A luta brigará para manter sua histórica condição de esporte olímpico frente ao squash e ao beisebol-softbol, que buscam um lugar nos Jogos Olímpicos de 2020, o que será definido no domingo, durante a 125ª sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Buenos Aires.
O pontapé inicial da briga foi dado ao meio-dia desta sexta-feira, quando cada esporte apresentou suas qualidades em sucessivas coletivas de imprensa das respectivas federações, mas a decisão só sairá no domingo.
A Federação Internacional de Lutas Associadas (Fila) defendeu sua condição olímpica, que mantém desde a primeira edição dos Jogos, em 1896, e que ainda terão no Rio de Janeiro em 2016, mas que em fevereiro passado foi excluída do programa para 2020.
O COI recebeu uma chuva de críticas por esta decisão, tomada, de acordo com o próprio Comitê, para dar lugar a um esporte que atraia mais o público jovem. A Luta, porém, poderá voltar ao programa nos Jogos 2020 se vencer a eleição frente ao squash e o beisebol/softbol.
Os três esportes foram selecionados em maio passado, na reunião da comissão executiva do COI em São Petersburgo, na Rússia, ao superar em votos outras disciplinas como a escalada, o karatê, a patinagem, o wakeboard e a luta chinesa wushu, que também sonhavam em ocupar um lugar nos Jogos.
"Não vamos mudar apenas por mudar. Simplesmente revisamos o programa olímpico periodicamente para encontrar o melhor programa possível", destacou na ocasião o presidente do COI, o belga Jacques Rogge.
As três federações farão a defesa de suas modalidades frente aos membros do COI no domingo, antes da votação sobre a inclusão de um esporte adicional para 2020 e 2024.
Além das figuras esportivas e os integrantes do COI, é esperada a presença de personalidades políticas e representantes de várias casas reais, entre elas o príncipe Felipe da Espanha, que encabeça a delegação de Madri-2020.
=== O dia D, a sede para 2020 ===
Já no sábado, os 103 membros do COI escolherão a cidade que sediará os XXXII Jogos Olímpicos em 2020, entre as postulantes Madri, Istambul e Tóquio.
Nesta sexta-feira, a mais de 24 horas do anuncio previsto para este sábado às 17h00 (horário de Brasília), Tóquio era a favorita nas casas de apostas britânicas, à frente de Madri e de Istambul, apesar das notícias de vazamentos radioativos na usina nuclear de Fukushima, que sofreu um acidente em 2011.
A mídia japonesas, porém, lembrou que para os Jogos de 2012 e 2016, quando foram escolhidas Londres e o Rio de Janeiro, respectivamente, os líderes nas casas de apostas acabaram derrotados (Paris e Chicago).
"Uma maldição preocupante: o favorito não pode vencer", escreveu o tabloide Yukan Fuji.
Se isto pode servir de consolo para os japoneses, a guerra civil na vizinha Síria pode complicar a candidatura de Istambul, enquanto que a grave crise econômica espanhola dificulta a situação de Madri.
"É preciso entender que a decisão não é baseada na situação atual, e sim em como pode estar daqui a sete anos", alertou Rogge, que fez questão de se manter neutro, não emitindo opinião.
Presidente do COI desde 2011, Rogge se despede do cargo na próxima terça-feira, quando será eleito seu sucessor.
Os aspirantes ao cargo são o presidente do Comitê Olímpico alemão, Tomas Bach (59 anos), o lendário esportista ucraniano Sergey Bubka (49), o banqueiro filantrópico porto-riquenho Richard Carrión (60), o diplomata Ser Miang Ng de Singapura (64), o professor emérito suíço Denis Oswald (66) e o arquiteta taiwanês Ching-Kuo Wu (66).
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