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Ainda amador, futebol ganha cada vez mais espaço entre as argentinas

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Yesica Brumec. Buenos Aires, 7 jan (EFE).- As mulheres, cada vez mais, ganham status de protagonistas no futebol amador de Buenos Aires, e, desafiando o preconceito, dão cada vez mais feminilidade ao esporte mais popular da Argentina. Vice-campeão do mundo no ano passado, com duas Copas no histórico, o futebol masculino do país é um dos mais respeitados do mundo. Entre as mulheres, no entanto, a situação é diferente. A seleção argentina só disputou dois Mundiais e está fora da edição 2015. "Quando comecei a praticar futebol, me interessei por um mundo que sempre me disseram ser um patrimônio masculino", disse à Agência Efe, Romina, arquiteta de 25 anos que atua como atacante do DeTaco FC. As dificuldades são inúmeras, e a atleta amadora começa a revelá-las logo que calça as chuteiras de cor lilás que utiliza nas partidas da equipe. "É um modelo para homens, pois não se vendem chuteiras de adulto para mulheres", afirmou a jovem, antes de atuar em um jogo no bairro de Caballito. No campo, é fácil identificar o rosa, o violeta, os penteados bem cuidados, unhas coloridas. Ninguém se preocupa com isso, no entanto, quando o árbitro apita o início da partida. Aí, não há a menor diferença com o futebol praticado por homens. "As mulheres de qualquer idade hoje tem coragem de dizer: 'Jogo futebol sim, e daí?'. Não é por isso que sou macho", garantiu Paula Fernandes Delgado, diretora da escola Futebol para Mulheres, que vem recebendo grande procura depois da disputa da Copa do Mundo. "Até cinco anos atrás, não havia espaços recreativos para se reunir e 'hacer un picadito' (em tradução livre, "bater uma bolinha") com as amigas. Algo que substitui o encontro por um café", disse Paula. Não existem números oficiais, mas a diretora da escola de futebol feminino, afirma ter identificado 700 equipes apenas na região norte de Buenos Aires. No DeTaco FC, o técnico Mauricio é o responsável por orientar as atletas. "Para o homem, neste país, se dá uma bola aos dois anos de idade. Ele aprende coisas que as meninas não aprendem", disse o técnico, que interrompeu a entrevista para comemorar um gol de sua equipe. No intervalo da partida, as meninas correm para se reidratar e também para ajeitar os grampos de cabelo, ambos os atos feitos com a mesma naturalidade, diga-se de passagem. Apesar da disputa de torneios amadores para mulheres já acontecerem há alguns anos, alguns preconceitos continuam aparecendo vez ou outra. "Em um clube onde jogávamos, os sócios se queixaram com as autoridades porque algumas mulheres usavam camisas apertadas", revelou Paula. Segundo Romina, atacante do DeTaco FC, os homens que ficam sabendo de sua atuação como jogadora de futebol, afirmam que esta á uma "moda passageira" entre as mulheres. Por outro lado, a atleta amadora cobra mais torcedores nos locais de jogos. Apesar de tudo isso, as mulheres fãs de futebol concordam que já está acontecendo uma "mudança social" em Buenos Aires, e que cada vez há mais espaço para um debate sobre o tema. "Sempre põem em xeque o que as mulheres falam, mas pelo menos há uma abertura que antes não existia", afirmou Paula. EFE yb/bg/ma

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