industrial, da Grécia, "os atrasos substanciais nas concessões e o abandono de algumas das instalações deram espaço para a percepção de que Atenas não gerou benefícios ao país".
Os números da entidade, porém, revelam que os Jogos permitiram crescimento do PIB da Grécia de 2,5% ao longo de uma década. Segundo ainda outro levantamento, 20% do dinheiro gasto para preparar Atenas-2004 foi desperdiçado em obras que hoje não servem sequer para a recreação popular.










