Adversário do Palmeiras treina com meiões na cabeça para aprimorar passes
Mais Esportes|Do R7
No Botafogo da Paraíba nem sempre os meiões vestem as pernas dos jogadores nos dias de treino. E essa alteração no vestuário não é por estilo. Trata-se de um plano do técnico Itamar Schülle de preparar o adversário do Palmeiras nesta quarta-feira, pela Copa do Brasil, para ter mais velocidade de raciocínio, acertar mais passes e continuar a fazer boas campanhas na temporada 2016.
Há dois anos o treinador catarinense implantou nas equipes que dirige uma metodologia diferente. Pelo menos uma vez por semana os jogadores colocam os meiões amarrados na testa, para tapar parcialmente o campo visual. "Com isso o jogador é obrigado a levantar a cabeça para não errar o passe. Isso cria o hábito de dominar, olhar e passar rápido. A repetição faz o atleta melhorar", explicou.
O catarinense de 49 anos contou ter se inspirado em treinamentos de clubes europeus. Por lá, segundo Schülle, os gorros de lã vestidos na cabeça para proteger do frio fazem o papel dos meiões e obrigam os atletas a ter de olhar mais atentamente para os companheiros antes de passar a bola. O técnico garante nunca ter encontrado resistência de elencos para introduzir esse tipo de atividade.
O Botafogo-PB pela primeira vez está nas oitavas de final da Copa do Brasil e a uma fase de garantir acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. Há dez meses no cargo, Schülle afirma ter recebido propostas para trabalhar em pelo menos três clubes diferentes, mas recusou para continuar na equipe atual.
As tarefas inusitadas do cotidiano estão na carreira dele desde o começo. Antes de se destacar no Botafogo-PB, foi campeão paranaense pelo Operário, de Ponta Grossa, em 2015, viveu um início curioso de trajetória. Para garantir o primeiro emprego como treinador, Schülle teve de ajudar a fundar um novo clube. Na presidência, quem assumiu e assinou o contrato com o técnico foi a mulher dele.
"Quando parei de jogar, queria espaço em algum time profissional. Aí um amigo que era jogador na época me convidou, fomos para São Bento do Sul (SC). Cuidamos da papelada para fundar um time. Como a diretoria tinha que ter cinco nomes, minha mulher topou ser presidente. Um amigo nosso foi o vice. E eu, virei o técnico", contou.
Logo na primeira temporada a equipe conseguiu o acesso para a elite. O trabalho alavancou a carreira do treinador, porém sem que ele se esquecesse que antes de sugerir os meiões na testa para os jogadores, teve de fazer funções diversas. "No começo, além de ser técnico eu cortava grama, limpava chuteira...Uma vez até dirigi o ônibus de um time, mesmo sem ter carteira de habilitação", confessou.












