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113 anos de Fangio: O dia em que o piloto argentino foi sequestrado em Cuba

Argentino teve episódio inusitado com revolucionários cubanos

Lance

Lance|Do R7


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Juan Manuel Fangio completaria 113 anos, nesta segunda-feira (24). O argentino correu na principal categoria do automobilismo por oito anos e colecionou cinco títulos mundiais (1951, 1954, 1955, 1956 e 1957), 24 vitórias e 35 pódios. Por muitos, inclusive por Ayrton Senna, "El Chueco" é um dos maiores e melhores pilotos de todos os tempos.

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Mesmo com muitas glórias na carreira, Fangio tem um capítulo peculiar na sua trajetória na Fórmula 1. O argentino foi sequestrado por guerrilheros cubanos que tentavam promover a derrubada do governo de Fulgencio Batista, que tomou o controle do poder após um golpe militar e que suspendeu a constituição em vigor e eliminou os direitos políticos.

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Em 1958, o presidente cubano estava tentando manter um ar de normalidade em Cuba, mesmo que a presença revolucionária do grupo "26 de Julho", liderados por Fidel Castro, já era sentida através de tumultos cada vez mais agressivos nas ruas.

Em Havana, Fulgencio queria passar a visão de tranquilidade no país e organizou o Grande Prêmio de Havana. Com grandes nomes do automobilismo entre os convidados, inclusive ícones da Fórmula 1, a corrida teve sua primeira edição em 1957, vencida justamente por Juan Manuel Fangio, que voltou ao país para participar da prova no ano seguinte.

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No primeiro dia na capital cubana, o argentino teve um dia normal, andou na pista, deu entrevistas nas rádios locais e treinou com sua Maserati. Na véspera da prova, programada para 24 de fevereiro de 1958, Fangio desceu para jantar no Hotel Lincoln, onde estava hospedado. No saguão, foi abordado por dois homens armados, que anunciaram o sequestro.

O motivo era simples: ao capturar o maior nome no automobilismo, os revolucionários atrairiam publicidade mundial. No entanto, apesar das notícias do sequestro se espalharem pelo mundo, Batista se recusou a ser superado e ordenou que a corrida continuasse como de costume, enquanto uma equipe de polícia caçava os sequestradores.

Fangio foi conduizdo a um carro que os esperava na porta do hotel, foi levado à casa de um dos sequestradores na capital, sendo apresentado à sua mulher e a seu filho pequeno, e de lá foi levado a outro local, um pouco mais afastado.

Assim que o argentino chegou no novo local, considerado seguro pelos sequestradores, diversos veículos de imprensa receberam telefonemas, sempre com a mesma mensagem: "Aqui é o 26 de Julho. Fangio está em nosso poder, não correrá amanhã”.

Os sequestradores também  também exigiram que a embaixada argentina fosse informada, e que a família do campeão estivesse ciente do rapto.

Apesar a apresentação nada calorosa no hotel, a relação entre Juan Manuel e os sequestradores foi de muito respeito. O argentino sentou-se à mesa com alguns dos guerrilheiros e se mostrou interessado por suas vidas, as condições em que viviam, o que faziam em seu dia a dia, o que desejavam para Cuba.

- As pessoas que viajavam comigo naquele carro me pediram desculpas por aquilo que estavam fazendo, mas explicaram que queriam atrair a atenção do mundo para a sua causa. Todos me trataram de maneira excelente, tive as mesmas comodidades que teria se estivesse hospedado entre amigos – disse Fangio, em um depoimento.

O clima amistoso entre os dois seguiu amistoso pelas 26 horas em que Fangio permaneceu sequestrado. Pela manhã ele fez a barba, tomou um bom café da manhã, ouviu música e leu o noticiário a respeito de seu sequestro nos jornais. O argentino não assistiu a corrida pela televisão e acompanhou a largada pela rádio.

Conforme ordenado por Batista, na manhã da corrida, os carros foram liberados na frente de uma multidão de 150 mil pessoas, com Maurice Trintignant substituindo o desaparecido Fangio. Na prova, Sterling Moss e Masten Gregory, liderando o que se esperava ser uma corrida acirrada. Mas quando os líderes começaram a quinta volta, quase todos os cantos do circuito de 5,5 quilômetros estavam cheios de óleo, por falha técnica na Porsche de Roberto Mieres.

Na volta seguinte, ocorreu um desastre. O piloto local Armando Garcia Cifuentes perdeu o controle de sua Ferrari amarela e preta e foi para cima de vários espectadores ao longo do circuito. Mais de 30 pessoas ficaram feridas e sete foram mortas quando os destroços derrubaram uma ponte improvisada e voaram sobre as barreiras do acidente.

Masten Gregory, liderando o que se esperava ser uma corrida acirrada. Mas quando os líderes começaram a quinta volta, quase todos os cantos do circuito de 5,5 quilômetros estavam cheios de óleo e os carros começaram a correr perigosamente perto das barreiras. A princípio, os organizadores suspeitaram de um segundo ato de sabotagem rebelde, mas depois foi descoberto que o Porsche de Roberto Mieres estava com uma linha de óleo quebrada.

Na volta seguinte, ocorreu um desastre. O piloto local Armando Garcia Cifuentes perdeu o controle de sua Ferrari amarela e preta e foi para cima de vários espectadores ao longo do circuito. Mais de 30 pessoas ficaram feridas e sete foram mortas quando os destroços derrubaram uma ponte improvisada e voaram sobre as barreiras do acidente. Moss e Gregory seguiram correndo e o inglês teve uma das vitórias mais bizarras de sua carreira.

Após a corrida, os revolucionários do 26 de Julho entregaram Juan Manuel Fangio na embaixada argentina. Antes de deixar Cuba, o argentino foi interrogado pela polícia cubana, que mostrou fotografias de alguns dos rebeldes fichados, tentando arrancar informações do piloto.

- Eles me mostraram fotografias e estavam todos lá. Mas eu disse à polícia que não tinha condição de reconhecê-los – admitiu o argentino.

Na véspera de Ano Novo de 1958, a revolução havia sido bem-sucedida, após Fulgencio Batista fugir de Cuba pressionado pelas forças rebeldes lideradas por Fidel Castro, Raul Castro e Ernesto Che Guevara. Fangio ainda teria um reencontro com seus sequestradores em Havana. O argentino retornou à capital cubana em 1981, quando era embaixador da Mercedes-Benz.

O pentacampeão mundial de Fórmula 1 e seus sequestradores mantiveram relações até a morte do pentacampeão, em 1995. De acordo com a filha do piloto, eles trocavam correspondências regularmente, e chegaram a receber alguns dos revolucionários em visita na Argentina, quando foi inaugurado um museu sobre a vida e a carreira do esportista.

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