Flamengo quer chegar aos acordos, e Landim ressalta: 'Não pode aceitar qualquer pedido absurdo de valor'

Presidente do Flamengo abordou temas relacionados ao incêndio do Ninho do Urubu, que vitimou 10 atletas das divisões de base em 8 de fevereiro de 2019, em entrevista à TV Brasil

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Em entrevista ao programa "No Mundo da Bola", da TV Brasil, o presidente Rodolfo Landim afirmou que o Flamengo entregará aos familiares das 10 vítimas do incêndio que atingiu o alojamento das divisões de base do CT do Ninho do Urubu as camisas usadas pelos jogadores na partida contra o Madureira, no último sábado, data em que a tragédia completou um ano.

Em sua participação de cerca de 1h30 no programa, que foi ao ar no noite de domingo, Rodolfo Landim ainda comentou as críticas que a diretoria vem recebendo na condução das negociações com as famílias dos 10 jovens mortos, e reforçou que o clube empenhado em chegar aos acordos pelas indenizações.

- O Flamengo quer resolver isso, se você está falando resolver economicamente. Mas o Flamengo não pode aceitar qualquer pedido absurdo de valor que venha a ser feito. Mas concordo (que seria um título), concordo que seria excelente se chegássemos a um acordo - afirmou Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, que seguiu sobre o assunto, em outro momento:

- Esse assunto a diretoria coloca enorme atenção. Ontem tivemos uma festa organizada pelo Flamengo, com entrada em campo com faixas, passamos no telão um vídeo, balões com a torcida, os jogadores entraram com nome das crianças que faleceram. Aliás, vamos preparar essas camisas para as famílias. Eles vão autografar e encaminhar camisa para cada um deles (famílias). São várias outras coisas que fazemos. Não vejo olharem o copo meio cheio. Mas só meio vazio. As pessoas sempre acham que pode ser feita outra coisa - afirmou.

O incêndio no Ninho do Urubu completou um ano no última sábado e poucas respostas foram dadas até o momento. Na última sexta, a Polícia Civil entregou ao Ministério Público, pela terceira vez. O clube, por sua vez, chegou a acordo com as famílias de três vítimas (Vitor Isaías, Athila Paixão, Gedson Santos) e com o pai de Rykelmo, além de acertos com os 13 sobreviventes da tragédia.

Na próxima sexta-feira, Rodolfo Landim, Rodrigo Dunshee (Vice-Presidente Geral e Jurídico do Flamengo) e Alexandre Wrobel (ex-Vice-Presidente de Patrimônio do clube) são aguardados em nova sessão da CPI dos Incêndios, na Alerj, que investiga os incêndios que atingiram o Estado nos últimos meses, como no Museu Nacional e no Hospital Badi, além do CT do Ninho do Urubu.

Confira outras respostas do presidente Rodolfo Landim em participação no programa "No Mundo da Bola", da TV Brasil, que foi ao ar no dia 9 de fevereiro:

O incêndio no Ninho do Urubu
- É uma situação muito dolorosa. É maior tragédia da história do Flamengo. Por mais que as feridas estejam se curando e tal, as cicatrizes vão sempre ficar. Não tem como não ficar. Foi algo muito triste. Natural que no momento que completa um ano esse lado emocional aflore ainda mais. As críticas (que recebemos) são as mais diversas. Há críticas do aspecto de apuração do que ocorreu. (Houve falha?) Se houve ou não houve o inquérito da Polícia Civil vai dizer. Eles mandaram para o Ministério Público. Parece que vai sair indiciamento esse mês ainda.

Relação com as famílias das vítimas sem acordo e advogados
- Existe pela área jurídica do clube sinalização de que os advogados das vítimas colocam barreiras. Essa conversa que tentamos é feita com muito cuidado. Eles (advogados) claramente criam barreiras. Endurecem essa discussão porque dizem que o clube não os procura. É estratégia deles. Estão preparando para entrar na Justiça. Nós acertamos (indenizações) com 20 e tantas famílias. Três famílias e meia acertamos. Mas existe toda essa estratégia, Óbvio que eles (advogados) querem passar a visão de que o clube é duro, insensível.

Relação com as famílias das vítimas que já chegaram a um acordo
- Uma família veio a público por iniciativa própria dizer que foi muito bem tratado, que está muito feliz (com o acordo). Essa não tem a mesma divulgação que as demais famílias. A primeira familía que fechamos, o pai falou comigo. Palavra de honra, falou "pelo amor de Deus, não fale quanto me pagaram. Venho de local muito simples. Se divulgar acho que corro risco de vida. entendeu?" É super delicado. A gente tenta fazer demonstrações aos familiares, mas existe grupo interessado, por motivos pecuniários, em dizer que o Flamengo é duro.