Esportes Luizomar de Moura busca sucesso com a seleção de vôlei do Quênia na Olimpíada

Luizomar de Moura busca sucesso com a seleção de vôlei do Quênia na Olimpíada

Talvez seu nome não seja muito fácil de reconhecer de primeira. Mas, sem sombra de dúvidas, Luizomar de Moura tem muita história no voleibol feminino brasileiro. Sua carreira como treinador se iniciou em 1995, quando assumiu o cargo de assistente de Willian Carvalho, comandante do Uniban/São Caetano. Após mais três anos na função, mas em dois times diferentes, o pernambucano de Caruaru foi chamado para se tornar técnico do Flamengo. Logo no ano de estreia, venceu o título da Superliga Brasileira de Voleibol.

Dado o rápido sucesso, ele virou auxiliar de Marcos Aurélio Motta na seleção feminina principal entre 2001 e 2002. Em clubes, fez outra mudança de casa, já que o vôlei no Brasil é inconstante quando o assunto é investimento. Até a temporada 2004-2005, Luizomar comandava o Automóvel Clube de Campos, do Rio de Janeiro. Nesse meio tempo, esteve à frente do categoria infanto-juvenil brasileira, onde, em sua primeira competição, levou o bronze no Mundial sediado na Polônia.

Após ter um grande desempenho no Oi/Macaé, em 2005-2006, o treinador foi convidado a assumir o Finasa/Osasco, um dos principais times brasileiros no vôlei. Vindo de duas finais seguidas contra o Rexona/Ades, de Bernardinho, a equipe tricampeã chegou mais uma vez à decisão juntamente com as grandes rivais.

Buscando o tetra e ressentidas pela derrota no ano anterior, as atletas do Osasco chegaram até o limite, mas perderam o título para o time carioca no quinto set do quinto jogo da série. Infelizmente, Luizomar amargou o vice pelos dois anos seguintes.

Em 2009, a direção do banco Finasa, patrocinador do Osasco, decidiu acabar com a equipe adulta, o que foi uma surpresa para a comissão técnica e as atletas. O técnico do clube osasquense entrou em ação e, após negociar com empresários locais, garantiu a continuidade do time. Ele também assumiu o cargo de gerente administrativo.

Meses depois, a Nestlé tornou-se patrocinadora da equipe, dando sustentação a ela no cenário nacional. No primeiro ano de Sollys/Osasco (2009-2010) as comandadas de Luizomar foram campeãs do Sul-Americano de Clubes e vice-campeãs paulistas.

Na mesma temporada, o pernambucano ainda garantiu o tetracampeonato da Superliga ao vencer o Unilever, antigo Rexona. Com muita emoção, Natália, revelada pelo treinador, brilhou na decisão e contribuiu para a conquista osasquense, em um time que contava com jogadoras como Sassá, Jaqueline e Camila Brait.

Depois de perder para o rival carioca em 2010-2011, o Sollys/Osasco repetiu o feito do ano anterior em 2011/2012 ao acumular os títulos da Superliga e do Sul-Americano. Tricampeão nacional, Luizomar ainda conquistou o Campeonato Mundial e o Paulista na temporada.

Depois disso, a equipe paulista perdeu o duelo contra o Unilever, no que foi a última aparição do Osasco em finais de Superliga. Sem a ajuda da Nestlé, e com o surgimento da parceira com o Audax, Luizomar segue no comando do time até hoje. Ele definitivamente está entre os maiores da história do clube, ao lado de José Roberto Guimarães, tricampeão nacional e bi estadual com os paulistas.

Porém, o treinador pernambucano não para de se desafiar. Após ficar 11 dias na UTI no começo do ano se recuperando da covid-19, ele decidiu assumir a seleção feminina de vôlei do Quênia nas Olimpíadas de Tóquio. O convite da Federação Internacional de Vôlei veio no final de abril, e Luizomar não pensou duas vezes.

Sem abrir mão de seu trabalho no Brasil, o lendário técnico voou pela segunda vez para treinar o país africano pensando em desenvolver o esporte em um local com pouca tradição, sem se importar muito com a campanha nos Jogos.

Até o momento, a seleção africana perdeu as duas partidas que disputou contra Japão e Coreia do Sul por 3 a 0. Mas isso já era esperado. Ele e seus cinco assistentes, todos do Osasco, podem comemorar o fato de que, em metade dos sets perdidos, as quenianas deram trabalho, sendo superadas por no máximo três pontos.

"Me contaram que quando estão felizes, os quenianos dançam. E as meninas estão muito felizes com nosso trabalho, me fizeram essa surpresa pelos meus 55 anos", disse Luizomar durante a preparação para a Olimpíada.

Curiosamente, o Quênia está no mesmo grupo do Brasil, o Grupo A. No dia 2 de agosto, às 9h45 (de Brasília) está marcado o confronto entre as duas seleções, que vai encerrar a fase de grupos do torneio.

Se a seleção do técnico brasileiro der tanto trabalho quanto a República Dominicana às nossas jogadoras, poderemos ver um jogo muito equilibrado. Mas só a atitude desse pernambucano natural de Caruaru já fez valer o espírito olímpico e mostra o porquê dele ser tão grande no esporte.

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