Futebol Ao L!, Mufarrej avalia anos como presidente: 'Lutar para sobreviver é muito pouco para o Botafogo'

Ao L!, Mufarrej avalia anos como presidente: 'Lutar para sobreviver é muito pouco para o Botafogo'

Em entrevista exclusiva, Nelson Mufarrej relata dificuldades financeiras nos últimos três anos, avalia Durcesio Mello, futuro presidente, e elogia Carlos Augusto Montenegro 

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Foram três anos de Nelson Mufarrej como presidente do Botafogo. Eleito no fim de 2017, ele ocupou a cadeira mais alta do clube de General Severiano entre 2018 e 2020. A partir do ano que vem, dará lugar a Durcesio Mello, vencedor das eleições realizadas em setembro.

Entre um título, o Campeonato Carioca de 2018, problemas envolvendo dívidas e a esperança pela criação de um modelo de clube-empresa para profissionalizar o departamento de futebol do Botafogo, Nelson Mufarrej abriu o jogo sobre os três anos no comando do Alvinegro.

O mandatário deu uma entrevista exclusiva ao LANCE! falando sobre as dificuldades envolvendo a parte financeira, a esperança com a Botafogo S/A e a torcida para que Durcesio Mello consiga exercer um bom trabalho à frente da administração do clube. Abaixo, a entrevista completa:

L!: Como você avalia esses três anos como presidente do Botafogo?
- Foram anos bastante difíceis na ordem financeira e isso impactou em todos os níveis da gestão e na política interna do clube. É claro que gostaria de ter dado ao clube um salto de qualidade com o amplo desenvolvimento do novo CT, por exemplo, mas a asfixia financeira limitou todos os movimentos. São muitos compromissos de alto valor, muitos processos que estão virando sentença agora e uma necessidade absurda por recursos de grande volume. A entrada de receitas ficou comprometida com uma série de penhoras. É óbvio que gostaria de ter ido muito além do título Carioca de 2018. Em certa altura, entendi que o modelo existente era ultrapassado, sendo necessária uma mudança brusca. Lutar para sobreviver é muito pouco para o Botafogo. Foi quando, em 2019, abri as portas do clube, suas instalações e funcionários, para a implementação do projeto S/A. Um modelo que logo de cara topei, sobretudo pelo viés de mudança na forma de gestão, mesmo sabendo que travaria uma luta com a velha política. Ao longo de todo esse período, dei liberdade para os responsáveis do projeto tocarem de forma profissional todo o processo. Continuo participando ativamente desde então, ajudando na busca pelos melhores caminhos e confio na sua viabilização. Há muita seriedade na condução e tenho certeza de que esse passo final será dado. Evitei dar entrevistas sobre o assunto pois meu entendimento do tema é de necessidade de discrição, pois há muita expectativa envolvida. Amo muito o Botafogo, foi certamente o maior desafio da minha vida. Não queria passar o bastão lutando para permanecer na Série A. Mas estou certo de que vamos sair dessa.

L!: Como você acha que Durcesio Mello, futuro presidente, pega o clube?
- As dificuldades da ordem financeira, tal como enfrentei no início da minha gestão, persistem. Recentemente houve uma solução importante com o apoio do Sindeclubes, que permitirá o pagamento de salários pelos próximos meses, sem atrasos. Estamos em uma transição de alto profissionalismo, com toda transparência, desde a eleição de novembro. Todos as áreas estão alimentando o trabalho da equipe designada pelo Durcesio, que aliás é uma pessoa de altíssimo nível e tenho certeza de que o Botafogo estará em boas mãos. Tem personalidade, competência e muita vontade de trabalhar em prol do Botafogo.

L!: Nesses três anos, a dívida do Botafogo aumentou. Onde você acha que a gestão poderia ter feito melhor neste sentido?
- A dívida do Botafogo chegou a um nível muito alto, em que se tornou um tremendo desafio e engenharia equacioná-la. Soma-se a isso as penhoras que incidiram de forma permanente durante toda a gestão, oriundas de gestões anteriores, que influenciaram sobremaneira nesses números da dívida. Internamente, a austeridade sempre existiu. No futebol, temos uma folha muito baixa se comparada aos outros grandes clubes. Mas o Botafogo precisa de uma solução definitiva, pois o passivo é muito grande. É necessário um grande investimento e o caminho que desenhamos é a S/A. Fizemos o possível para cumprir os programas de parcelamentos e seguimos ativos em todos eles. Os salários de atletas e funcionários também estão em dia.

L!: Nesse último ano de gestão, o Botafogo contratou 25 jogadores. Você acha que foi um número exagerado? Como avalia as chegadas de jogadores durante a sua gestão, de modo geral?
- Fizemos uma reformulação grande no elenco e o objetivo do Comitê de Futebol foi melhorar a performance e trazer resultados. No planejamento, houve erros e acertos.

L!: Você acha que a alta presença dos cartolas do clube (Montenegro, Rotenberg etc) nas mídias (seja tradicional, independente ou mídias sociais) foi nociva para a sua gestão?
- Os membros do Comitê de Futebol são altruístas e botafoguenses abnegados, que se dedicam imensamente ao Clube. Tenho certeza de que todas as intervenções deles foram pensando sempre no melhor para o Botafogo. Vejo o Carlos Augusto Montenegro como o maior botafoguense vivo. Sempre ajudando e presente nos momentos mais difíceis. Tenho que agradecê-lo por tudo o que fez ao longo da minha gestão, bem como ao Ricardo (Rotenberg), que se desdobrou em várias frentes e sempre disposto a ajudar.

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