Solidariedade e espírito coletivo preservam empregos no Fluminense

Tricolor é o único dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro que não recorreu à demissão de funcionários durante a paralisação do futebol pela pandemia do COVID-19

Lance

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A paralisação do futebol em razão da pandemia do COVID-19 tem causado impactos financeiros em diversos clubes brasileiros. Algumas agremiações precisaram recorrer à redução do quadro de funcionários para salvar as finanças, em tempos de escassez de receitas. No Fluminense, no entanto, medidas drásticas não foram necessárias, até o momento. Tudo graças a gestos de solidariedade a um senso de coletividade demonstrado nos bastidores do clube por funcionários e atletas.

Os colaboradores do clube foram os primeiros a se mobilizarem internamente, ainda em março, o primeiro mês de suspensão das atividades presenciais. Dirigentes de diversas áreas com salários mais altos se uniram e tomaram a iniciativa de abrir mão de 15% dos vencimentos em prol dos que ganham menos. O gesto emocionou o presidente Mário Bittencourt, que à época agradeceu nas redes sociais. Em ação semelhante, a Comissão técnica do time profissional se mobilizou pela doação de cestas básicas para os funcionários do CT Carlos Castilho.

No mês seguinte, foi a vez dos jogadores aceitarem um acordo para a redução salarial, após negociação encabeçada por Nenê e Digão. Os vencimentos de março tiveram redução de 15%, o pagamento das férias coletivas de abril foi dividido (50% em maio e 50% e mais o terço constitucional em dezembro) e os salários de maio terão redução de 25%. No trato também foi incluída cláusula contratual que permite às partes voltarem a conversar em junho, caso o futebol não seja retomado.

Odair deu o exemplo

Em live no Instagram no perfil "papotrabalhista", na última segunda-feira, o presidente Mário Bittencourt revelou que o técnico Odair Hellmann foi um dos primeiros no elenco a dar o exemplo e colocar o salário à disposição. O gesto mereceu elogios do mandatário.

– O Odair ajudou muito, é um cara de grande caráter, uma história de vida muito bonita. Foi um dos que colocou seu salário à disposição logo de cara. E os jogadores foram ótimos, humanos, entenderam bastante – afirmou o presidente.

Em contato com o LANCE!, o técnico tricolor confirmou que o espírito de coletividade foi fundamental para que todos entendessem o que era necessário para o clube se manter equilibrado financeiramente. Para o treinador, manter a união é imprescindível.

– Os profissionais do clube tiveram a sensibilidade e o entendimento dessa situação, com uma mobilização coletiva. Para que a gente minimize as dificuldades desse momento, é importante que todos ajudem de alguma forma. Todos foram, são e seguirão sendo fundamentais neste cenário totalmente atípico que vivemos – analisou Odair.