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Coluna do Bichara: F1 voltou às pistas, embora haja mais assuntos fora delas...

A F1 2024 começa com acusação de assédio, briga pelo poder, mudança de equipe e uma corrida

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Lance Lance (Lance)

No último final de semana, a F1 voltou à atividade com o GP do Bahrein, o primeiro país do Oriente Médio a receber o circo, há exatos 20 anos. Com o vaticínio de amplo domínio da Red Bull se confirmando, assim como os temores de outra temporada enfadonha, mais se falou do que aconteceu fora da pista. O mundo da F1 está obcecado pelo “Hornergate” – escândalo envolvendo Cristian Horner, o chefe da Red Bull.

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Essa história parece ter dois pilares, um conhecido de todos, outro nem tanto. Na parte conhecida, Horner teria tido “atitudes impróprias” com relação a uma integrante da equipe (supostamente um caso de assédio). Mas o episódio camufla uma guerra de poder pelo próprio controle da equipe austríaca.

Ainda no ano passado, Horner começou a ser investigado pela equipe. Horas antes do GP de Sakhir, chegou a notícia de que ele havia sido absolvido internamente. Só que, ato contínuo, um e-mail anônimo foi enviado para centenas de pessoas ligadas à F1 com supostas mensagens que comprovariam o assédio. Penso que o teor delas não vem muito ao caso aqui, não só porque essa coluna não é a do Nelson Rubens, mas principalmente porque não se tem notícia da comprovação da autenticidade das mensagens – sendo certo que hoje facilmente se forja um material como esse. Além disso, não convém descuidar da presunção de inocência, nem desconsiderar o veredito da investigação conduzida pela Red Bull, que absolveu Horner.

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Mas a crise escalou no domingo, quando, após a corrida, Jos Verstappen (pai de Max) tirou o pino da granada: deu uma entrevista dizendo que, se Horner não fosse demitido, a equipe poderia desmoronar. Essa inusitada manifestação, que pôs muita lenha na fogueira, foi precedida de uma áspera discussão de Horner com Jos (filmada pela Sky Sports), e de uma conversa deste último com Toto Wolf (que tem vocalizado críticas duras ao inglês).

Muita gente acha que Jos e Toto estão tramando para levar Max para a Mercedes (desfalcada a partir de 2025 com a partida de Lewis Hamilton para a Ferrari). As perguntas óbvias a desafiar essa teoria (que pode ser da conspiração) são: por que Max quereria ir para a Mercedes; e por que a demissão de Horner facilitaria esse caminho? Pois bem, surgem rumores de que o motor Ford (que a partir de 2026 equipará a Red Bull) não vem de demonstrando boa performance, o que tem feito Max olhar para o lado. E parece que há uma cláusula no contrato do holandês prevendo que, em caso de mudança na chefia da equipe, ficaria ele desobrigado de cumprir o pactuado. Enfim, expulsando Horner da equipe dos touros (e o jogando aos leões), Max teria, em tese, sua saída pavimentada. Indagado se Max seria o novo piloto da Mercedes no ano que vem, Toto, com a tropelia que lhe é peculiar, não negou. Pensando bem, a saída de Horner só pode ter essa importância toda se ela for o gatilho de algo mais. Isso porque até aquele esquimó eremita com déficit de atenção sabe que a grande cabeça da equipe é Adrian Newey. Ele é a mão que balança o berço.

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Com o assunto dominando o paddock, surgiu ainda uma apuração paralela, que é a própria briga de poder na Red Bull, após o falecimento, no ano passado, de seu fundador Dietrich Mateschitz. Consta que Horner teria tentado comprar a parte dos sócios tailandeses da equipe (49%), sem combinar com os Austríacos, despertando a ira do filho de Materschitz – que hipotecou apoio a Helmut Marko, escalando-o para enfrentar Horner. Tanto assim que, apesar de sua provecta idade, o plenipotenciário Dr. Marko teve seu contrato renovado. Certamente em breve, talvez ainda na Arábia Saudita, nesta semana, venhamos a ter novidades nesse enredo – que parece mais House of Cards que Drive to Survive. A conferir.

Já na pista a previsão que fiz para Vocês se confirmou (link da matéria anterior). Max dominou classificação e corrida com facilidade, e tudo tristemente indica e leva a crer que essa será a tônica da temporada. Uma das modificações técnicas válidas esse ano é a de que a abertura da asa móvel se dá já na 1ª volta. Isso em tese deveria dificultar que o ponteiro abrisse grande vantagem. Mas ficou apenas na tese mesmo. Na segunda volta Max já tinha 1,1 segundo em cima de Charles Leclerc. Restou então às duas Ferrari e a Sergio Perez disputarem as demais posições. O mexicano fez valer a superioridade da Red Bull, chegando sem dificuldade na segunda posição – embora 20 segundos atrás de seu companheiro de equipe -, e o futuro desempregado Carlos Sainz teve uma ótima atuação chegando em 3º. As 5 principais equipes cravaram os 10 primeiros lugares, evidenciando que neste ano não deve haver surpresas na f1. Ao menos dentro da pista. Já fora dela as especulações correm soltas, ainda mais com uma vaga na Mercedes e outra possível na Red Bull. Como disse Lima Barreto "Nada se pode afirmar, mas tudo se pode esperar”. Esperemos.

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