Futebol Após 11 jogos sofrendo gols, Fluminense evolui defensivamente e vê sistema seguro contra o São Paulo

Após 11 jogos sofrendo gols, Fluminense evolui defensivamente e vê sistema seguro contra o São Paulo

Último jogo em que o Tricolor não foi vazado havia sido na penúltima rodada da Taça Guanabara, contra o Botafogo, ainda em meados de abril 

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No último sábado, o Fluminense estreou no Campeonato Brasileiro empatando em 0 a 0 com o São Paulo, no Morumbi. Embora os três pontos não tenham sido alcançados, a equipe mostrou boas variações ofensivamente e, na defesa, conseguiu sair sem ser vazada após 11 partidas. Veja abaixo a análise sobre o que mudou e evoluiu no sistema modificado por Roger Machado.

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Dia 17 de abril de 2021. Esta era a última vez que o Fluminense havia terminado uma partida sem ser vazado. Naquela ocasião, na vitória por 1 a 0 diante do Botafogo, pela penúltima rodada da Taça Guanabara, já se preparando para enfrentar o River Plate (ARG) na estreia da Libertadores.

Entre erros e acertos, o Tricolor teve queda de rendimento neste período - principalmente nas finais do Carioca -, mas cresceu com mudanças que surpreenderam em ambas as fases do jogo.

Ao todo, nas 11 partidas consecutivas com dificuldades atrás, o time sofreu 14 gols, sendo seis deles de pênalti (contra Portuguesa e Flamengo duas vezes cada, e mais uma vez cada contra River Plate e Junior Barranquilla-COL), um de rebote (contra o Fla), duas falhas (de Hudson, contra a Lusa, e Marcos Felipe, contra o Rubro-Negro), dois lançamentos (contra o Santa Fe-COL), dois cruzamentos (contra River e Junior), além de um chute fora da área (contra o Junior).

Porém, desde a vitória histórica contra o River Plate, no Monumental de Nuñez, o Tricolor vem apresentando evolução. A começar pelas novidades implementadas por Roger Machado. Isso porque, nos dois últimos duelos, o treinador promoveu Egídio, Samuel Xavier, Biel e Caio Paulista entre os titulares, auxiliando mais na recomposição.

No caso dos laterais, o principal ganho defensivamente foi com Samuel Xavier. Mais experiente que Calegari, o jogador entrega menos na construção das jogadas - muito pelo jovem ser volante de origem -, porém, quando se faz um recorte do quesito em análise, é perceptível que Samuel melhorou a equipe. Além do melhor porte físico, que o faz combater com mais igualdade contra os adversários, o atleta consegue acompanhar mais as subidas dos pontas e demonstra um cacoete necessário para a posição.

Contra o São Paulo, por exemplo, foram poucas as vezes em que Reinaldo conseguiu fazer suas tradicionais ultrapassagens, já que 'Samuca', como apelidado pelo elenco, estava sempre em sua cola. Além disso, desde a entrada do jogador, pouco aconteceu a indecisão de quem faria determinada cobertura, como vista nos gols do Junior Barranquilla, na derrota para o time colombiano pela Libertadores.

Fluminense x River Plate - Samuel Xavier

Fluminense x River Plate - Samuel Xavier

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Samuel entrou bem na equipe (FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C)

Outro fator positivo foram as manutenções de Caio Paulista e Gabriel Teixeira. Ambos os atacantes conseguem realizar está função de auxiliar de lateral melhor que os jovens Kayky e Luiz Henrique, cujos quais estão sendo trabalhados para, em futuro próximo, retomarem a titularidade com essas prerrogativas.

- São características diferentes, mas eu tenho cobrado muito sim de Kayky e Luiz, e eu costumo a falar nas palestras que é 'perna rápida é perna na bola', eu não posso estar bem posicionado na zona, e quando a bola entra no meu alvo eu tenho que encurtar o mais rápido possível para tomar essa bola. Existe uma razão para isso, porque eu preciso que os quatro jogadores de frente contribuam com esse processo defensivo, porque senão meus volantes e meus zagueiros sofrem muito. E dentro desta característica, Biel e Caio sem perder a força ofensiva contribuíram muito quando foram titulares. Mais eles estão melhorando, hoje eu vi Kayky e Luiz entraram mais atentos a este processo, eu vi os dois roubando bola defensivamente - disse Roger em coletiva, após o empate com o São Paulo.

Egídio, por sua vez, vem conseguindo passar mais segurança para Luccas Claro. Todos sabem a dificuldade defensiva do jogador, no entanto, aparentemente mais focado que o habitual, o atleta se mostrou mais útil que Danilo Barcelos.

Em falar em Luccas Claro, o zagueiro parece estar retomando a boa fase. Após algumas falhas sutis em posicionamentos e superações, como nos jogos contra o Junior e até no gol do River, na última rodada da Libertadores, contra o São Paulo, anulou bem as investidas de Pablo e, posteriormente, de Luciano.

Entretanto, o grande personagem desta defesa é, sem dúvidas, Nino. O zagueiro vive sua melhor fase na carreira e, de longe, é o melhor defensor do futebol carioca. Roger Machado, no entanto, vai além e, em coletiva, afirmou que o jogador é o melhor da posição em atividade no país.

- Para mim, sem sombra de dúvidas, o Nino é o melhor zagueiro do futebol brasileiro na atualidade - afirmou o treinador.

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Soberano nas jogadas aéreas, na estreia do Brasileirão, Nino conseguiu dar dinâmica ao sistema e interferir nas variações do São Paulo. Além disso, o jogador conduziu a boa marcação que, vale lembrar, começou com as linhas altas e foi se moldando mediante as nuances da partida. O objetivo agora, portanto, e fazer com que estes 11 jogos sofrendo gols, se transforme em inúmeras partidas sem ser vazado, para, assim, a equipe ter mais chances de coisas maiores no Brasileiro.

- Com relação a não sofrer gols, é muito importante, eu sempre digo para os atletas que se a gente manter o zero no placar estaremos sempre próximos da vitória. E se nós analisarmos os últimos anos de pontos corridos, nenhuma equipe foi campeã com uma média de um gol sofrido por jogo. Então, essa média tem que ser inferior a isto. O futebol é um jogo de erro, se você minimizar a chance de sofrer gols você vai estar sempre pronto para vencer. E nós não termos levado gols é algo que tem haver com esse equilibro defensivo que estamos tendo, principalmente em relação ao meio campo, já que nós estamos jogando com um tripé no meio, com cinco na linha, e isso dá sustentação para os jogadores que estão atrás da linha se defenderem bem quando a bola passa - completou Roger Machado.

SEQUÊNCIA DO FLU

Pelo Campeonato Brasileiro, o Fluminense volta a campo no próximo sábado, às 11h (de Brasília), no Maracanã, contra o Cuiabá. Porém, antes disso, a equipe duela nesta quarta, às 21h30, em casa, contra o RB Bragantino, pelo primeiro jogo da terceira fase da Copa do Brasil.

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