Ao L!, Patrick relembra temporada de 2019 no Inter e traça metas para 2020

Meia Colorado abordou derrotas traumáticas na temporada, desejo de jogar na Europa e futuro no Beira-Rio

Lance

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Se o time do Internacional não correspondeu como esperado em campo no ano de 2019, as esperanças de um ano de títulos em 2020 é grande entre os jogadores. Até porque mesmo ficando na "seca", o Colorado chegou em duas finais de grandes competições e se classificou para a pré-Libertadores.

A reportagem do LANCE! teve a oportunidade de conversar com um dos principais jogadores do elenco Colorado. Trata-se do meia Patrick, que chegou ao Inter em 2018 e rapidamente caiu nas graças da torcida. O atleta de 27 anos revisou a temporada de 2019 e afirmou que, mesmo com as decepções, o clube conquistou um de seus objetivos.

- Acredito que, não só eu como o Inter, fiz uma temporada boa dentro do seu objetivo. Disputamos algumas finais, infelizmente um só tem que vencer e acabamos perdendo as duas. Eram títulos que nós estávamos almejando há um tempo, então a dor foi um pouco mais forte porque era um objetivo que a gente estava buscando há muito tempo. Acredito que a gente fez uma excelente Libertadores e uma grande Copa do Brasil, embora não tenhamos conseguido o título.

Começamos muito bem a temporada e pesou um pouco a frustração de não conseguir conquistar (os títulos) para o decorrer do Brasileiro, mas mesmo assim, oscilando, nós conseguimos nosso objetivo que era classificar o time para a Libertadores. Lógico que a gente queria buscar o título e se classificar direto para a Libertadores, mas dentro dos objetivos tinha a classificação para a Libertadores e a gente vai buscar -, afirmou.

Após as eliminações para o Flamengo nas quartas de final na Libertadores e para o Athletico-PR na final da Copa do Brasil, a equipe caiu de rendimento e o treinador Odair Helmann acabou sendo demitido pela diretoria do clube. Patrick contou como foi lidar com o momento difícil do clube no meio da temporada, afirmando que foi doloroso pelas expectativas geradas.

- Para quem vive o futebol e gosta muito, estar dentro de uma final e perder é muito frustrante. Lógico, com o elenco experiente que a gente tinha não foi a primeira vez que aconteceu isso, mas devido a atmosfera que se tornou ao redor disso, o clima ficou um pouco pesado. A imprensa caiu um pouco em cima, cobrando e ficou uma situação um pouco negativa.

Pela nossa luta, nossa batalha e pelo o que a gente conhecia do grupo e que tinha dentro do inter, a gente estava buscando esse título porque muita gente merecia. Infelizmente, não aconteceu e foi um pouco mais doloroso. A gente estava junto, estava investindo no objetivo e infelizmente não aconteceu. Se a gente fosse campeão, iríamos direto para a Libertadores, e acabou que a gente teve que buscar depois no Brasileiro essa classificação e se tornou um pouco mais difícil -, confessou.

Outro capítulo que acabou abalando o elenco foi a saída do treinador Odair Hellmann, que acabou sendo liberado por não conquistar os objetivos traçados pela diretoria do clube e, principalmente, os títulos almejados. Segundo Patrick, o elenco ficou 'muito triste' e afirmou que a culpa das falhas do time em 2019 não pode apenas se resumir na conta do treinador, hoje no Fluminense.

- A gente ficou muito triste, porque a gente estava trabalhando há muito tempo junto e acredito que a culpa da gente não ter conquistado o título não foi só dele, e sim de todo o elenco, toda a comissão, de todos nós. Infelizmente, o futebol é assim. Quando não consegue o objetivo, devido a cobranças externas, é obrigado a fazer mudanças. A gente ficou muito chateado, a gente não queria que isso acontecesse até porque a gente não quer que isso aconteça com nenhum profissional.

Foi um pouco difícil para assimilar isso. Ficamos um tempo sem treinador, eles (diretoria) botaram o interino e foi dificultando mais o nosso entendimento para poder entrar e resolver isso no Brasileiro. Foi difícil. Futebol é isso. A gente sabe que pode acontecer tanto com o treinador como com o atleta, mas a gente fica chateado quando isso acontece -, revelou.

Conhecido por sua comemoração do super-herói Pantera Negra, o camisa 88, que está prestes a completar 100 jogos com a camisa do Inter, acabou se tornando um dos símbolos na luta contra o racismo da equipe. O meia comentou sobre os casos recentes de racismo no mundo do futebol, classificando como 'intolerável'.

- Eu acho que, nos anos em que vivemos, isso é intolerável. Mas infelizmente essas pessoas têm o cérebro pequeno demais para poder assimilar que hoje esse tipo de preconceito não cabe mais na sociedade. Somos todos iguais, independente da raça e cor. Todos temos nossos objetivos, sonhos e nossas vidas, então a gente tem que se respeitar, tanto os negros com os brancos como os brancos com os negros. A gente fica chateado.

É uma situação difícil de combater porque vem de dentro para fora, então isso aí você não pode impor. Infelizmente, não tem como você fazer isso. Não dá para dizer que está sendo combatido de forma errada, mas a verdade é que não tem que existir. Infelizmente tem que vir de dentro de cada um. Eu espero, torço e rezo para que um dia isso acabe e a gente aproveite essa maravilha que são os seres humanos e o mundo -, finalizou.

Confira outros trechos da entrevista de Patrick ao LANCE!:

Relação com a torcida do Internacional

- Minha relação com a torcida do Inter é boa. Eu acho que quando a gente não alcança nossos objetivos somos cobrados, e quando a gente consegue somos elogiados e recebemos força. É um clube que sempre me acolheu muito bem. Desde que cheguei aqui, tentei sempre puxar responsabilidade para ajudar meus companheiros, e graças a Deus isso traz um retorno bom com a torcida. Eu tenho uma identificação muito boa e acredito que eles confiam bastante no meu trabalho -.

Sonho de jogar na Europa e permanência no Inter para 2020

- Eu tenho contrato. Lógico que eu tenho o desejo de atuar na europa, mas hoje eu visto a camisa do Inter, tenho contrato e em termos nacionais não penso em outro clube. Se chegar algum tipo de proposta que seja boa para mim e para o Inter, lógico que a gente vai avaliar dentro da expectativa dos nossos objetivos, porque também não adianta aceitar qualquer proposta da Europa que não seja boa e não te faça feliz. Eu estou feliz aqui. Se caso aparecer alguma coisa que seja boa para ambos, que todos possam seguir seus caminhos felizes -.

A história mais inusitada que presenciou no futebol

- Tem uma de quando eu estava no Sport, com o Sander (risos). Eu tinha acabado de sair de um jogo, estava todo mundo muito cansado. No dia seguinte a gente se reapresentou, aí os fisiologistas e a preparação física fazem a percepção de cansaço e essas coisas. Todo mundo colocando 6/7 numa escala de 0 à 10, porque todo mundo estava realmente cansado do jogo. Aí o Sander me vem e coloca 0. Jogou 90 minutos, foi um dos mais correram e no outro dia disse que não estava cansado (risos). O Sander é muito gente boa, excelente jogador. A gente deu muita risada nesse dia, foi uma situação bastante inusitado (risos) -.

O jogador mais engraçado que conviveu e o jogador mais sério

- O Léo Sena, do Goiás. Ele é muito engraçado, pessoal gosta bastante dele. Faz palhaçada o tempo todo, é molecão. É o mais gente boa, mais engraçado. O mais sério, sem sombra de dúvidas, foi o Durval (risos). O homem que não dá um sorriso, joguei com ele no Sport. Ele foi o mais sério -.