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BRASILEIRO 2022

Carateca brasileiro supera dificuldades e vislumbra representar o país nos Jogos Pan-Americanos

Rone Azevedo está em sexto lugar no ranking nacional, mas enfrenta obstáculos

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Rone Azevedo (direita) luta em diferentes categorias e precisa pesquisar na internet como preparar a própria dieta
Rone Azevedo (direita) luta em diferentes categorias e precisa pesquisar na internet como preparar a própria dieta

Rone Azevedo luta no tatame e diariamente contra uma série de dificuldades para continuar sua trajetória no caratê. Mesmo tendo conquistado medalhas de ouro e bronze no Aberto das Américas, disputado no mês passado, no Uruguai, Azevedo não conseguiu mudanças nas precárias condições que enfrenta para treinar o esporte, mas ainda sonha em representar o Brasil nos Jogos Pan-Americanos.

Nascido na cidade de Medina, no interior de Minas Gerais, Rone teve contato com o caratê participando de um projeto social e começou a praticar o esporte tardiamente, já com 16 anos. Desde então se dedica ao caratê, mas com muitas limitações.


Hoje, aos 29 anos, Rone estuda, dá aulas de caratê e trabalha em uma empresa de logística para se sustentar. Apesar da rotina intensa, Azevedo reserva algumas horas para treinar e, mesmo com o tempo de treino aquém do ideal, conquistou o resultado surpreendente no Uruguai (ouro por equipes e bronze no individual até 67 quilos), que o fez subir do sexto para o primeiro lugar no ranking paulista e do 13º para o sexto no ranking nacional, além de lhe render maior visibilidade.

Até agora, porém, as conquistas não resultaram em benefícios nas condições para treino e rendimento do atleta. Rone, que costuma bancar as viagens com o próprio dinheiro, ainda não tem patrocínio. No Aberto das Américas contou com o apoio financeiro de uma lanchonete e de um vereador para pagar a viagem, hotel, inscrição e alimentação. Com o bom resultado, o carateca espera receber apoio outras vezes.


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Nesta entrevista para o R7, o carateca revelou que não tem acompanhamento nutricional e que pesquisa na internet como preparar a própria dieta, fato que o obriga a ganhar e a perder peso constantemente para lutar em categorias diferentes.

— Já cheguei a perder cinco quilos em uma semana. Você tem que estar nesse sobe e desce. A gente busca algumas pessoas que já fazem parte dessa rotina, mas, na maioria das vezes, a orientação de nutrição é pela internet.


A situação remete inevitavelmente ao caso do lutador Leandro Feijão, de 26 anos, que morreu no dia 26 do mês passado. Leandro sofreu um Acidente Vascular Cerebral antes da pesagem oficial. A morte gerou polêmica e levantou suspeita se a tentativa de perder 12 quilos para mudar de categoria no MMA não teria ocasionado a debilitação de Leandro.

— É complicado, mas a gente tem que fazer uma alimentação balanceada para perder o peso, mas não perder o ritmo para a competição. Caso contrário você pode ficar fraco lá na hora da luta. Então tem que ser uma dieta séria e à risca.

Apesar das dificuldades, Rone sonha com uma vaga na seleção e representar o Brasil nos Jogos Pan-Americanos. Mas o carateca não descarta mudanças. Praticante do Shotokan, o mesmo estilo de caratê usado pelo lutador brasileiro Lyoto Machida, do UFC, Azevedo não joga fora a ideia de lutar no MMA. 

— Quem sabe não surge uma oportunidade?

*Renan Marra, estagiário do R7

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