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Artilheiro e agora dirigente, Fábio Júnior faz sucesso no Villa Nova-MG

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O telefone do atacante Fábio Júnior, de 38 anos, tocou em outubro do ano passado. Do outro lado da linha, recebeu a proposta de jogar pelo Villa Nova o Campeonato Mineiro de 2016, com o status de principal reforço. O convite foi aceito, mas as atribuições do veterano na passagem pelo 17.º clube da carreira têm sido maiores do que somente fazer gols. O jogador virou ao mesmo tempo dirigente.

O ex-Cruzeiro, Atlético Mineiro e Palmeiras era o único jogador de todo o elenco quando assinou contrato. A menos de três meses da temporada, o time de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, não tinha comissão técnica, diretoria e muito menos companheiros de equipe para Fábio Júnior. O próprio atacante também estava parado havia meses depois de sair do Guarani, de Divinópolis (MG), e precisou voltar à ativa no futebol pelos bastidores.


"Quando cheguei, não tinha um gerente de futebol para fazer esse trabalho de montagem do time. Ou eu fazia, ou não tinha como disputar o campeonato. O clube havia dispensado todo mundo e passado por uma troca de presidente", contou Fábio Júnior ao jornal O Estado de S.Paulo.

Nos dois primeiros meses de Villa Nova, o atacante mal pisou no campo, mas trabalhou bastante com telefonemas, contratos e negociações. Como dirigente, trouxe mais de 20 atletas, foi atrás de patrocínio, sondou investidores e, assim, escolheu quem seriam seus atuais colegas de equipe.


Novato na função de diretor, o atacante preferiu não arriscar. "Aceitei o desafio e comecei a ligar para amigos que tinham jogado comigo e já me conheciam. Depois, montei o perfil do elenco. Fiz tudo isso sozinho", contou com orgulho.

A procura por antigos colegas fez chegar ao Villa Nova jogadores conhecidos da torcida. Dos tempos de América-MG, trouxe Mancini e Thiago Silvy. Também chamou o atacante Soares, ex-Fluminense, e o meia Roger Guerreiro, que defendeu a seleção da Polônia.


Fábio Júnior só pôde voltar a ser jogador em janeiro, com a pré-temporada iniciada. O clube estava mais estruturado, com a contratação de uma comissão técnica liderada pelo técnico Wilson Gottardo e até um gerente de futebol para suceder o atacante. Essas condições permitiram que o veterano se sentisse "liberado" para ser "apenas" jogador do Villa Nova.

O trabalho de montagem do dirigente estreante já rendeu bons resultados. O time faz boa campanha no Campeonato Mineiro, briga por vaga na semifinal e tem como artilheiros do torneio o próprio Fábio Júnior e um dos amigos dele, Mancini. "Sempre que posso, continuo a ajudar e participar da gestão do clube, mesmo que agora a prioridade seja jogar", explicou o atacante.

A ida para o Villa Nova se deu graças à uma coincidência de fatores. O jogador queria permanecer em Minas Gerais, perto da família, e ter a honra de atuar pelos quatro principais times do Estado. O sucesso repentino como diretor de futebol acabou por despertar nele o interesse de apostar na carreira. "Passei a pensar em fazer um curso de gestão e me preparar bem porque fui pego de surpresa. Quem sabe um dia posso vir a assumir a função de forma definitiva", contou.

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