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BRASILEIRO 2022

Argentinos, em crise, vão pegar estrada de motorhome para Olimpíada no Rio

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Ainda há lugar para dois no motorhome adaptado que levará Manuel Jove, de 25 anos, e outros três argentinos por 2.600 quilômetros ao Rio para a Olimpíada. Interessados devem juntar 15 mil pesos (R$ 3,6 mil) e apresentar-se no dia 3 de agosto em Quilmes, cidade de 230 mil habitantes vizinha a Buenos Aires. Na Copa do Mundo de 2014, os motorhomes argentinos invadiram o Brasil e, em especial, o Rio.

A meta de "Manu" é chegar no dia 5, para a cerimônia de abertura. Pelas condições da viagem, os tripulantes estarão expostos aos principais percalços mencionados nos últimos meses para a organização dos Jogos: mosquitos, insegurança urbana e protestos políticos.


No verão, quando os primeiros casos de zika foram registrados na Argentina, multiplicaram-se artigos explicando o beabá da doença e questionando a situação sanitária do Brasil para agosto. O inseto sumiu do noticiário na metade de fevereiro, quando uma argentina foi morta a facadas de madrugada diante do Copacabana Palace. A pergunta reiterada aos brasileiros passou a ser sobre criminalidade e se, com o avanço do processo de impeachment, as marchas que viam na televisão mergulhariam a competição no caos.

Atletas, dirigentes e turistas argentinos em geral dizem ter problemas parecidos em seu país, mas tomam precauções. Quando estiver cruzando o Rio dirigindo pela Linha Amarela, por exemplo, Manu não verá compatriotas da equipe de vela olímpica na pista ao lado. Por segurança e logística, o grupo de atletas alugou apartamentos perto da Baía da Guanabara, na zona sul, local das provas. Os atletas se locomovem de bicicleta. "Seria problemático enfrentar o trânsito saindo da Vila Olímpica, na Barra. Além disso, ficar parado na Linha Amarela pode ser perigoso", resumiu Alejandro Cloos, chefe da equipe de vela argentina, que tem 13 atletas em 9 categorias.


A maior preocupação de seu time é a poluição. Não só a qualidade da água, denunciada por europeus que sofreram infecções por bactérias resistentes, mas o lixo sólido acumulado principalmente após dias de chuva. "Se um saco se engancha num dos barcos mais rápidos, a 25 km/h, pode haver um acidente sério. É como um corredor dos 100 metros perder o tênis. Se ocorrer numa final, será um desastre", avaliou Cloos.

Em treinamento no Rio há meses para se acostumar ao "terreno de jogo", os velejadores relatam ter visto policiamento na área do Flamengo, mas sugerem que os policiais fiquem mais espalhados e "menos em grupo, olhando o celular".


Conhecido como "Leones", os jogadores do time de hóquei na grama da Argentina estão otimistas em relação à Olimpíada do Rio. "Estamos felizes que a competição seja perto da Argentina, onde teremos apoio de gente conhecida. Amigos, pais e namoradas vão. Não estou muito interessado nos mosquitos, não falamos disso. Não é comum ter Jogos na América do Sul, seria ótimo tudo sair bem", disse Matías, de 34 anos, há 15 anos na seleção.

O meio-campista Lucas Rey diz que levará simplesmente "um repelente verde, que dizem que ajuda". Ele esteve no Rio para o Pan de 2007, ficou surpreso com a hospitalidade e se diz tranquilo com o ambiente político. "Não estou preocupado, estou contente. Espero que possam encontrar os responsáveis e, se houve alguma irregularidade, que isso seja tratado corretamente. Quero o mesmo para a Argentina e para toda a América do Sul. Que os corruptos comecem a ser tratados de outra maneira, que tenham o que merecem", opinou.

Um inibidor para os "hermanos" que quiserem vir ao Brasil seguir os Jogos são as mudanças internas na economia. Com uma inflação que supera os 40% nos últimos 12 meses, a classe média cortou gastos com supérfluos. "Dormirei todos os dias no motorhome e levaremos uma grelha para fazer churrasco onde nos deixarem", afirmou Manu, detalhando a estratégia para gastar pouco no Brasil. Também ajudaria conseguir aqueles dois companheiros para dividir a gasolina. "Não precisa ser alguém conhecido. Em princípio, teria de ser um homem para aguentar, mas aceitamos alguma mulher que nos aceite. Fica o convite".

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