Alberto Colombo vê na criação de uma liga o caminho para a indústria do futebol ser mais competitiva

Em webinar da Academia LANCE!, secretário-geral adjunto da Associação das Ligas Europeias aponta que equilíbrio de esforças garante imprevisibilidade dos resultados 

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A criação de uma liga é vista por Alberto Colombo como crucial para fazer com que toda a indústria do futebol brasileiro fique sólida. Na webinar promovida pela Academia LANCE! nesta terça-feira, o secretário geral adjunto da Associação das Ligas Europeias apontou que a sensatez tem de permear a discussão entre todos os clubes, sem exceção.

- É comum que a iniciativa parta de grandes clubes como Flamengo, Botafogo, São Paulo, Corinthians, Vasco, os clubes de Porto Alegre. Porém, o primeiro passo é que haja uma mesa redonda no qual todos sejam convidados. Clubes, a CBF, o Sindicato dos Atletas têm de perceber a necessidade de criar uma liga... É melhor que haja mais clubes que estejam recebam mais dinheiro ou ter uma indústria mais pobre e menos competitiva? É fácil para aqueles que estão no poder tentar redistribuir toda a riqueza e tentar ter tudo para eles. - e, em seguida, mencionou o modelo da Liga Espanhola:

- O ponto que transformou a Liga Espanhola foi a centralização das receitas dos direitos televisivos, das oportunidades comerciais. Houve um salto na competitividade - completou.

O webinar também teve as participações de Pedro Trengrouse, advogado e coordenador acadêmico do programa FGV/FIFA/CIES em Gestão de Esporte, e do editor e colunista do LANCE!, Carlos Alberto Vieira. Colombo apontou como a liga torna uma competição mais atrativa.

- A liga profissional faz com que os critérios de redistribuição de receitas se tornem mais democráticos. O equilíbrio competitivo é mantido, evita hegemonias muito grandes. É até interessante porque o Brasil, mesmo não tem tendo uma liga, vê um cenário relativamente bom. Não há equipes que ganharam mais de dez campeonatos, temos mais clubes cotados como favoritos ao título antes do início da competição - disse.


O editor e colunista Carlos Alberto Vieira trouxe um contraponto.

- A competição começa com 10 a 12 clubes cotados inicialmente. Mas, aos poucos, o Flamengo, por seu maior investimento, e Corinthians, por sua torcida, passaram a ganhar um favoritismo maior. Além disto, tem o Palmeiras, que conta com um patrocínio forte. Eles podem aumentar esta disparidade entre os clubes - declarou.

Colombo ressaltou outro caminho para que o equilíbrio seja mantido nas competições e equipes.

- É fundamental que haja também um sistema de solidariedade que possa redistribuir parte da receita na base do futebol profissional para garantir que os grandes clubes não escapem, para tirar o "gap" econômico e desportivo - e deixou um sinal de alerta sobre o risco do abismo entre os clubes:

- Quando o "gap" esportivo aumenta, nós vamos destruir aquilo que é a verdadeira razão pela qual o futebol é a paixão de milhões de torcedores no mundo: a imprevisiblidade do resultado - completou.

Colombo disse que cabe aos clubes e à CBF se mobilizarem pela competição.

- É melhor o interesse comum do que o individual. Em cada liga existem os maiores clubes, os medianos e os pequenos. Alguém tem de ceder para o bem mais comum ao longo prazo. A CBF tem a responsabilidade de sentar com os clubes para resolver os problemas. Isso pode ser feito através de uma mesa redonda que tem que incluir a federação e os clubes para definir um modelo de governança- disse.

O secretário geral adjunto da Associação das Ligas Europeias afirmou que a liga ainda pode ajudar o futebol brasileiro a projetar os jogadores.

- O Brasil é uma cozinha de talentos. A liga pode proporcionar e vender melhor o produto a nível de vender aquela característica do futebol brasileiro, que é encontrar e desenvolver talentos - declarou.


Sobre a Academia LANCE!

A Academia LANCE! ministrará uma série de webinars com convidados importantes para debater assuntos atuais envolvendo esporte, marketing, finanças e negócios. Confira a agenda dos próximos seminários:

13/08 - Fábio Coelho, vice-presidente do Google Inc. e presidente do Google Brasil
18/08 - Pedro Paulo, deputado federal, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol
01/09 - Guilherme Ribenboim, vice-presidente global de operações do Twitter