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Fisiologista do Fluminense, Juliano Spineti revela importância do descanso na Data Fifa e projeta nível do elenco na reta final de temporada: 'Altíssimo'

Tricolor se prepara para jogos do Brasileirão e decisão na Libertadores

Futebol|Do R7


Lance
Fluminense retomou os treinos após folgar na segunda e terça-feira (FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.)

Nesta semana de Data Fifa, o Fluminense deu dois dias de descanso para seus jogadores na segunda e terça-feira e repetirá o processo no sábado e domingo após três dias de treinamentos. O clube tem como objetivo recuperar o elenco que vinha de uma sequência de jogos desgastante na reta final de temporada.

O Lance! conversou com Juliano Spineti, fisiologista do Time de Guerreiros, que abordou a importância do período sem atividades visando uma restauração da capacidade física e mental dos atletas comandados por Fernando Diniz. E o responsável pela saúde dos jogadores acredita em uma equipe em alto nível visando a decisão da Libertadores marcada para o dia 4 de novembro.

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- É muito importante promover descanso para uma plena restauração nos aspectos físico e emocionais. Em uma temporada de 11 meses, os atletas são submetidos a uma grande congestão de jogos, com uma grande carga externa de mídia, torcida, de jogos altamente competitivos, uma carga interna de treinos extremamente competitivos, de longa duração, alta exigência física, cognitiva, técnica, além de todo o processo de viagem. Então o jogador tem pouquíssimo tempo para ter uma recuperação plena. Quando um atleta retorna de um jogo com dois dias de folga, ele ainda não está com uma recuperação total no aspecto fisiológico no terceiro dia. O que a gente observa ao longo da temporada é que com dois dias, o atleta ainda não tem uma recuperação plena quando ele retorna de um jogo. Obviamente, o jogador tem capacidade de conseguir treinar e até jogar, mas ele não estará em 100% dele. O corpo não zerou em relação ao último estresse que ele foi imposto. Então quando é possível dar um período maior de recuperação, deixar ele recuperar para ele ter a capacidade de treinar e voltar ao nível mais alto, isso é muito importante e fundamental para ele conseguir dar continuidade e chegar nos momentos mais decisivos, como quando você fala de Libertadores, em altíssimo nível e em total capacidade de desempenhar seu melhor jogo de futebol.

O fisiologista afirmou que apenas uma rotina de treinos intensos não faz bem para um atleta de alto rendimento alcançar um grande nível de desempenho em suas atividades, fazendo questão de reafirmar a importância do descanso. Além disso, Spineti explicou a relação entre o físico e o mental.

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- Tem um princípio básico do treinamento esportivo que é o princípio da adaptação. Ele fala exatamente dessa relação de estímulo e recuperação. O corpo se adapta quando a gente provoca ele em termos de estímulos físicos, cognitivos. Mas se a gente só promover estímulo, estímulo e estímulo, ele vai involuir. Você só está promovendo estímulo, o corpo só está catabolizando, degradando e não está conseguindo ter tempo suficiente para absorver aquele estímulo. Isso sem falar do psicológico também. Os atletas passam o ano inteiro viajando, longe da família, com pouquíssimos momentos de descanso mental, de fazer algo fora do ambiente de trabalho, sem estar pensando no jogo. Então ele terá alguns dias em que ele consiga descansar a mente em relação ao que acontece internamente, é fundamental. A gente vê quando ele retorna da folga, que ele chega com muito mais capacidade, interesse em executar a rotina dele no dia a dia.

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Nesta sexta-feira (13), o elenco do Fluminense entra no terceiro e último dia de treinamento na semana visando o confronto pela Libertadores, mas também contra o Corinthians, pelo Brasileirão. Nesse sentido, o plantel vem fazendo sessões com intensidades cada vez mais altas, uma vez que terá outros dois dias de descanso no fim de semana.

- A recuperação foi a folga. Agora ele vai treinar. Se um atleta chega ainda em processo de recuperação, com algum problema que ele não conseguiu resolver, ele vai ter uma atenção especial. O que não foi o caso nesse momento. Todos chegaram em 100% de condições. O que é feito é uma progressão. No primeiro dia, você não vai elevar a exigência lá em cima. Você vai progredir o incremento da carga, progredir o incremento da intensidade e da exigência física. Então o primeiro dia é o dia com um pouco menos de exigência. Não que seja exigência baixa, mas ela é menor do que no segundo dia em que o atleta já teve uma exposição a carga, o corpo teve uma primeira resposta e é um bom dia para conseguir fazer um treino com uma exigência física maior. No terceiro dia também. E os objetivos dos treinos você muda tanto em aspectos físicos, cognitivos e comportamentais de jogo. Então o primeiro dia já é treino, mas você vai ter uma progressão, um incremento da exigência física de cada treino.

Na próxima quinta-feira (19), o Fluminense recebe o Corinthians em um dos primeiros quatro "testes" que a equipe de Fernando Diniz fará antes da final da Libertadores. O clube ainda encara RB Bragantino, Goiás e Atlético-MG antes de fazer o jogo da temporada diante do Boca Juniors.

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RELAÇÃO ENTRE FÍSICO E MENTAL

- Existe um monitoramento que a gente chama de escala psicométrica, então diariamente o atleta responde como está o estado de humor dele, como foi o sono, como está o nível de cansaço, pois se o atleta está sendo submetido a alta carga de trabalho, alta carga de treino com muita quantidade e muita exigência física e não está havendo um tempo suficiente de descanso, isso afeta o estado emocional dele. Um sintoma do overtraining, do overheating, é a irritabilidade, a impaciência. O atleta vai ficando mais mal-humorado, menos risonho, pois ele está sendo sempre estimulado fisicamente e não está tendo tempo de se recuperar. Isso atrapalha o sono do atleta. Essa relação de estímulo e recuperação vai influenciar no aspecto físico e fisiológico, mas também no aspecto emocional e psicológico dele.

DESCANSO DE DOIS DIAS

- Quando eles entram em férias, a gente tenta atenuar o destreino com algumas formas de treinamento. Mas o atleta que ficou dois dias parado, ele só vai promover a recuperação. A gente quer que ele recupere. Ele precisa descansar corpo e mente. Então dois dias não entra em destreino. A gente prefere dar dois (dias de folga), voltar a treinar e depois dar mais dois porque a gente sabe que dois dias não dá destreino. Vamos dar novos estímulos para ele, depois tem mais dois dias de folga. Então estamos dando uma manutenção de cargas e dando uma recuperação para ele total. Na semana seguinte, com certeza ele estará em um estado físico muito melhor, com um nível de treino bom e passando pela recuperação física e mental.

ATLETAS NAS SELEÇÕES

- Eles vão ter uma quantidade de treinos muito semelhante, talvez um pouco mais, pois eles tiveram um dia só de folga, mas é muito parecido. Vai depender de quem vai jogar, quem não vai jogar. Na Seleção, a comissão é a mesma do clube, então é total harmonia entre o que vai ser feito lá e o que é feito aqui em termos de metodologia de trabalho. Mas há uma comunicação entre o departamento de ciência do esporte do Fluminense com as seleções. Então o Jhon Arias foi para a Colômbia. Eles previamente solicitam os dados físicos dos últimos 10 dias. A gente envia para eles nosso arquivo para eles poderem imputar no sistema deles e saberem como foram os últimos 10 dias do atleta. Ao mesmo tempo quando os convocados retornam, as confederações enviam o que foi feito lá. Então a gente consegue alimentar nosso sistema com esses dados. Hoje, a ciência de dados é altamente avançada. A gente sabe o que foi feito lá em termos de distância, sprint, tudo o que foi feito lá, nós temos controle aqui.

VOLTA DOS ATLETAS DAS SELEÇÕES

- O que a gente percebe é que o atleta que volta de seleção sempre volta em um nível bom até porque tem a viagem. O primeiro dia na seleção de forma geral é um dia com menos exigência física. No dia do jogo, o atleta tem baixa carga. O atleta está em uma rotina diferente daqui, mas em termos de quantidade de carga muito semelhante. Vai ter um dia mais forte, um dia mais fraco. Se ele jogar, ele vai ter carga alta no jogo, mas baixa no dia seguinte. Então vai ter essa oscilação. Como são só dois jogos em uma janela de tempo até razoável com 10 dias, fica um microciclo de trabalhado muito semelhante ao que foi feito aqui. Só as dinâmicas de recuperação que serão diferentes, mas a soma fica muito parelha.

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