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Base de ginástica artística favorece desenvolvimento de saltadoras com vara

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Fabiana Murer praticou ginástica artística dos sete aos 16 anos. Teve de parar porque seu 1,72m de estatura era muita coisa. Em 1997, fez um teste em Campinas e foi encaminhada para o salto com vara. A bicampeã olímpica Yelena Ysinbayeva também fez caminho parecido. A transição, da ginástica para o salto, é o início da história da maioria das meninas da modalidade no Instituto Elisângela Maria Adriana (IEMA), núcleo de iniciação esportiva do Centro de Treinamento da BM&F Bovespa.

Ingrid Messias, que treinou com Daiane dos Santos e Laís Souza, exibe uma longa cicatriz no calcanhar direito que a impediu de continuar na ginástica. Por causa da lesão, sofrida durante os treinos, ele não pôde continuar por causa da limitação dos movimentos. Passou para o salto, e está evoluindo rápido. "Eu vim apenas assistir a um treino, mas o treinador já me colocou para treinar logo no primeiro dia", diz a atleta de 20 anos.


Ana Carolina Dias vem de uma família de ginastas. Seu pai também praticava salto com vara e ela o acompanhava nos treinos quando ainda era criança. Depois de começar na ginástica, sentiu que queria seguir os passos - e saltos - do pai.

A ginástica oferece uma base de conhecimentos importante para o salto com vara, principalmente em relação ao equilíbrio, consciência corporal e noção espacial. Fortalecimento do corpo, principalmente do abdômen, e rotação do quadril são alguns dos atributos que a ginástica oferece para o salto. Essa base é um diferencial, mas não imprescindível para quem está começando.


"O movimento do salto com vara é acrobático e exige grande consciência corporal", explica Alexandre Morato, professor de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa, órgão da Secretaria de Esportes da Prefeitura de São Paulo.

Morato explica que o salto com vara exige um treino demorado e específico. Elas começam na caixa de areia, com saltos simples, e só depois vão para o salto propriamente dito. É preciso força, coragem e domínio do corpo, como na ginástica. São necessários mais ou menos três anos para se formar um bom saltador, o primeiro deles é dedicado a outras provas fora do salto, como corrida e a própria ginástica.


Um fator que dificulta o aumento do número de praticantes é o alto custo do material esportivo, mesmo para quem está começando.

Uma vara para iniciação custa cerca de R$ 2500; para os saltos mais altos, é necessário um instrumento de R$ 5000. Dificilmente um atleta tem apenas uma vara, precisa de, no mínimo, duas. Se for competir em nível nacional, o número sobe para seis varas. O problema maior é o colchão, que custa cerca de R$ 100 mil e dura em média seis anos. Esses valores dificultam a formação de centros de formação em vários pontos do País.

Na Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa), o treinador chefe José Haroldo se orgulha de ter à disposição mais de 60 varas, um verdadeiro tesouro para a modalidade. "Conseguimos atrair vários atletas de várias cidades por causa dessa estrutura", diz.

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