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Blatter evita críticas e segue sem revelar se disputa novo mandato

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A um dia do início da Copa, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, segue sem revelar se voltará a se candidatar ao cargo, diante da pressão da Europa, que pediu ao suíço para não insistir em se manter, devido às suspeitas de corrupção sobre a entidade.

Apesar de a Copa do Mundo começar na quinta-feira, nem tudo é festa para a Fifa.


A um dia do início do torneio, as atenções estão voltadas para a abertura das sessões do 64º congresso da organização, que acontece em plena onda de denúncias de corrupção na escolha do Catar como sede do Mundial de 2022, que reforça os argumentos daqueles que pedem a Blatter para deixar no ano que vem a presidência do organismo, que ele ostenta desde 1998.

Em seu discurso de abertura, nesta quarta, Blatter, de 78 anos, afirmou que o futebol é um "negócio multimilionário, que cria oportunidades" e também "gera controvérsias". Mas, até agora, ele não disse uma palavra sobre se vai voltar a se candidatar a um novo mandato -o quinto- como presidente da federação em 2015.


"Somos uma comunidade global, que cresce, com 300 milhões de pessoas que participam ativamente do futebol, com 209 federações nacionais", afirmou orgulhoso.

O "futebol é a organização mais poderosa do mundo", afirmou durante as sessões do Congresso no TransAmérica Expo de São Paulo.


O clima é de incerteza na maior cidade do país, que na quinta vai ser o palco da abertura do Mundial. A situação pode ficar complicada se os trabalhadores do metrô de São Paulo decidirem retomar a greve que paralisou por alguns dias o principal meio de transporte para a Arena Corinthians.

O presidente da Fifa está sob fogo pesado dos europeus devido às acusações de corrupção que sua administração enfrenta por ter concedido ao Catar o direito de sediar a Copa de 2022.


Na terça, dois dos principais nomes do futebol no Velho Continente, o holandês Michael van Praag, presidente da federação de seu país, e o vice-presidente da Federação Inglesa (FA), David Gill, pediram que ele interrompa seu reinado na Fifa.

Van Praag disse que desafiou Blatter quando este compareceu na terça diante dos membros da Uefa em São Paulo.

"O senhor Blatter nos disse que tinha mudado de ideia, como qualquer ser humano tem o direito de fazer. Confirmou que havia dito que este seria seu último período como presidente, mas que havia mudado de ideia", disse van Praag após o encontro.

"Eu respondi", continuou Van Praag: "Eu te aprecio muito, não é nada pessoal. Mas a reputação da Fifa está hoje em dia extremamente ligada à corrupção. A Fifa tem um presidente. Você é responsável (por tudo isto), não deveria ser candidato novamente".

O vice-presidente da Federação Inglesa manifestou sua decepção com o fato de Blatter ter mudado de ideia e ter seguido à frente da Fifa.

"Acredito que deve haver um debate completo, honesto e aberto sobre quais são as necessidades da Fifa para o futuro", disse.

O presidente da Uefa, Michel Platini, está sendo cotado como um possível candidato na eleição contra Blatter no ano que vem, mas o ex-jogador francês disse que só vai tomar uma decisão em setembro.

A decisão tomada no fim de 2010 de escolher o Catar como sede da Copa de 2022 é uma fonte incessante de polêmicas e acusações de corrupção.

Alguns dos principais patrocinadores do Mundial, como Adidas, Sony, Visa, Coca-Cola, Hyundai e Budweiser, manifestaram recentemente sua inquietação e pediram uma investigação profunda para esclarecer as acusações de corrupção.

Uma comissão interna deve concluir na segunda-feira uma investigação realizada por Michael J. Garcia, ex-procurador federal de Nova York, que levará ainda outras seis semanas para entregar seu relatório ao Comitê de Ética da Fifa, encarregado de apresentar as conclusões e impor sanções.

ma/ol/dm

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