Ao L!, João Roberto Kelly fala sobre a 'Marchinha Para o Mister'

O 'Rei das Marchinhas' mantém seu bom humor, reforça admiração pelo 'bom maestro' Jorge Jesus e 'corneta' a Seleção Brasileira: 'Está jogando em um timbre só'

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O compositor João Roberto Kelly não escondeu sua irreverência ao discorrer sobre a popularidade que o técnico Jorge Jesus vem alcançando como técnico do Flamengo. Às vésperas do Carnaval de 2020, o "rei das marchinhas" estendeu seu vasto repertório para a "Marchinha Para o Mister", cuja letra faz uma campanha curiosa: pede treinador português à frente da Seleção Brasileira.

Ao LANCE!, o compositor contou como teve a ideia de colocar o "Mister" em uma de suas marchinhas.

- Sempre gostei muito de futebol. Embora não seja torcedor do Flamengo, aprecio quando uma equipe joga bem. Além disto, acho que o Carnaval é uma época na qual a gente tem de brincar, que é o que eu faço nas minhas músicas. Foi daí que surgiu a minha tese do Jorge Jesus acabar com a mesmice da Seleção - e, em seguida, detalhou:

- O Tite é um ótimo treinador, admiro muito ele, só que a sensação é que a Seleção atual está sempre jogando no mesmo timbre. Por isso, eu fiz essa brincadeira, porque dá também uma "sacudida" não só no Tite, mas nos outros técnicos brasileiros - completou.

João Roberto Kelly, que tem 81 anos, ainda destacou o que tem chamado sua atenção em relação à equipe rubro-negra:

- O Jorge Jesus introduziu uma forma do Flamengo voltar a jogar para frente, sempre buscando o gol. Eu, que sou torcedor do Fluminense, tenho achado ótimo acompanhar o futebol do Rubro-Negro.

Em relação aos versos nos quais pede "o time do Flamengo com mais dois ou três de fora", o compositor garante: não há nenhuma intenção de polêmica entre rivais. Afinal, prevalece o clima de Carnaval.

- É uma forma poética. Fiz este verso parafraseando o que, há algumas décadas, se dizia do Santos ou do Botafogo. Falavam muito desta forma dos grandes esquadrões deles - declarou.

Perguntado se o atual Rubro-Negro vem jogando por música, João Roberto Kelly é categórico:

- Tem um bom maestro, né?! (risos).

Veja abaixo a "Marchinha Para o Mister"

A MARCHINHA QUE ECOA ATÉ HOJE NAS ARQUIBANCADAS

Embora seja autor de músicas emblemáticas como "Boato", "Mormaço" e "Rancho da Praça Onze", João Roberto Kelly tem sua trajetória marcada pelo bom humor das marchinhas de Carnaval. A safra que agrada foliões traz "Joga a Chave, Meu Amor", "Cabeleira do Zezé", "Bota a Camisinha" e "Maria Sapatão", dentre outras.

Porém, "Mulata Iê-Iê-Iê" não só faz a festa no Carnaval, como também ganha voz na arquibancada. Sua marchinha foi adaptada pelos quatro clubes grandes do Rio de Janeiro.

O compositor lembra como foi se deparar com a "nova versão" da sua música.

- Eu estava nas cadeiras do Maracanã, durante um jogo do Fluminense. Aí um sujeito atrás de mim começou a gritar e eu percebi que era a minha música "iê, iê, iê, iê, iê... Bota pra f...". Eu dei um pulo e falei: "meu Deus!". Eu descobri que tinha um "colaborador"! (risos). Depois, descobri que outras torcidas também estavam cantando. Fico feliz, "Mulata Iê-Iê-Iê" é uma música que trouxe e ainda traz muita alegria para mim - disse.

No embalo do Carnaval, João Roberto Kelly interpretará suas marchinhas no próximo sábado, no Centro da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca (bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro). O "Rei das Marchinhas" fará dois shows na casa: às 17h e às 20h.