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Incidente de escaladores ameaça funcionamento de Piedra Parada na Argentina

Por Esteban Degregori A Argentina conta com 5.000 km de cordilheira, além de grandes montanhas famosas e desconhecidas. O país

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Blog de Escalada|Do R7

Por Esteban Degregori

A Argentina conta com 5.000 km de cordilheira, além de grandes montanhas famosas e desconhecidas. O país também conta com muitos setores de escalada esportiva ao longo do território. A modalidade esportiva de escalada vem crescendo exponencialmente, à medida que mais pessoas começam a praticar este esporte. Muitos começam em muro artificial e logo chegam a ir para a natureza realizar as práticas esportivas de escalada.

A maioria dos lugares de escalada na Argentina está em áreas naturais, protegidas em vários níveis, ou em terrenos privados. As tensões entre os proprietários privados, ou estatais, com a comunidade de usuários a qual vem aumentando em todos os setores. Este aumento é devido a vários motivos.

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Visual da entrada do Cajon com a Piedra Parada e o Rio Chubut ao fundo. Foto: Alex Krupka

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O objetivo de uma área natural protegida é conservar a fauna e a flora específica de um lugar que seja de vital importância para o futuro da humanidade. Mas também tem como objetivo que todas as pessoas possam utilizar estes espaços para recreação e realizar esportes de natureza.

Isso envolve muita responsabilidade por parte dos usuários. O livre acesso às áreas naturais, privadas e públicas depende de nosso comportamento como indivíduos e comunidade. As técnicas de baixo impacto são indispensáveis para deixar o menor impacto possível na natureza e facilitar as relações institucionais entre os usuários e os proprietários.

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Há três anos, a Federación Argentina de Ski y Andinismo (FASA) vem trabalhando com a província de Chubut, na criação de um regulamento do uso da Área Natural Protegida (ANP) Piedra Parada. A área contempla a escalada como esporte praticado anteriormente à criação da ANP.

O Incidente

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Foto: Esteban Degregori

Eu me encontrava realizando uma inspeção oficial com a Guarda Fauna Gabriela Tavella, quando um grupo de escaladores se instalou no camping vizinho da ANP. Durante a estadia destes escaladores, foram registrados roubos de equipamentos de outros escaladores, além de materiais pertencentes ao Club Andino Esquel. Além disso, estes escaladores cozinharam uma Chinchila, a qual encontram morta dentro do cânion, alterando assim a ordem natural da fauna autônoma do local. Este fato pontual, levou a limites impensados o relacionamento entre a ANP e a comunidade escaladora.

Em diferentes momentos algumas pessoas pediram a este grupo para que deixassem de ter estas atitudes e membros do Club Andino Esquel (clube membro da FASA) reclamaram dos pertences do clube. A todos, o grupo respondeu com sarcasmo e desdém que não se importavam com as reclamações e fizeram pouco caso do uso indevido dos equipamentos do Club Andino Esquel.

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Foto: Esteban Degregori

Um outro grupo de 20 pessoas se aproximou a este grupo de escaladores para exigir que se retirassem do lugar e do local de escalada. Como se recusavam a se retirar, tiveram de ser ameaçados com uma denúncia policial para que se retirassem da área.

Todas as pessoas presentes nos ANP concordaram que estas atitudes deste grupo afronta o livre acesso aos locais de escalada, além de atrapalhar as gestões honradas que existem há anos para solucionar conflitos com a comunidade e proprietários.

A FASA e Acesso Panam repudiam este tipo de ato que atentam contra o livre acesso às montanhas. Este tipo de atitudes prejudicam a todos e casos similares têm provocado o fechamento de outros lugares de escalada em diferentes partes da América do Sul.

Recomendações

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Foto: Luciano Fernandes

Após os ocorridos na ANP La Buitrera y Piedra Parada, na província argentina de Chubut, surgiram vários questionamentos para quem quer que visite setores ou montanhas da Argentina. As construções com barro e lixo, não são arte nem reciclagem. Simplesmente este costume está escondendo o lixo de quem poderia recolhê-lo. Leve embora seu próprio lixo e, se possível, até mais.

O local é de camping selvagem, o que significa que não possui banheiros. Portanto, procure ficar a 60 metros, ou mais, de qualquer curso de água e enterre suas fezes em um poço de 20 centímetros com uma pá. Leve embora o papel higiênico, lenços umedecidos ou absorventes femininos. O que não levar embora, o vento fará isso, levando tudo isso ao rio. Rio o qual você mesmo e outras pessoas bebem a água. Se vai escalar no cânion, faça suas necessidades fisiológicas no camping e, caso seja uma “emergência”, enterre e leve os papéis.

Respeite as regras da ANP, preenchendo o registro. Assim a entidade pode trabalhar com uma boa estatística. Mesmo que pareça engraçado colocar outros nomes que não os seus, o registro para a ANP não nos parece divertido. Respeite o trabalho de outras pessoas.

Utilize pouco magnésio. Os setores de escalada mais populares estão saturados de magnésio. Lembre-se que o local não fica em uma floresta com 200% de umidade relativa do ar. Escove as agarras depois de sair da via. Faça o mesmo nos setores de boulder.

Não grite. Todos queremos desfrutar uma experiência única no cânion. Caso não consiga escalar a via, treine mais, ou faça uma tentativa em outra, mas não faça questão que outras pessoas escutem seus gritos. Mesmo que esteja longe de todos.

Utilize somente uma trilha. Entrar e sair dos setores, procure seguir sempre o mesmo caminho. Respeite os caminhos marcados. Fazer seu próprio caminho causa erosão no solo e afeta a frágil flora do lugar.

Esteban Degregori gentilmente cedeu seu texto para ser traduzido pela Revista Blog de Escalada. Esteban é Diretor da Argentina no Acesso PanAm, Membro da Comissão de Acesso do UIAA, Coordenador da Subcomissão de Montanhismo da FASA e Presidente da ACCESO Buenos Aires.

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