Lance Inspirado nos EUA, time da Superliga coloca atletas de frente para os livros

Inspirado nos EUA, time da Superliga coloca atletas de frente para os livros

Curitiba Vôlei sobrevive graças a apoio de universidade e esforço de ex-tenista para manter equipe na elite. Jogadoras contam com estrutura e bolsas para curso de inglês e graduação

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Um time formado por atletas estudantes aposta todas as fichas na união entre esporte e educação para sobreviver em um cenário de dificuldades financeiras. Único representante do Sul na Superliga feminina, o Curitiba Vôlei, em parceria com a Universidade Positivo, oferece cursos de graduação e idiomas para jogadoras, que dividem a rotina árdua de jogos e treinamentos com os livros.

O projeto, idealizado pela ex-tenista Gisele Miró, uma apaixonada pelo vôlei, enfrentou cortes no orçamento em relação à última temporada, devido ao fim de um patrocínio direto do governo do Paraná.

A universidade não paga salários, mas disponibiliza, além das bolsas, uma estrutura de ponta. As atletas contam com ginásio, academia, piscina, salas de aula, quadras, atendimento das clínicas e suporte dos estudantes de fisioterapia, educação física, medicina, nutrição, psicologia e odontologia.

A dirigente admite que já tirou mais de meio milhão de reais do próprio bolso para manter a equipe. O orçamento é de R$ 1 milhão para a temporada, o que resulta em cerca de R$ 100 mil por mês. Parte do montante vem de premiações que ela conquistou como tenista.

O projeto inclui um trabalho de atendimento social a crianças, ao mesmo tempo em que incentiva as jogadoras a pensarem no pós-carreira. Oito delas dividem a Superliga com os seus cursos, que podem ser semipresenciais ou à distância.

– Acredito que seja um dos melhores projetos esportivos hoje no Brasil, por proporcionar a união do alto rendimento com a educação e inspirar novas gerações. Vemos muitas crianças nos jogos e damos a oportunidade para as atletas estudarem. Quem não faz graduação, ao menos está inscrita no curso de inglês – contou Gisele, ao LANCE!.

A viabilização da equipe aconteceu em 2017, depois de muitos estudos. O primeiro passo foi a conquista da Superliga B. No primeiro ano na elite, o grupo ficou em oitavo. A classificação para as quartas de final ssignifiou uma vitória diante do orçamento disponível.

A inspiração para o projeto atual veio do modelo de sucesso dos Estados Unidos. Os números do país impressionam. Enquanto o Brasil, em 22 edições de Jogos Olímpicos, conquistou 128 medalhas, com 371 atletas medalhistas, só Stanford, que lidera o quadro das instituições americanas, soma 282 pódios no maior evento esportivo do mundo. Em seguida, aparece a Universidade da Califórnia (UCLA), com 241.

Nos Estados Unidos, cerca de 480 mil estudantes praticam esportes e recebem bolsas em universidades associadas à National Collegiate Athletic Association (NCAA). O fundo de benefícios é avaliado em US$ 2,9 bilhões, verba destinada a cobrir mensalidades, alojamento e alimentação dos estudantes, com bolsas totais ou parciais.

Veteranas formadas nos EUA estimulam as novatas

A trajetória de quem viveu anos de estudos no exterior aliados ao esporte de alto rendimento serve de inspiração para as atletas mais jovens. Curitibana, a central Mariana Aquino, de 28 anos, se tornou a primeira atleta brasileira a vencer o campeonato universitário dos Estados Unidos (NCAA), em 2011.

Formada em Relações Internacionais e Ciências Políticas pela UCLA, Mari concluiu no ano passado a pós-graduação em gestão de marketing pela Positivo, enquanto se recuperava de uma lesão no joelho esquerdo. Ela já voltou a pegar na bola, mas não joga esta edição.

– Os estudos me deram tranquilidade no momento da lesão. Infelizmente, a união entre esporte e educação ainda não é realidade no Brasil. Sabemos que para chegar ao patamar dos americanos serão anos de trabalho, mas quando a universidade oferece bolsa integral às atletas, ela soma – avaliou Mari.

Outro destaque é a central americana Claire Felix, de 25 anos. Formada em Sociologia pela UCLA e mestre em Gestão de Negócios na Inglaterra, ela incentivou as brasileiras a correrem atrás do estudo.

– Quando a Claire chegou, quase todo mundo se inscreveu no curso de inglês por causa dela – lembra Gisele.

Em sua primeira temporada no comando de uma equipe da Superliga, o técnico Durval Nunes, o Duda, garante dar o apoio necessário para suas comandadas.

– Durante a Superliga, não é tão fácil focar o tempo todo nos estudos. Mas tudo é ajustado. Um curso de três ou quatro anos a atleta pode fazer em cinco, porque ela joga disciplinas para frente. Mas eu sou daqueles que as incentiva a fazerem, mesmo que demorem um pouco mais, para que, quando acabar a carreira nas quadras, elas tenham subsídios para suas vidas – disse o técnico, formado em Educação Física e pós-graduado em voleibol e fisiologia do exercício.

Curitiba faz ‘decisão’

O Curitiba Vôlei tem nesta quinta-feira um duelo decisivo para suas pretensões de chegar aos playoffs da Superliga pelo segundo ano seguido. Em nono na tabela (17 pontos), a quatro rodadas para o fim da fase classificatória, o time do técnico Durval Nunes recebe o Pinheiros, oitavo (18 pontos), no ginásio da Universidade Positivo, às 20h (de Brasília). Se vencer o rival direto, entra na zona de classificação para as quartas de final. Depois, encara Flamengo (11°), Fluminense (6°) e o São Paulo/Barueri (7°).

BATE-BOLA
Gisele Miró
Ex-tenista e dirigente, ao L!

‘Carrego o projeto nas costas, mas com esperanças de que dê certo’

A equipe venceu a Superliga B, lotou o ginásio, alcançou os playoffs e mesmo assim perdeu apoio. Foi uma surpresa?
Eu realmente achei que tudo fosse melhorar devido aos resultados. As meninas estão treinando bastante, são guerreiras e mereciam maior apoio. Estou carregando o time nas costas, mas com esperanças de que dê certo. Sou teimosa. Vou levar até onde der.

Como você idealizou o projeto?
Minha filha Isabela joga tênis e estudou nos Estados Unidos. Quando eu era atleta, era impossível conciliar a rotina com estudos. Refleti muito. A Positivo nos deu uma estrutura incrível e a chance de proporcionarmos às jogadoras algo que eu não pude ter.

Quais são as perspectivas do futuro do projeto? Será mantido?
Continuo conversando tanto com a prefeitura como com o governo do estado. Tenho projetos aprovados que são fundamentais, mas as coisas no âmbito político são meio engessadas. Graças aos bons resultados e ao carinho enorme de Curitiba pelo projeto, temos grandes perspectivas de seguir em frente. Acho que estou conseguindo mostrar aos nossos governantes a importância do esporte como ferramenta para a educação e a saúde.

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