Após passagens por Coreia e China, Fábio Lefundes conta ao L! sobre o desejo de treinar um time profissional

Após início de carreira como preparador físico em times pequenos do Rio de Janeiro, Lefundes rodou o futebol árabe e se consolidou como auxiliar técnico no mundo asiático

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Fábio Lefundes começou sua carreira como preparador físico, com passagens por clubes de médio porte do Rio de Janeiro, mas também já trabalhou no mundo árabe e futebol asiático. Na Coreia do Sul, o profissional ganhou as primeiras chances como assistente técnico no Jeonbuk, até chegar no Shandong Luneng, da China. O brasileiro conta ao LANCE! quais os maiores desafios que encontrou na carreira e os objetivos para o futuro, como o de ser técnico principal de uma equipe.

DESAFIOS

As passagens por Bangu e Madureira, por exemplo, ajudaram Lefundes a estar mais pronto para o que iria encontrar na carreira, iniciada no mundo da bola em 1995. Em 2007, o então preparador se lançou a novas experiências e foi trabalhar no Al-Mesaimeer, clube da Segunda Divisão do Qatar, país que irá sediar a Copa do Mundo de 2022, e depois na Arábia Saudita.

- Quando você trabalha em times pequenos, você trabalha com falta de recursos, de logística e você precisa ser muito criativo para poder sobressair nessas condições e manter um nível de qualidade do seu trabalho. No Qatar e na Arábia Saudita era necessário ser muito criativo no desenvolvimento do trabalho - disse Lefundes.

Apesar de estar inserido em uma cultura diferente da do Brasil, Fábio afirma que os países árabes são muito diferentes e que a adaptação no Al-Raed, da Arábia Saudita, foi mais complicada do que em sua primeira aventura:

- O choque de realidade é maior. Só havia um treinador brasileiro no país. O inglês era utilizado só em 10% dos estabelecimentos. Só um jogador no time falava inglês de 30 jogadores e nós não tínhamos intérpretes. Eu aprendi na
necessidade.

MUNDO ASIÁTICO

O primeiro choque do brasileiro foi chegar em uma equipe que nunca havia tido em sua comissão técnica um profissional estrangeiro. Lefundes foi o primeiro a quebrar esta barreira. Contratado ainda como preparador físico pelo presidente do Jeonbuk, da Coreia do Sul, Fábio quase deixou o clube ainda nos primeiros meses de trabalho por conta de dias ruins com o treinador:

- O treinador me deixou de canto em um primeiro momento, me fez trabalhar com três atletas que estavam retornando de lesões e disse que o restante do grupo era com ele. Depois de dois meses, eu pedi para o treinador me mandar embora.

Com o tempo, o brasileiro foi adquirindo a confiança de todos no clube com o seu trabalho, teve seu contrato renovado e acabou ficando mais seis anos na equipe, conquistando quatro títulos do Campeonato Coreano e uma Liga dos Campeões da Ásia. Em 2018, após duas propostas recusadas, o auxiliar foi para o Shandong Luneng, da China, lugar em que encontrou uma estrutura acima das anteriores. No novo time, Lefundes pôde trabalhar com nomes conhecidos do futebol brasileiro, como Gil, Roger Guedes, Diego Tardelli e Moisés. Ele comentou como foi a experiência de treinar na China:

- Dois anos antes de eu chegar, eles anunciaram algumas mudanças, pois estavam preocupados com as futuras gerações do futebol chinês. A ideia é de que até 2025 tenham 50 mil escolas de futebol e oito milhões de praticantes de futebol. Mas a China terá muita dificuldade de formar atacantes e zagueiros, pois todas as equipes têm estrangeiros nessa posição. Em uma conversa, um atleta do meu time, que voltou da seleção chinesa, me confidenciou que os atletas jogam em função dos estrangeiros e lá nós não temos as referências.

SONHO E COPA

Fábio Lefundes terminou o seu vínculo com o Shandong Luneng no final de 2019 e está parado, em casa, devido a crise do coronavírus. No entanto, os planos para o futuro e o desejo de se tornar treinador profissional não mudam. Com vasta experiência no futebol asiático, o auxiliar vê bastante mercado na região:

- Eu fiquei sabendo em janeiro que não iria retornar e isso me atrasou, pois fiquei fora do mercado. Gostei muito da experiência de ter trabalhado por lá (Ásia) e sei que por não ter sido jogador, apesar de 25 anos de experiência, as portas menores e mais pesadas. A minha ideia é ser treinador, tenho algumas sondagens para ir para fora do país e meu currículo lá fora é mais valorizado do que no Brasil.

O profissional de educação física também comentou sobre a Copa do Mundo de 2022 que será realizada no Qatar, onde trabalhou. O brasileiro acredita que o país tem potencial de fazer um grande evento para as seleções e para os torcedores.

- O Qatar é um país sensacional. Na época (em que trabalhei), todas as equipes já possuíam seus estádios e eram ótimos. Nós estamos falando de 13 anos atrás. As informações que eu tenho é de que são coisas de outro mundo. Eles precisam melhorar questões de transporte, mas têm totais condições de fazer a melhor Copa do Mundo em termos estruturais e organizacionais dos últimos tempos - completou.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini