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Rei e Deus, Brasil e Argentina: relembre a amizade entre Pelé e Maradona

O Rei do Futebol morreu na quinta-feira (29), aos 82 anos, em São Paulo; os dois mitos do esporte deixaram a rivalidade de lado e se tornaram grandes amigos

Lance|

Pelé e Maradona foram dois dos maiores jogadores da história do futebol
Pelé e Maradona foram dois dos maiores jogadores da história do futebol Pelé e Maradona foram dois dos maiores jogadores da história do futebol

O significado de ídolo nem sempre pode ser explicado. Com a morte de Pelé na última quinta-feira (29), aos 82 anos, em São Paulo, o mundo se emocionou e relembrou uma das características mais bonitas do esporte: a amizade.

Dois dos maiores de todos os tempos, o Rei do Futebol e Diego Maradona, falecido em 2020, marcaram para sempre o esporte dentro de campo e também fora dele. O LANCE! relembra a amizade dos dois, que, lado a lado, protagonizaram grandes momentos fora das quatro linhas, desde os enfrentamentos no decorrer da carreira do argentino até a admiração exemplar e mútua da dupla.

Pelé foi o grande nome do futebol do fim da década de 1950 ao início dos anos 1970. Já aposentado, o craque brasileiro viu o crescimento de um possível sucessor em um país vizinho, a Argentina, com a chegada de Maradona ao futebol profissional.

Com um auge mais curto porém tão brilhante quanto o de Pelé, o hermano foi referência do esporte desde meados da década de 1980 até o início dos anos 1990.

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Os craques se encontraram pela primeira vez em 1979, quando Pelé, já consolidado como o maior de todos os tempos, conheceu o jovem argentino.

No entanto, a partir do momento em que Maradona se tornou um grande jogador, os dois trocaram farpas com relação ao jogo e aos problemas extracampo.

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Em referência ao desempenho de Maradona na Copa do Mundo de 1986, conquistada pela Argentina, Pelé afirmou que seu sucessor só tinha habilidade com a perna esquerda e que era um mau exemplo — e discorreu também sobre os problemas de destempero do craque argentino e os seus vícios.

Por outro lado, Maradona também alfinetou Pelé. Em 1998, durante uma entrevista a um canal de televisão argentino, falou da relação de Pelé com as organizações de futebol e do dinheiro.

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"Pelé é um escravo, ele vendeu seu coração para a Fifa. Pelé gosta mais de dinheiro do que de dormir", disparou Diego.

A briga pessoal entre os dois foi deixada de lado quando Maradona passou a conviver com graves problemas de saúde, sobretudo a partir de 2004. Nos últimos anos, os dois se encontraram em eventos e sempre ressaltaram a admiração que tiveram pelo futebol e um pelo outro.

Quando Maradona comemorava aniversário, Pelé, digno de um rei, o parabenizava. Dessa forma, a amizade mostrou aos torcedores que a rivalidade pode também ser marcada pelo respeito e pela admiração.

Em 2005, Maradona apresentava um programa de televisão na Argentina e convidou Pelé para uma participação especial. Durante a conversa ao vivo, os dois resolveram fazer o que pode ser considerada como a maior tabelinha da história do esporte: apenas com a cabeça, os dois tocaram a bola no ar um para o outro e não a deixaram cair.

Maradona faleceu em novembro 2020, aos 60 anos, e comoveu todo o planeta. Pelé, como um grande amigo, publicou um texto nas redes sociais e emocionou ainda mais os admiradores do esporte. 

"Que notícia triste. Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu", disse o Rei.

Uma semana depois, Pelé divulgou mais um texto para seus milhões de seguidores, com fotos suas ao lado de Maradona, que repassavam toda a trajetória de amizade entre ambos. Os dois, sempre sorrindo, são os grandes ídolos esportivos de seus respectivos países.

"Hoje, eu sei que o mundo seria muito melhor se pudéssemos comparar menos uns aos outros e passássemos a admirar mais uns aos outros. Por isso, quero dizer que você é incomparável. A sua trajetória foi marcada pela honestidade. Você sempre declarou seus amores e desamores aos quatro ventos. E com esse seu jeito particular, ensina que temos que amar e dizer 'eu te amo' muito mais vezes. Sua partida rápida não me deixou dizer, então apenas escrevo: Eu te amo, Diego. Meu grande amigo, muito obrigado por toda a nossa jornada. Um dia, lá no céu, vamos jogar juntos no mesmo time. E vai ser a primeira vez que eu vou dar socos no ar sem estar comemorando um gol, mas sim, por poder te dar mais um abraço", escreveu o Rei do Futebol, emocionado.

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