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BRASILEIRO 2022
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'A paralisia cerebral é minha motivação', afirma fisiculturista brasileiro

Com mais de 400 mil seguidores nas redes, 'Lékão', de 26 anos, faz musculação há sete anos e sonha em competir no Mr. Olympia

Mais Esportes|Yasmim Santos*, do R7

Alex tem paralisia cerebral e é fisiculturista
Alex tem paralisia cerebral e é fisiculturista Alex tem paralisia cerebral e é fisiculturista

O influenciador e fisiculturista Alex de Souza Luz, de 26 anos, também conhecido como Lékão, foi diagnosticado com paralisia cerebral aos dois anos. Depois de passar anos na capoeira e se arriscar na natação, viu na musculação uma paixão e a oportunidade de melhorar a qualidade de vida. Neste Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, ele relembra os desafios que passou.

O primeiro deles foi logo no nascimento, quando faltou oxigênio em seu cérebro durante o parto. Ele ficou duas semanas internado na UTI. 

Alex saiu do hospital, mas a mãe logo percebeu que algo estava errado. No começo, seu pescoço não conseguia sustentar a cabeça. Posteriormente, ele não aprendeu a engatinhar ou andar — se arrastava no chão. 

Morando no interior da Bahia, ele viveu até os dois anos sem acompanhamento médico e, consequentemente, diagnóstico. Foi após uma tia perceber que ele tinha um problema de saúde e oferecer estadia em sua casa em São Paulo que a família se mudou (temporariamente) e iniciou os exames.

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Com o diagnóstico de paralisia cerebral, ele passou a fazer terapia ocupacional, fisioterapia e acompanhamento com neurologista e fonoaudiólogo. Alex progrediu aos poucos e, aos oito anos, conseguiu caminhar com ajuda. Aos dez, passou a andar sozinho.

Por indicação de um vizinho, aos 12 anos, começou capoeira para melhorar a coordenação motora. Alex gostou tanto do esporte que praticou por cinco anos — só parou porque sentiu dores no joelho esquerdo. "Parei, e o joelho melhorou", lembra o influenciador.

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Após terminar o ensino médio, em 2014, ficou um ano estudando sobre design gráfico, em casa, e fez pequenos trabalhos, como criação de banners e convites. Nesse meio tempo, caminhava na rua e fazia natação uma vez por semana.

Musculação e preconceito

Alex começou a praticar musculação aos 19 anos
Alex começou a praticar musculação aos 19 anos Alex começou a praticar musculação aos 19 anos

Aos 19 anos, por influência do irmão, começou a praticar musculação. "Eu decidi que não podia ficar parado, tinha que praticar alguma coisa e foi a musculação. Treinei cinco anos sem o intuito de competir, só para cuidar da saúde", afirma. 

Alex conseguiu melhorar a coordenação motora, o equilíbrio e a força, além de fortalecer a perna e, consequentemente, o joelho. Mas também teve de lidar com os preconceitos na academia, principalmente no começo, quando não tinha coordenação para segurar os equipamentos.

"Enfrentei muitos olhares, ouvi muita gente falando que ali não era lugar para mim, um menino com paralisia cerebral, porque eu ia me machucar, não ia desenvolver. Mas isso não afetou minha cabeça, ficava triste, mas continuei", recorda Alex.

Alex começou com 60 kg, "bem magrinho" e sem "nenhuma força no braço e na perna", como ele define. Com seis meses de musculação, já percebeu muitas melhoras. 

"A musculação me trouxe vários benefícios, se eu soubesse, tinha começado bem antes. Mas tudo tem um momento certo", afirma, ao lembrar que ouviu até de médicos que a academia não era um lugar para pessoas com deficiência.

Hoje, garante, orgulhoso, que "ninguém percebe que eu tenho paralisia, quando estou treinando".

Fisiculturismo

Depois de cinco anos na musculação, ele começou a acompanhar atletas do fisiculturismo e se interessar pelo esporte. Em setembro de 2020, criou uma conta no Instagram para compartilhar sua história de vida e um dos vídeos chegou a um competidor. 

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O fisiculturista convidou Alex para um treino e percebeu, após uma série de perna, que ele poderia ir mais longe. "Ele fez uma simples pergunta para mim: 'Já pensou em competir?'. Eu respondi que não. Então ele disse que eu tinha todo o potencial e me deu dicas de campeonato", explica.

Em dezembro, ele decidiu tentar e focar nas competições. Fazia uma hora de cardio, além da série de exercícios. Em janeiro de 2021, começou uma dieta e preparação mais focada, com a ajuda, segundo ele, de um "anjo" chamado Felipe.

Com o aumento de casos de Covid-19, ele não conseguiu continuar a preparação ou competir. Passou a fazer escada, em casa mesmo. 

"No primeiro fechamento causado pela Covid, em 2020, fiquei parado e minha coordenação motora piorou. Então em 2021 não fiquei parado, caminhava na rua e fazia meu cardio em casa", diz. 

Em julho, a academia abriu novamente, e Alex voltou com foco total. Quatro meses depois, fez sua estreia no fisiculturismo, na categoria geral. Ele ficou na oitava (e última) posição, mas viu que era aquilo que queria.

"Fiquei admirado com o resultado que tive, de ver onde cheguei e o físico que conquistei. Isso que me motiva até hoje, é um desafio muito grande", garante.

De lá pra cá, já participou de outros campeonatos, voltados, dessa vez, para PcD (Pessoa com Deficiência). Em outubro, ele vai participar de uma dessas competições.

O sonho, claro, é participar da categoria especial do Mr. Olympia (o maior evento do mundo no fisiculturismo). Para isso, Alex continua treinando e quer "chegar ao extremo" e viver do esporte. 

Paralisia cerebral é motivação

O jovem magro, de 60 kg, agora tem 80 kg. "A paralisia cerebral é minha motivação, eu vim ao mundo assim. Vou fazer o quê? Vou viver assim e contente. Vou superar as dificuldades que tenho e viver a minha vida da melhor forma. Ela me motiva cada vez mais: se eu vejo uma dificuldade, quero superar", diz. 

Por isso, ele aconselha: "acredite em você, cuide muito bem da sua vida, da sua saúde, para conquistar todos os objetivos que quiser. Acreditando e se dedicando, tudo dará certo, só depende de você".

Alex conta que ainda recebe muitos comentários maldosos, já que tem mais de 431 mil seguidores apenas no Instagram, mas certifica que o segredo é construir uma "mente blindada".

*Estagiária do R7 sob supervisão de Raphael Hakime

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