Guga completa 20 anos do bi de Roland Garros: 'O mais difícil'

Um dos maiores ídolos do esporte brasileiro relembra como foi sua segunda conquista do campeonato de Paris. Depois, viria o tricampeonato 

Gustavo Kuerten comemorou bicampeonato de Roland Garros em Paris

Gustavo Kuerten comemorou bicampeonato de Roland Garros em Paris

Lula Marques/Folhapress - 12.6.2000

Gustavo Kuerten completa, nesta quinta-feira, dia 11 de junho, 20 anos da conquista de Roland Garros em 2000 na campanha que afirmou, em bate-papo com a imprensa via zoom, como a mais difícil da carreira.

Guga superou na final emblemática o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1 com parciais de 6/2 6/3 2/6 7/6 (8/6) em jogo onde precisou de 11 match-points para a vitória. Ele teve o primeiro match-point uma bola marcada fora, mas corrigida pelo árbitro de cadeira após muita contestação do brasileiro. Foram mais de 50 minutos e outros nove match-points perdidos até a vitória no tie-break.
Nas quartas de final e semifinais, Guga perdia para o russo Yevgeny Kafelnikov e Juan Carlos Ferrero por 2 sets a 1 com quebras abaixo no quarto set e conseguiu viradas das mais marcantes na carreira.

"Ficou claro que ali tivemos uma resposta segura que o número 1 iria acontecer. Aquele título foi o mais difícil dos três. Em 1997 foi a casualidade, claro que foi uma façanha maior do que as outras duas, mas conhecer Roland Garros e voltar batendo na trave em 1999 onde eu era favoritíssimo e sentir na pele o tamanho do torneio, como é saber os detalhes, ganhando importância", disse Guga que classificou o duelo contra Kafelnikov como o mais difícil.

Jogo mais complicado de todos seguramente contra o Kafelnikov nas quartas. Era 4/2, 2 sets a 1, ele sacando 40 a 15. Uma bolinha que ele dá uma bobeira, outra eu jogo melhor, de repente o cenário muda e abre um caminho para eu vencer o Kafelnikov, achando que tudo estava mais tranquilo, entro em quadra dias depois contra um Ferrero muito inspirado, ele era minha figura de 1997 , jogando um tênis no fantástico, com winner para todo lado e mais uma vez perdendo 2 sets a 1 com break abaixo no quarto set e naquela ânsia de saber quando ia aparecer o momento do jogo pra mim. Quando surgia e consegui enxergar aquela luz no final do túnel.

Eu cheguei no torneio jogando no melhor nível da minha carreira. Só que os obstáculos são sempre surpreendentes e difíceis. Ali ficou claro o tamanho e dificuldade que é um Grand Slam. Em 97 eu não sabia. Quando eu consigo confirmar o segundo título, vem um novo padrão. Me estabeleço em um nível diferente de jogador. 97 podia ser só o acaso e único,estavamos montando, 99 fiz três quartas de Grand Slam, ficava no tá chegando, tá chegando, mas entre isso e o título é uma distância enorme. Poderia ter sido assim nos jogos contra o Kafelnikov e o Ferrero, a final pelo menos estava mais pra mim , ele que teria feito uma virada que seria algo extraordinário. Mas o jogo estava sob comando. Mostrou a realidade do que significa ganhar Roland Garros, conhecendo cada detalhe do torneio e o impacto mundial.

E depois alcançamos um novo nível, de poder desafiar Agassi e Sampras que eram os últimos pela frente, ficando convicto de poderíamos ultrapassá-los."

Confira como foi a campanha:

Final - Magnus Norman (SUE, 3º do mundo) - 62 63 26 766
Semi Final - Juan Carlos Ferrero (ESP, 16º) - 75 46 26 64 63
Quartas - Yevgeny Kafelnikov (RUS, 4º) - 63 36 46 64 62
Oitavas - Nicolas Lapentti (EQU, 11º) - 63 64 764
3ª rodada - Michael Chang (EUA, 33º) - 63 679 61 64
2 Rodada - Marcelo Charpentier (ARG, 230º) - 765 62 62
1ª Rodada - Andreas Vinciguerra (SUE, 56º) - 60 60 63

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