Lance Fã de Tiger Woods, jovem golfista se destaca no Rio e sonha alto

Fã de Tiger Woods, jovem golfista se destaca no Rio e sonha alto

Conheça a história do jovem Humberto Rodrigues, de 19 anos

Lance
Lance

Lance

Lance

Natural de Engenheiro Pedreira, distrito do município fluminense de Japeri, Humberto Rodrigues, 19 anos, se destaca nos gramados verdes em que compete. Mas, diferentemente da maioria dos jovens brasileiros de sua idade, em vez de mandar a bola para a rede, ele a manda para o buraco. Grata revelação do golfe, ele foi descoberto em 2011 pela Associação de Golfe Público de Japeri (AGPJ), que oferece clínicas gratuitas da modalidade para mais de 100 crianças da região, e hoje treina no Campo Olímpico de Golfe, legado das Olimpíadas de 2016.

No último domingo, quase 10 anos desde as suas primeiras tacadas no projeto social, Humberto conquistou o Torneio Aberto de Aretê, em Búzios, o seu segundo título consecutivo, e assumiu a liderança do ranking da Federação de Golfe do Estado do Rio de Janeiro (FGERJ). O feito em si já é marcante para qualquer promessa do esporte, mas para Humberto foi ainda mais significativo, pois foi sua primeira competição sem a presença de sua maior incentivadora, a avó Malvina de Oliveira Silva, falecida uma semana antes.

- Foi muito complicado lidar com isso durante o torneio porque a cada tacada a lembrança vinha na cabeça. O importante é que eu consegui reverter essa situação, transformei em algo positivo, passei a enxergar que lá de cima ela estava me mandando forças. E graças a Deus eu venci. Foi por ela - dedicou o jovem golfista. - A minha avó foi a pessoa que mais me incentivou até aqui, sempre esteve presente comigo, desde o primeiro ao último que ela viu, que foi o aberto do Frade, em Angra. Sempre antes e depois dos torneios a gente se falava. Enfim, é a pessoa que mais contava para mim emocionalmente.

Fã de Tiger Woods, considerado o maior golfista de todos os tempos, Humberto Rodrigues também busca quebrar paradigmas e inspirar crianças humildes. Com uma visão social bastante madura, de quem viveu as dificuldades de ser criado em uma comunidade pobre, o jovem golfista que atualmente treina no Campo Olímpico de Golfe afirma que o esporte é uma imprescindível ferramenta de inclusão social.

- Quando se fala de golfe, não tem como não mencionar o Tiger Woods. Ele é a minha maior referência no golfe, pela carreira, pelo histórico de atleta, pelo fato dele ser negro e estar difundindo a mensagem de que o fato de você ser negro não te impede de estar em certos lugares. Infelizmente ainda existe esse preconceito e para a gente é muito difícil lidar com isso. Fico muito feliz quando vejo ele jogar e quebrar esse tabu - destacou.

Confira abaixo entrevista com a promessa do golfe brasileiro:

Fale da importância da conquista do Aberto de Aretê Búzios.
Foi muito importante porque é um torneio grande, um aberto. Devido ao covid, não valeu para o ranking nacional, mas valeu para o estadual. Foi muito importante porque eu pontuei e hoje assumo a liderança do ranking amador estadual. É o segundo torneio consecutivo que eu venço. Venci o último aberto em Angra dos Reis, há quatro semanas, e agora esse em Búzios.

Quais foram as maiores dificuldades nessa competição?
O que mais interferiu foi o vento e a falta da minha avó. Foi muito complicado lidar com isso durante o torneio porque a cada tacada a lembrança vinha na cabeça. O bom é que eu consegui reverter essa situação, transformei em algo positivo, enxergar que lá de cima ela estava me mandando forças. E graças a Deus eu venci. Foi por ela.

Qual o papel de sua avó na sua carreira?
A minha avó foi a pessoa que mais me incentivou até aqui, sempre esteve presente comigo, desde o primeiro torneio ao último que ela viu, que foi o aberto do Frade, em Angra. Sempre depois dos treinos ela me mandava mensagem, me ligava perguntando como havia sido o treino, como eu estava. Sempre antes e depois dos torneios a gente se falava. Enfim, é a pessoa que mais contava para mim emocionalmente.

Como foi seu contato inicial com o golfe?
Em Japeri tem uma associação, um campo público fundado pelos caddies (assistentes) que trabalhavam no Gávea Golf Club, que levaram a ideia para a Vicky Whyte, atual presidente do clube, e ela gostou da ideia de levar o campo público para Japeri, onde já tinha o espaço mas faltava o recurso. Se não me engano, a escola de golfe foi fundada em 2007. Muitas crianças daqui se inscreveram na escola, que é totalmente gratuita. O projeto é muito importante para Japeri, que tem o pior IDH da região. É um município muito pobre, onde o tráfico predomina, então muitas crianças são perdidas para o crime, devido à falta de oportunidade. E o clube de golfe foi um divisor de águas para Japeri, pois ele tira muitas crianças das ruas. Se hoje eu jogo golfe e estou me destacando, é porque, lá atrás, a Escola de Golfe de Japeri me deu essa oportunidade. Sou muito grato a eles por tudo o que me proporcionaram. Meu amigo Cristian Barcelos representou Japeri durante muito tempo no golfe, e a gente andava muito junto, soltava pipa, jogava bola, e uma vez ele me convidou para ir assistir a um dia. Assisti ele jogando e me apaixonei na primeira tacada. Foi quando começou todo esse sonho, há nove anos.

Quem é seu ídolo no golfe?
Quando se fala de golfe, não tem como não mencionar o Tiger Woods. Ele é a minha maior referência no golfe, pela carreira, pelo histórico de atleta, pelo fato dele ser negro e estar difundindo a mensagem de que o fato de você ser negro não te impede de estar em certos lugares. Infelizmente ainda existe esse preconceito e para a gente é muito difícil lidar com isso. Fico muito feliz quando vejo ele jogar e quebrar esse tabu.

Qual o seu maior sonho no golfe?
Me tornar um profissional, jogador e instrutor de alto nível. Ter êxito na minha carreira profissional, disputar torneios, ter a minha academia e dar aulas.

O golfe ainda não é popular no Brasil, mas você é um exemplo de que podemos ter muitos talentos perdidos pelo Brasil esperando apenas uma oportunidade. O que você acha do golfe como ferramenta de inclusão social?
Falta oportunidade. Deveriam ter mais clínicas gratuitas, mais projetos sociais. O Campo Olímpico de Golfe vem fazendo um trabalho excepcional, com clínicas de golfe semanais gratuitas, tem o projeto mantenedor que dá oportunidade a crianças de comunidades vizinhas ao campo, para que possam jogar no campo gratuitamente. Tem que ter mais projetos como esse, como o Japeri Golfe, não só no Rio, mas em todo o Brasil. E não basta apenas vender o sonho de jogador, mas capacitar a criança para que, se ela não for um jogador profissional, que pelo menos seja um funcionário no campo, que tenha contato com aquilo. Quando você se envolve com o golfe, você se apaixona, e é muito difícil largar depois. Então é importante que os projetos preparem os alunos para que futuramente possam exercer uma profissão na área. Temos exemplos como greenskeeper (responsável pela manutenção do campo), starter (responsável por organizar e orientar as saídas ao campo); até mesmo mecânico, porque os campos de golfe precisam de mecânico para fazer a manutenção dos tratores e karts; atendentes… enfim, algo que dê a possibilidade de outras profissões além de jogador.

Você hoje consegue se dedicar apenas ao golfe?
Atualmente consigo me dedicar 90% ao golfe. Ainda preciso trabalhar, pois não me manter apenas jogando. Preciso de colaboradores, porque o custo diário é muito caro: passagens, alimentação, enfim… moro sozinho, tenho contas a pagar, aluguel, luz, conta de telefone… Hoje não tenho um trabalho fixo, porque não conseguia focar na carreira de atleta, mas faço alguns trabalhos como autônomo para manter minha rotina de treinos.

Últimas