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Javier Tebas sobe o tom, pede saída de Infantino e acusa Fifa de prejudicar o futebol

Tebas fez duras críticas à Fifa e defendeu mudanças na entidade

Lance

Lance|Do R7

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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cerimônia de entrega do troféu da Copa do Mundo Mark J Rebilas/Reuters - 19.07.2026

O presidente da La Liga, Javier Tebas, voltou a subir o tom contra a Fifa (Federação Internacional de Futebol Associado) e afirmou que o ciclo de Gianni Infantino à frente da entidade máxima do futebol mundial chegou ao fim. Em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport, o dirigente espanhol defendeu que o mandatário deixe o cargo e acusou a organização de tomar decisões que prejudicam o futebol de clubes em benefício da Copa do Mundo.

Segundo Tebas, a atual estrutura política da Fifa dificulta qualquer mudança de comando, já que, em sua visão, o modelo eleitoral favorece a permanência de Infantino no poder.


— Na minha opinião, sim, acho que o tempo dele acabou — declarou o dirigente ao ser questionado sobre a continuidade do presidente da Fifa.

Apesar da crítica, Tebas acredita que Infantino seguirá no cargo graças ao apoio das federações nacionais, afirmando que praticamente não há espaço para candidatos de oposição disputarem a presidência da entidade.


Tebas critica formato da Copa do Mundo

Além dos questionamentos à administração da Fifa, o presidente da La Liga também direcionou críticas à organização da Copa do Mundo de 2026. Para ele, as mudanças implementadas pela entidade priorizam interesses comerciais e colocam em risco o equilíbrio do calendário do futebol.


Um dos principais alvos foi a proposta de ampliar o Mundial para 64 seleções, possibilidade levantada por Infantino durante o torneio.

Na avaliação de Tebas, o crescimento da competição enfraquece as ligas nacionais, que, segundo ele, sustentam economicamente o futebol ao longo da temporada.


— Aumentar o número de seleções nacionais não faz sentido. A indústria do futebol não se resume à Copa do Mundo. São as competições nacionais que sustentam este esporte. Elas estão destruindo a indústria do futebol, que gera dezenas de milhares de empregos, por um evento que dura 40 dias e envolve uma minoria de jogadores — afirmou.

O dirigente também defendeu a redução do número de partidas internacionais para preservar jogadores e fortalecer os campeonatos domésticos.

Pausas para hidratação e show da final também foram alvo

Outro ponto criticado por Tebas foram as pausas obrigatórias para hidratação implementadas pela Fifa durante a Copa do Mundo, inclusive em partidas disputadas em estádios climatizados.

Segundo o presidente da La Liga, a justificativa relacionada ao bem-estar dos atletas não se sustentava em alguns jogos e servia apenas para ampliar os espaços destinados à publicidade durante as transmissões.

Ele também questionou a duração do intervalo da final da competição, que foi estendido para 27 minutos e 22 segundos para a realização de um show com apresentações de artistas como Madonna, BTS, Shakira e Justin Bieber.

— A Fifa organiza tudo como bem entende, para os seus próprios interesses, certamente não para o futebol. Se precisar de um intervalo de 27 minutos, terá esse intervalo. As pausas para hidratação são uma mentira. Na La Liga elas existem apenas quando realmente faz calor — criticou.

Para Tebas, decisões desse tipo demonstram que a Fifa conduz o torneio de acordo com interesses próprios, sem considerar os impactos para o restante do futebol mundial.

Caso Balogun também entrou na lista de críticas

O dirigente espanhol ainda citou o episódio envolvendo o atacante americano Folarin Balogun, que teve uma suspensão adiada antes das oitavas de final da Copa do Mundo.

Na visão de Tebas, o caso representou um dos momentos mais delicados da gestão de Infantino e poderia ter provocado consequências mais graves caso os Estados Unidos tivessem avançado na competição.

— Eles tiveram sorte de a Bélgica eliminar os Estados Unidos. Caso contrário, esse episódio poderia ter custado o cargo de Infantino. Como a Bélgica venceu, conseguiram abafar o assunto. Mas isso é apenas a ponta do iceberg — afirmou.

O episódio também gerou críticas públicas da Uefa, que classificou a decisão da Fifa como “sem precedentes, incompreensível e injustificável”, aumentando a pressão sobre a entidade durante o torneio.

Infantino deve buscar novo mandato

Mesmo diante das críticas, a expectativa é que Gianni Infantino concorra à reeleição no congresso da Fifa, previsto para março, buscando um quarto mandato consecutivo à frente da entidade.

Para Tebas, entretanto, o atual cenário político da organização dificulta qualquer mudança na presidência, já que, segundo ele, poucas federações estão dispostas a enfrentar o atual dirigente em uma eleição.

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